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Iagro aprova novos agrotóxicos em MS e inclui produto altamente tóxico na lista

A lista reúne inseticidas, herbicidas e fungicidas voltados a culturas como arroz, café, soja e pastagens
Lethycia Anjos -
Uso de agrotóxicos em MS. (Reprodução, MPMS)

Em portarias publicadas no DOE (Diário Oficial do Estado) desta quinta-feira (30), a Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) autorizou o registro e a comercialização de novos agrotóxicos em Mato Grosso do Sul. Ao todo, foram aprovados sete produtos, entre eles, um classificado como altamente tóxico.

A lista reúne inseticidas, herbicidas e fungicidas voltados a culturas como arroz, café, soja e pastagens. Também há produtos microbiológicos, considerados alternativas biológicas no controle de pragas.

A maior parte dos novos produtos está classificada como improvável de causar dano agudo, conforme os parâmetros toxicológicos vigentes.

O destaque em termos de saúde é o produto Protecnil 720 SC (Fungicida), registrado pela empresa Proregistros. Conforme a portaria, o produto está classificado como “altamente tóxico”. Em contrapartida, produtos biológicos, como o Cordex Bio (Inseticida Microbiológico), receberam a classificação de “não classificado” em termos de toxicidade.

Confira os produtos liberados:

  • Protecnil 720 SC (fungicida – clorotalonil): altamente tóxico;
  • Favorito 600 FS (inseticida – imidacloprido): pouco tóxico;
  • Flail 480 SC (herbicida – flumioxazina): improvável causar dano agudo;
  • Gleba 325 SC (fungicida – trifloxistrobina + protioconazol): improvável causar dano agudo;
  • Picoxistrobin nortox (fungicida – picoxistrobina): improvável causar dano agudo;
  • Nemacore (nematicida microbiológico – Purpureocillium lilacinum): improvável causar dano agudo;
  • Cordex Bio (inseticida microbiológico): não classificado.

Além dos novos cadastros, a Iagro promoveu mudanças em oito registros já existentes, como a inclusão de novas culturas agrícolas, ampliação de alvos biológicos e atualização de classificação toxicológica. Há ainda alterações em marca comercial e modos de aplicação de determinados produtos.

As portarias também trazem o cancelamento de um cadastro estadual do agrotóxico Ralbuzin 480 SC. Contudo, a mudança ocorreu a pedido da própria empresa responsável pelo registro.

Classificação e segurança

Em 2025, propriedades rurais do Estado utilizaram cerca de 43 milhões de litros e 17 mil toneladas de agrotóxicos. Desse total, 5,9 milhões de litros estavam classificados como altamente ou extremamente tóxicos.

No Estado, o controle e a autorização para uso de agrotóxicos são centralizados na Iagro e no Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). Além disso, a comercialização exige registro estadual e emissão de receita agronômica.

Contaminação em MS

Em 2025, um dossiê elaborado pela Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) e pela Ensp (Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca) apontou os impactos dos agrotóxicos na saúde reprodutiva, com destaque para áreas de conflito indígena em Mato Grosso do Sul, como a região de Caarapó.

Conforme o estudo, análises realizadas com amostras coletadas entre 2020 e 2021 na Terra Indígena Tirecatinga identificaram contaminação por agrotóxicos em diferentes materiais, como água da chuva, água de poço, rios, plantas medicinais, frutos do Cerrado, alimentos, peixes, caça e mel.

Os resultados indicaram presença de resíduos em 90% das amostras, com detecção de 11 tipos diferentes de agrotóxicos, média de quatro substâncias por amostra. Entre eles, cinco (45%) são proibidos na União Europeia.

Há ainda relatos de redução na produção de frutas e adoecimento de animais em períodos de intensa pulverização nas lavouras do entorno da terra indígena.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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