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Cotidiano

Mesmo sob chuvas frequentes, Sisep espera recuperar asfalto de Campo Grande até o fim do ano

Secretário André Brandão explica que as equipes precisam de 50 dias efetivos de trabalho
Gustavo Henn -
Após trégua das chuvas, 6 bairros passam por tapa-buracos nesta segunda-feira 
Operação tapa-buracos em Campo Grande. (Foto: Divulgação, Sisep)

O asfalto das ruas de deve ser recuperado até o fim de 2026, segundo o secretário André Brandão, da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos). Em entrevista ao Jornal Midiamax, o titular da pasta afirmou que, durante os quatro meses de sua gestão, foram tapados cerca de 80 mil buracos, o equivalente a 130 mil m².

“Desses quatro meses, nós tivemos cerca de 80 dias de estiagem, em que pudemos operacionalizar a ação de tapa-buracos. Nesses dias produtivos, precisamos também da contribuição do tempo, do clima”, explica.

As condições meteorológicas são fundamentais para que os serviços possam ser realizados. Além da ação não poder ser executada em dias chuvosos, o alto volume de precipitação pode comprometer o asfalto. Nos primeiros 15 dias de outubro, Campo Grande registrou acumulado de chuva de mais de 270 milímetros, superior à média histórica do mês inteiro, de 150,6 mm.

“Nós estamos dependendo do clima, ainda não tivemos uma pausa nas chuvas no ano de 2026. É um ano totalmente atípico, por conta do ‘Super El Niño’, toda uma situação climática, uma variação climática. Então, nós não tivemos período de estiagem”, afirma André Brandão.

‘Regularização em 50 dias’

No dia 18 de setembro, a Prefeitura anunciou que pretendia acabar com os buracos da cidade em até 60 dias. Segundo o secretário, porém, a previsão não segue apenas o tempo cronológico, que naturalmente seria o dia 18 de novembro. Isso porque nem todos os dias são produtivos, devido às condições climáticas.

“No mês de setembro, nós tivemos 15 dias produtivos de tapa-buraco. Então, precisamos de pelo menos uns 50 dias produtivos para que nós tenhamos a regularidade do serviço em Campo Grande”, explica o secretário. A regularidade, segundo André Brandão, é que o cidadão campo-grandense possa “sair da residência dele, trafegar pelas vias de Campo Grande e não ter inconvenientes ou prejuízos”.

Secretário da Sisep, André Brandão. (Foto: Pietra Dorneles/Jornal Midiamax)

Com cerca de 75 dias até o fim de 2026, a previsão real para esse cenário passa a ser o término do ano. “Eu preciso de 50 dias de trabalho nesse último trimestre do ano para que nós possamos regularizar […] Eu estimo que, até o fim do ano, tendo uma pausa nas chuvas, nós vamos virar o ano aí numa realidade totalmente diferente do que nós estamos hoje”, explica.

Com a assinatura da ordem de serviço em meados de setembro, a Prefeitura expandiu suas equipes para 12 frentes de trabalho. Em junho, a Sisep contava com apenas duas equipes para as ações de tapa-buracos. Com o aumento, a expectativa é de recuperar até 3 mil buracos por dia. “Nós saímos de 400 buracos que eram tapados por dia no mês de junho para cerca de 2 mil buracos tapados por dia em setembro”, explica o secretário. Considerando 50 dias de trabalho, é possível que até 150 mil buracos sejam cobertos até o fim do ano.

Buraco reabre com a chuva?

Buraco recuperado em Campo Grande. (Foto: Pietra Dorneles/Jornal Midiamax)

A frequente ocorrência de chuvas, além de atrasar o cronograma das ações de tapa-buracos, pode aumentar o trabalho. O secretário da Sisep explica, porém, que um mesmo buraco dificilmente volta a abrir após ser recuperado.

“O que acontece é que um buraco, depois de tratado e de feitos todos os serviços de recuperação, pela base [do asfalto] estar comprometida, pode abrir um buraco próximo. Isso com a frequência de chuvas, o trânsito de veículos”, afirma.

André Brandão garante que, por questões contratuais, caso um buraco recuperado volte a abrir em pouco tempo, a empresa responsável é acionada pela fiscalização para corrigir o problema.

“Pode acontecer que naquele trecho que foi recuperado, por uma situação de comprometimento da base asfáltica, de fissura, ou de qualquer tipo de infiltração, abra um buraco próximo daquele que foi tapado, e a gente vai ter que depois, novamente, voltar com a tratativa do tapa-buracos.”

O asfalto da Capital, segundo o secretário, está com mais do dobro do tempo ideal de vida útil, o que aumenta a ocorrência de buracos. “Nós estamos tratando de uma malha asfáltica de 20, 30 anos na sua grande maioria. É importante frisar que a garantia do asfalto é de 10 anos. Então, nós temos asfaltos que estão comprometidos dentro de Campo Grande”, completa.

Planejamento

Planejamento da Sisep. (Foto: Pietra Dorneles/Jornal Midiamax)

A Sisep possui, segundo o secretário, um levantamento técnico sobre os principais pontos da cidade com incidência de buracos nas vias. No entanto, o cronograma não é estático e depende também das emergências causadas pelas chuvas.

André Brandão ainda explica que a estratégia é atender aos bairros com serviços completos, o que pode levar tempo. “A operação, embora seja mecânica, boa parte dela é manual também. Então, o trabalho do tapa-buracos é moroso; não é uma coisa que acontece rapidamente […] é uma ação em que, às vezes, a gente fica ali duas semanas, três semanas para poder fechar um bairro. Só que, quando você fecha, você atinge a satisfação daquele bairro.”

Entre as vias com atendimentos fixos, estão a Avenida Ernesto Geisel, Gury Marques, Mascarenhas de Moraes, Cônsul Assaf Prado, além da região central, que possui duas equipes exclusivas para reparos. “A região central, toda a população visita. Então estamos com duas equipes fixas para poder ter essa regularidade. Nas vias arteriais, nós temos mais duas frentes de trabalho, com uma pequena frente, que apelidamos de ‘flash’, para poder fazer reparos pontuais.”

Além dos serviços de tapa-buracos, a Sisep pretende iniciar, ainda em 2026, obras de recapeamento de vias da cidade. “A gente vai começar uma tratativa junto com a prefeita Adriane Lopes para que a gente possa, dentro da disponibilidade de recursos que nós temos, definir quais ruas terão as primeiras intervenções. Isso é para agora, até o fim do ano, a gente iniciar algumas ações nessa linha”, explica.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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