Em meio ao atual cenário de epidemia em Dourados, o HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados) reforça orientações sobre a chikungunya. Causada por um vírus transmitido pela picada dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, a infecção pode provocar febre alta, dores intensas nas articulações, erupções cutâneas, dor de cabeça e dores musculares.
Assim, para esclarecer dúvidas e orientar a população, a instituição lançou uma série com as perguntas mais comuns sobre a chikungunya em suas redes sociais. Além disso, um guia em formato de perguntas e respostas com informações essenciais sobre a doença está à disposição. Confira os esclarecimentos do HU-UFGD:
1. O que é chikungunya?
Chikungunya é um vírus que causa febre alta, dor de cabeça e dores nas articulações e nos músculos entre três e sete dias após a picada de um mosquito infectado. Embora a maioria dos pacientes tenda a se sentir melhor em dias ou semanas, alguns desenvolvem dor articular crônica e inflamação.
A doença raramente causa morte; contudo, a dor nas articulações pode durar meses ou até anos em algumas pessoas. As complicações são mais comuns em crianças menores de 1 ano, pessoas acima de 65 anos e/ou com doenças crônicas (diabetes, hipertensão etc.).
2. Qual é a origem da palavra chikungunya?
A palavra vem da língua africana Makonde e significa “curvado de dor”. A detecção do vírus ocorreu pela primeira vez na Tanzânia, em 1952; e, a partir de 2004, surtos intensos e extensos foram relatados na África, em ilhas do Oceano Índico e na região do Pacífico, incluindo Austrália e sudeste asiático — Índia, Indonésia, Mianmar, Maldivas, Sri Lanka e Tailândia.
Em 2007, houve um surto do vírus na região da Emília-Romanha, na Itália, transmitido localmente pelo Aedes albopictus. Antes da confirmação dos primeiros casos de transmissão autóctone na região das Américas, houve relatos de vários casos importados entre viajantes que retornavam da Ásia ou da África com o vírus.
3. Como é transmitida a chikungunya?
A transmissão ocorre pela picada do mosquito Aedes aegypti — presente nos trópicos e subtrópicos das Américas —, que também pode transmitir dengue e febre amarela. Além dele, o mosquito Aedes albopictus — presente principalmente em áreas periurbanas, rurais e áreas verdes — também transmite.
Esses mosquitos são facilmente reconhecidos pelas listras brancas ao redor das patas. Assim, quando picam uma pessoa com chikungunya, inicia-se o ciclo de transmissão.
4. A chikungunya é transmitida de pessoa para pessoa?
Não é possível transmitir chikungunya por abraços ou beijos, alimentos ou ar que respiramos: portanto, não é transmitida de pessoa para pessoa. O vírus precisa de um vetor, um meio de transporte, que, nesse caso, são os mosquitos.
O ciclo de transmissão tem início quando um mosquito Aedes pica alguém com chikungunya que esteja com febre; 10 dias depois, o vírus se multiplica nas glândulas salivares do mosquito e estará pronto para transmitir a doença. Assim, quando o mosquito picar uma pessoa saudável, ela começará a apresentar sintomas de 3 a 7 dias após o período de incubação.
5. Por que a transmissão é tão rápida?
A velocidade da transmissão geralmente ocorre quando a quantidade do vírus da chikungunya na corrente sanguínea da pessoa infectada é muito alta. Então, toda vez que ela for picada pelo mosquito, ele será contaminado e, ao picar outras pessoas, fará a transmissão rapidamente.
6. É possível contrair chikungunya duas vezes?
Não, apenas uma vez. Depois disso, a pessoa desenvolve anticorpos protetores. Conforme as evidências disponíveis até o momento, a imunidade deve ser vitalícia.
7. O que devo fazer se contrair chikungunya?
Ao iniciar os sintomas de febre de forma súbita, com dor nas articulações, busque a UBS (Unidade Básica de Saúde) mais próxima da sua residência ou atendimento médico a que você tenha acesso.
A partir dessa avaliação em tempo oportuno, é possível para manejar a dor, redução da febre e avaliação completa de outras complicações que possam ocorrer, especialmente grupos de risco, checando as comorbidades e a necessidade de internação hospitalar.
8. Existe alguma vacina que possa prevenir a chikungunya?
Sim. Já existe vacina para prevenir a chikungunya, mas ela ainda está sendo aplicada gradualmente e com critérios específicos. No Brasil, a aprovação da vacina pela Anvisa ocorreu em abril de 2025 e começou a ser utilizada estrategicamente em regiões com maior risco de transmissão, como alguns municípios.
Em Mato Grosso do Sul, o município de Dourados inicia a campanha de vacinação contra o vírus da chikungunya no dia 27 de abril. Oferecida pela Secretaria Municipal de Saúde, a vacinação é direcionada a um público específico: pessoas com mais de 18 anos e menos de 60 anos. Existem ainda restrições importantes: a dose não é indicada, por exemplo, para gestantes, lactantes, pessoas com imunidade comprometida, em tratamento contra câncer, transplantadas ou com determinadas doenças crônicas em combinação.
Outro ponto relevante é que a aplicação não é automática. Assim, antes de receber a vacina, a pessoa passa por avaliação de um profissional de saúde para verificar possíveis contraindicações. A vacina existe e representa um avanço importante na prevenção da chikungunya, mas seu uso ainda é controlado, focado em grupos elegíveis e regiões prioritárias, como Dourados.
9. A doença pode levar à morte?
Sim. Conforme o médico infectologista Rivaldo Venâncio, da Fiocruz, dados coletados nos últimos dez anos indicam que a chikungunya tem causado óbitos em proporção semelhante à dengue, o que demonstra seu potencial de gravidade.
Idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas devem buscar avaliação médica para acompanhamento adequado. A atenção refere-se a diagnósticos como diabetes, hipertensão, insuficiência renal crônica, tuberculose e HIV.
10. Quais são os grupos de risco?
Idosos, crianças pequenas (especialmente menores de 1 ano), gestantes e pessoas com doenças preexistentes estão em risco. Assim, é essencial monitorar as pessoas — principalmente idosos e crianças — para que bebam bastante água, controlar a febre e levá-las imediatamente ao hospital caso apresentem sinais de alerta.
11. A chikungunya é semelhante à dengue?
As doenças assemelham-se. A principal diferença é que a febre e a dor nas articulações são mais intensas na chikungunya.
A dor da chikungunya afeta as mãos, os pés, os joelhos e as costas, podendo incapacitar a pessoa, fazendo-a se curvar, e dificultando a caminhada ou até mesmo a abrir uma garrafa de água. A dengue pode causar complicações quando a febre baixa, sendo importante estar atento aos sinais de alerta.
12. Os mosquitos que transmitem a dengue também podem transmitir a chikungunya? Ou transmitem apenas uma das duas doenças?
De acordo com as evidências disponíveis, os mosquitos podem transmitir ambas as doenças, às vezes simultaneamente. Não há, contudo, registro de uma alta taxa de coinfecção.
13. As mães podem transmitir o vírus chikungunya para os bebês durante a gravidez ou o parto?
Mães que contraem chikungunya durante a gravidez não transmitem o vírus para seus bebês. No entanto, existem casos documentados de transmissão de mãe para filho quando a mãe apresenta febre nos dias imediatamente anteriores ao parto ou durante o parto.
Além disso, a cesariana não impede a transmissão. Por esse motivo, gestantes com chikungunya constituem um grupo de risco para transmissão aos recém-nascidos e devem ser avaliadas por um médico. Vale ressaltar que a chikungunya não é transmitida pelo leite materno.
14. Que medidas devem ser tomadas para prevenir a chikungunya?
A eliminação e o controle dos criadouros do mosquito reduzem a probabilidade de transmissão dos vírus chikungunya e dengue.
Assim como a dengue, esse vírus exige uma resposta abrangente que envolva diversas áreas de atuação, desde saúde e educação, até meio ambiente. Os criadouros do mosquito podem ser eliminados ou destruídos por meio das seguintes ações:
- Evite armazenar água em recipientes externos (vasos de plantas, garrafas, recipientes que possam acumular água), para impedir que se tornem criadouros de mosquitos.
- Cubra os reservatórios ou caixas d’água domésticas, para evitar a entrada de mosquitos.
- Evite o acúmulo de lixo; coloque-o em sacos plásticos fechados e guarde-o em recipientes fechados.
- Descubra/desobstrua os ralos para liberar a água parada.
- Utilize telas mosquiteiras em janelas e portas, para ajudar a reduzir o contato entre mosquitos e pessoas.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






