O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) aprovou, nesta terça-feira (14), o aumento temporário de 30% para 32% no teor obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina. A mudança é vista com bons olhos pelo setor produtivo de Mato Grosso do Sul, um dos principais produtores de etanol do país.
A medida é válida por 180 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a resolução permite que o Brasil deixe de importar 900 milhões de litros de gasolina por ano e considera a instabilidade do mercado internacional de petróleo e combustíveis.
Para a Biosul (Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), a ampliação chega em um momento de expansão da produção e consolidação da integração entre o etanol de cana-de-açúcar e de milho no Estado, combinação que amplia a competitividade e a contribuição de MS para o abastecimento nacional.
Já o Sinpetro (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul), que representa os postos de combustível, afirma que a maior participação do etanol pode reduzir a dependência da gasolina importada e contribuir para diminuir a volatilidade dos preços internacionais.
MS é o 4º maior produtor de etanol
Segundo a Biosul, Mato Grosso do Sul reúne um dos principais parques de bioenergia do Brasil, com 22 unidades em operação — 19 de cana-de-açúcar e três de milho, todas produtoras de etanol e bioeletricidade a partir da biomassa da cana-de-açúcar.
Dessas, 14 exportam o excedente de energia para o Sistema Interligado Nacional e outras 14 são produtoras de açúcar. O Estado é o 4° maior produtor nacional de cana-de-açúcar e etanol, o 2° maior produtor de etanol de milho e o 5° maior produtor de açúcar.
A Biosul afirma que o setor está presente em 42 municípios, com geração de cerca de 34,5 mil empregos, e movimento de aproximadamente R$ 1,4 bilhão em salários, o que corresponde a 19% do PIB industrial sul-mato-grossense.
Preços mais baixos?
O Sinpetro-MS considera, ainda, que a expectativa do governo é de que a gasolina apresente leve redução de preço ou, ao menos, sofra menor pressão de alta, desde que o etanol permaneça competitivo em relação à gasolina. “O impacto efetivo nos preços dependerá das condições de mercado, dos custos de produção e da competitividade do etanol nos próximos meses”, ressalva nota do sindicato.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, informou nesta terça-feira (14) que a elevação temporária da mistura de 32% do etanol na gasolina vai proporcionar uma redução de 3 centavos (R$ 0,03) no preço do combustível fóssil na bomba, considerando os dados disponíveis.
No entanto, a pasta considera que o principal avanço da nova mistura de gasolina e etanol é diminuir a dependência de importação de gasolina pelo Brasil, principalmente em meio aos conflitos no Oriente Médio.
Estudos
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a decisão foi respaldada por testes técnicos feitos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, que mostraram a viabilidade da mistura em veículos leves e motocicletas, sem comprometer o desempenho ou o consumo, mesmo em motores não flex.
Enquanto a nova mistura (E32) entra em vigor, o governo prossegue com avaliações para verificar os efeitos de teores ainda mais elevados, como o E35, ou seja, 35% de etanol anidro misturado à gasolina, com foco na durabilidade dos componentes automotivos e nos efeitos da utilização do combustível em longo prazo.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







