Intuitivos e fáceis, mas perigosos: patinetes elétricos alugáveis agradam campo-grandenses Pular para o conteúdo
Cotidiano

Intuitivos e fáceis, mas perigosos: patinetes elétricos alugáveis agradam campo-grandenses

Disponíveis a uma semana, veículos são usados para o lazer, mas podem terminar em acidentes
Gustavo Henn -

Os patinetes elétricos compartilhados chegaram a há cerca de uma semana, no último dia 7. Eles são disponibilizados por meio de um aplicativo da empresa JET Brasil, mediante taxa de pagamento por minuto. Em poucos dias, os veículos se tornaram uma opção de mobilidade urbana e, principalmente, de lazer.

Os patinetes passam pela fase de testes e estão em funcionamento com uma série de limitações. Ao todo, são 400 equipamentos disponibilizados em bairros do Centro da cidade, com limite de velocidade de 20 km/h. Os campo-grandenses que utilizaram o veículo afirmam que ele se destaca pela sua facilidade de uso, mas que deve existir atenção aos possíveis acidentes.

O promotor de vendas Kauan Cavalcante, de 21 anos, já testou o patinete pra dar uma volta com tranquilidade. “É legal porque facilita a mobilidade. Só que o único problema é que eu acho que teve um pouco de acidente, todo mundo ficou perdido e começou a ‘meter o louco’, tem que tomar cuidado com os acidentes, mesmo”, aponta. “Pra andar nele, é de boa, é tranquilo. Eu acho que tem que tomar mais cuidado nas ruas, mesmo, prestar atenção”, completa.

Kauan Cavalcante, promotor de vendas. (Foto: Leo de França/Jornal Midiamax)

Novidade agrada

Quem aproveitava para testar e se divertir com os patinetes na manhã desta quarta-feira (15) era o contador Tiago Sobreira, de 40 anos, junto de sua filha Cecília, de 11 anos. Moradores do interior de Mato Grosso do Sul achavam até que os dispositivos estavam há mais tempo na cidade.

“Viemos aqui pra minha esposa fazer um curso, aproveitamos pra passear e achamos muito interessante pra mobilidade urbana. Nós estamos utilizando pra passear, brincar, mas é muito bom pra mobilidade urbana. Seria até interessante que isso fosse pro interior. Eu sou de ; se fosse pra lá, seria muito interessante”, afirma Tiago.

Segundo o contador, o sistema de aluguel do patinete, por meio do aplicativo, é simples, o que facilita o uso. “Foi muito tranquilo; o aplicativo é até muito intuitivo. Ele é fácil de usar, é bem tranquilo, manda o Pix e logo já está desbloqueado. Gostamos para caramba”, completa.

Aproveitando pra se divertir, Cecília conta que já tinha intimidade com o patinete, o que a ajudou a andar. “Eu já tinha andado de patinete elétrico, da minha amiga. E eu achei bem legal. E fácil também, como eu já sabia […] Com certeza, ia ser muito legal [se tivesse em Rio Brilhante]”.

Tiago Sobreira e sua filha Cecília. (Foto: Leo de França/Jornal Midiamax)

Fácil, mas perigoso

Apesar de o veículo ter avaliação positiva pra maioria dos usuários, é importante o cuidado no trânsito. O casal Guilherme Silva e Laís dos Santos, de 21 e 18 anos, destacou o patinete como opção econômica para transporte na cidade. “Eu acho uma boa opção pra quem quer só dar um passeio ou até mesmo pra trabalhar, se for um lugar perto. E eu achei super em conta também, não é muito caro”, opina Laís.

“É bem econômico e também é bem prático. Eu tive uma moto roubada, pra mim foi muito bom ter isso aqui, que é barato, é um meio que eu posso me locomover rápido também”, conta Guilherme.

No entanto, por serem novidades, os patinetes podem acabar causando acidentes, pela falta de prática com o dispositivo ou até mesmo de atenção. “Eu vi gente muito irresponsável usando. Teve uma amiga nossa também que acabou batendo numa pessoa, que machucou os dois, então, acho que tem que saber usar, não ficar brincando no negócio, até porque não é só pra lazer, mas pra ser prático, pra ajudar a população”, afirma o jovem.

A acadêmica de Biomedicina Laís dos Santos e o vendedor Guilherme Silva. (Foto: Leo de França/Jornal Midiamax)

Neste sábado (18), a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) realiza uma ação educativa sobre o uso dos veículos. O casal avalia que esse tipo de instrução pode ser uma boa pedida, mas ainda depende da responsabilidade de cada um.

“No próprio aplicativo, eles explicam, tem um tutorial de como usar. E, se tivesse uma pessoa auxiliando, também seria legal, mas não é nada muito difícil de usar”, diz Laís. “É um patinete, então, é fácil de usar. Acho que só vai de consciência para consciência. Tem muita gente irresponsável que acaba não pensando nas atitudes, muito menos no jeito que vai usar isso daqui, e acaba ultrapassando o limite do que é certo ou errado”, completa Guilherme.

Orientações e medidas de segurança

O empresário Anilom Molina explica que já viu a aplicação dos patinetes elétricos em outros países e acredita que faltam medidas de segurança para o uso.

“A implementação desse sistema é muito importante pra cidade. O que precisa fazer é deixar as pessoas cientes dos problemas, das dificuldades, principalmente na questão de segurança. Eu vejo que as pessoas aceleram muito; até o momento, não é obrigatório o uso de capacete ou qualquer outro sistema de segurança, e as nossas ruas hoje não são adaptadas pra esse sistema de transporte”, explica.

Segundo o empresário, são necessárias duas medidas pra tentar conter o número de acidentes com os patinetes. “Acho que o primeiro seria uma placa física, orientando sobre os cuidados, principalmente sobre segurança. E, no momento em que a pessoa baixa o aplicativo, também teriam que ser obrigatórios alguns cuidados de segurança antes que a pessoa pudesse destravar o sistema”, opina.

Anilom Molina, empresário. (Foto: Léo de França/Jornal Midiamax)

Presente que virou transporte

Já o comerciante Isaías Teixeira, de 48 anos, tem uma relação ainda maior com o patinete elétrico. Ele comprou, há cerca de três meses, um modelo para seu filho, Hilquias Viana, como presente de aniversário. Porém, o patinete acabou virando um meio de transporte para o pai, em situações de emergência.

“A gente tá tendo uma experiência bem boa com ele. Na realidade, a princípio, a ideia era só realizar um sonho do meu filho […] Depois que a gente comprou, a gente pôde observar que realmente ele é muito mais do que um presente de aniversário. Ele é uma maneira da gente se transportar mais facilmente. A gente se livra do trânsito da cidade muito bem. Ele é realmente um meio de transporte muito eficiente”, afirma Isaías.

O jovem Hilquias, de 12 anos, usa o patinete pra ir para a escola e ajudar seu pai com o trabalho, sendo o dono do veículo. Mas, quando Isaías precisa, ele não se importa de ceder o dispositivo. “Acaba servindo para emergência e para trabalhar. A bateria dele dura três horas. De bicicleta, daqui [no Centro] até lá em casa, vai dar meia hora. A gente chega dentro de 10 minutos [com o patinete]”, conta.

Vale lembrar que o modelo usado pelo comerciante chega a até 45 km/h e tem sistema de aceleração diferente dos compartilhados na cidade. Isaías teve dificuldade pra aprender no início, mas, depois que ‘pegou o jeito’, não desaprendeu mais.

“Ele é bem prático, bem fácil de usar. Quando a gente usou a primeira vez, claro que a gente ficou bem com medo. A gente escolheu um lugar bem seguro, tipo uma ciclovia, para poder andar pela primeira vez. Ele andou bastante, só depois que eu fui pegar ele emprestado, que era urgente mesmo. E [depois da] primeira vez eu pensei que eu nunca mais ia usar”, conta.

Isaías Teixeira e Hilquias Viana. (Foto: Leo de França/Jornal Midiamax)

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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