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Cotidiano

Manifestação pede justiça pela morte de João Guilherme após saga em UPAs de Campo Grande

Em silêncio, familiares e amigos do menino reuniram-se no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho
Murilo Medeiros, Aline Machado -
Em protesto, Regiani Jorge pede justiça pelo filho, João Guilherme. (Leonardo de França, Jornal Midiamax)

O silêncio da manifestação de familiares e amigos de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, não significa tranquilidade. Eles acreditam que o pequeno morreu por negligência após uma saga em Upas (Unidades de Pronto Atendimento) de . “Sem justiça não há paz”, estampa um dos cartazes.

Cerca de 20 pessoas se reuniram no cruzamento da Av. Afonso Pena com a Rua 14 de Julho, na manhã deste sábado (25), vestindo camisetas com o rosto de João e carregando faixas e cartazes com as frases: “Teve a vida interrompida por descaso”, “João Guilherme merece justiça, não esquecimento”, e “Quem vai responder?”.

No dia 2 de abril, João Guilherme caiu ao jogar futebol. Cinco dias depois, ele morreu após sete passagens por unidades de saúde da Capital. Numa delas, a médica teria dito que a dor no peito era só ansiedade, ao liberar o menino. Certidão de óbito indica como causa da morte insuficiência respiratória, infecção generalizada e artrite. Laudo aponta falha na entubação da criança, realizada na UPA Universitário.

Em completo silêncio, os manifestantes esperam o semáforo ficar vermelho, apresentam os cartazes aos motoristas e saem no sinal verde. O objetivo do protesto é não deixar que o caso fique esquecido. “Sei que nada disso vai trazer meu filho de volta, mas eu vou lutar para que haja justiça”, explica a mãe, Regiani Jorge.

Prontuário

Na quinta-feira (23), duas semanas após a morte, a família do menino João Guilherme Jorge Pires participou de uma reunião a portas fechadas no MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Participaram do encontro mãe, tia e irmã da criança, além do presidente da Avem-MS (Associação das Vítimas de Erros Médicos).

Já Valdemar Moraes de Souza, presidente da Avem-MS, afirmou que irá judicializar o pedido de prontuário médico da criança junto à Santa Casa e à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) nos próximos dias. Ele também participou da manifestação neste sábado (25).

Idas e vindas

João Guilherme tinha 9 anos. (Reprodução)

De acordo com o boletim de ocorrência, o menino caiu no dia 2 de abril e foi levado para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Tiradentes, onde passou por consulta, fez um raio-x e foi liberado com uma receita para dipirona e ibuprofeno.

No dia seguinte, a mãe notou que João não estava bem e levou o filho para a UPA do bairro Universitário, onde passou por consulta novamente e foi liberado com receita para a mesma medicação de quinta-feira (2).

Já no sábado (4), o menino foi levado novamente para a UPA do Universitário, passou por consulta e recebeu uma injeção. Naquele dia, a mãe contou que o filho estava com bastante dor no peito; a médica que o atendeu teria dito que seria apenas ansiedade e liberou a criança.

A mãe retornou à UPA na tarde de domingo (5), ocasião em que João ficou em observação e foi submetido a outro raio-x. O exame teria apontado que o joelho esquerdo do menino estava com uma lesão, e ele foi liberado para que, na segunda-feira (6), fizesse a tala na Santa Casa.

Assim, a mãe levou a criança para o hospital na segunda (6), onde foi feita a tala na perna esquerda e João foi liberado outra vez. No mesmo dia, ele passou mal e desmaiou, momento em que a mãe percebeu que o filho estava roxo, principalmente nas pernas.

A situação ficou preocupante, e a família levou o menino para a UPA do Universitário, onde ele chegou desacordado. Os funcionários da unidade teriam dito que não havia médico na UPA, mas colocaram João em uma maca e começaram a reanimá-lo.

Na ocasião, a equipe teria colocado oxigênio, entubado o menino e o encaminhado para a Santa Casa. No hospital, ele foi reanimado novamente e não resistiu.

No documento de encaminhamento da Santa Casa, consta que o menino deu entrada no hospital à 0h18 de terça-feira (7), e o óbito foi constatado na mesma madrugada, à 1h05.

Na quarta-feira (8), a família de João Guilherme disse ao Jornal Midiamax que o menino foi vítima de negligência. “No laudo da Santa Casa, eles disseram que foi uma entubação errada […] Foi negligência, uma criança de 9 anos e saudável, com toda a vida pela frente, por um erro médico, acabou perdendo a vida”, falou a tia Adriana Soares.

Polícia Civil investiga

A morte do menino João Guilherme Jorge Pires é investigada na Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), em Campo Grande.

O caso, que foi denunciado, é investigado pela PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul), pela Depca.

Não foram divulgados detalhes da investigação inicial — a delegada responsável pelo caso irá se manifestar somente após a conclusão do inquérito.

Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente. (Foto: Polícia Civil)

O que dizem a Sesau e a Santa Casa?

“A Secretaria Municipal de Saúde informa que o caso está sendo investigado. Em cumprimento à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e ao princípio constitucional da inviolabilidade da intimidade e do sigilo das informações de saúde, a secretaria não fornece dados ou esclarecimentos sobre atendimentos individuais de pacientes à imprensa ou a terceiros, mesmo que de forma indireta. A pasta esclarece ainda que as informações estão sendo devidamente apuradas, com base em levantamentos de prontuários e registros médicos. Ressalta também que todas as responsabilidades serão rigorosamente verificadas e, caso sejam identificados eventuais desvios de conduta, as medidas cabíveis serão adotadas”.

A reportagem também acionou a Santa Casa de Campo Grande acerca dos atendimentos, e o hospital lamentou a morte do menino. No entanto, negou-se a divulgar informações específicas sobre pacientes, alegando respeito à LGPD e às normas de sigilo médico.

A Santa Casa de Campo Grande lamenta o ocorrido e se solidariza com a dor da família. Entretanto, informamos que, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e às normas de sigilo médico, não é possível divulgar informações específicas sobre pacientes, prontuários ou circunstâncias clínicas relacionadas ao caso.”

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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