Casas localizadas na Vila Popular, em Campo Grande, ficaram alagadas após o temporal desta quinta-feira (15). A chuva atingiu níveis históricos ao registrar 143,1 milímetros acumulados em apenas um único dia. Moradora de uma residência na Avenida Rádio Maia, Marina Aureliano Correia viu o nível da água subir até sua cintura.
“Eu moro aqui há 3 anos e todo ano alaga. Esse ano foi pior. Foi planta embora, pedaço de pula-pula que estava ali para lavar. Enquanto eu fui levar as crianças, quando eu voltei, eu já não consegui mais entrar. Quando eu voltei, a água já estava na cintura”, afirma Marina, que possui uma empresa de decoração e brinquedos infantis.
“[Prejuízo] para o meu trabalho também. Eu trabalho com muita coisa de MDF. A maioria das coisas da gente, móveis, é tudo MDF. Então, assim, o que eu posso fazer, eu faço. Eu ergo tudo, mas é muito rápido”, explica a moradora.
A região estaria prejudicada pela enchente do rio local, que sofre com descartes indevidos de lixo. “A própria população aqui acaba jogando. Quando enche o rio e a água atravessa pro outro lado, aí não tem jeito, é só erguer e tirar o que pode”, conta.

Invasão de insetos
Marina também se preocupa com a invasão dos insetos à residência. Após o temporal, a moradora afirma que já encontrou três escorpiões dentro de casa. Na chuva anterior de grande volume, o número foi ainda maior: foram encontrados nove escorpiões na residência, além de diversas baratas.
Devido à quantidade de insetos, Marina disse que uma das paredes “ficou parecendo um pé de jabuticaba”. Além da empresária, moram na casa seus dois filhos, de 16 e 8 anos, dois cachorros e dois gatos.

‘Sobe rápido, desce rápido’
O nível da água, segundo Marina, “sobe e desce muito rápido”. A situação obriga os moradores a ficarem atentos para não perderem seus bens na enxurrada.
“Do mesmo jeito que sobe muito rápido, também desce. Você vê as coisas indo, você já tem que começar a catar todas as coisas, o que você puder. A gente ergue o que é mais caro, o que a gente consegue erguer”, conta.
Além dos danos em itens dentro da casa, a moradora teve prejuízo com seu portão, que ficou amassado após um caminhão passar pela rua alagada e aumentar a pressão da água. “Acabou que, por causa do pessoal que não respeita a barragem que o pessoal faz ali, na hora que o caminhão passou, entortou todo meu portão”, conta.

Para a moradora, a sensação é de impotência. “Eu não consigo fazer nada. Não consigo fazer uma obra, nada. Eu já tentei fazer calçada ali na frente, não consegui. Então, quando a água vem, ela acaba levando tudo”, lamenta.
O Jornal Midiamax acionou a Prefeitura sobre o constante alagamento da região e questionou se pretende realizar reparos no local. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto.
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(Revisão: Nichole Munaro)








