Uma infestação de larvas e moscas em uma granja avícola levou o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) a instaurar um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades ambientais e sanitárias em uma propriedade na zona rural de Ivinhema, a 289 km de Campo Grande.
A investigação, conduzida pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Ivinhema, começou após um vereador apresentar uma representação relatando transtornos causados pela invasão de insetos em residências e possíveis riscos à saúde pública. Na ocasião, moradores anexaram fotos que mostravam moscas sobre utensílios domésticos, embalagens de alimentos e estruturas das casas.
Fiscalização encontrou larvas e falhas sanitárias

Vistorias realizadas por órgãos de fiscalização identificaram falhas no controle de vetores e no manejo operacional da granja. Em uma inspeção no fim de 2025, a Vigilância Sanitária Municipal solicitou à empresa o Plano de Controle e Manejo de Pragas e Moscas, mas o documento não foi apresentado na ocasião.
Já em agosto de 2026, fiscais da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) identificaram larvas vivas de moscas em diferentes estágios de desenvolvimento, inclusive no terceiro estágio larval (L3).
O relatório apontou falhas na aplicação de inseticidas sobre as fezes das aves, acúmulo de dejetos a céu aberto, telas rasgadas ou suspensas nos galpões, portas abertas na composteira e entulhos de construção na área de criação. Diante das irregularidades, as instalações foram interditadas sanitariamente até que os problemas sejam corrigidos.
O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) também notificou o empreendimento para adequar e reformar a composteira, construir um leito impermeabilizado para a secagem dos dejetos com sistema de contenção de chorume, regularizar a captação de água subterrânea e apresentar um cronograma de reforma dos barracões.
Em nova vistoria, realizada no fim de agosto de 2026, a Iagro constatou melhora significativa nas condições dos galpões e uma interrupção temporária do ciclo reprodutivo das larvas após a adoção de medidas emergenciais.
Conforme o MPMS, a defesa técnica da granja alegou que o estabelecimento passa por uma transição do sistema tradicional de criação em gaiolas para o modelo de galinhas soltas sobre cama de maravalha. Além disso, recusou a assinatura de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), sob o argumento de que as pendências estavam sendo resolvidas pela própria empresa.
Transtornos aos moradores

Apesar dos avanços apontados nas vistorias, moradores do bairro Eco Park voltaram a relatar a persistência do problema nas residências próximas. Diante da divergência entre as manifestações da comunidade e os resultados das inspeções, o promotor de Justiça Allan Thiago Barbosa Arakaki converteu a notícia de fato em Inquérito Civil para aprofundar a apuração.
Entre as providências determinadas pelo Ministério Público, estão a oitiva dos moradores, a realização de perícia técnica ambiental pela Secretaria de Desenvolvimento de Apoio às Atividades de Execução (Daex/MPMS) e o acompanhamento do cumprimento das exigências feitas pelo Imasul e pela Iagro.
O procedimento também prevê prazo de 10 dias úteis para apresentação de defesa e de eventuais quesitos periciais.
O objetivo, segundo o MPMS, é esclarecer as responsabilidades pelo problema e verificar se as medidas adotadas são suficientes para conter a infestação e evitar novos transtornos à população vizinha.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)










