Mais de 5 mil registros fotográficos de animais silvestres já foram catalogados em um trabalho de monitoramento na terra indígena Kadiwéu, em Porto Murtinho (MS). As imagens fazem parte de um conjunto superior a 21 mil fotos captadas desde outubro de 2025, revelando a intensa circulação de fauna em uma área de 538 mil hectares.
O levantamento é feito com 20 armadilhas fotográficas, instaladas em diferentes pontos do território e deslocadas a cada dois meses entre as aldeias. A estratégia busca ampliar o alcance do monitoramento, que já passou por regiões como Alves de Barros, Campina e Tomázia.
A escolha dos locais de instalação das câmeras é feita pelos próprios brigadistas indígenas da Abink (Associação de Brigadistas da Reserva Indígena Kadiwéu), com base no conhecimento tradicional. Trilhas, pegadas, áreas próximas à água e locais de circulação frequente dos animais orientam o posicionamento dos equipamentos.
“Nós conhecemos onde os animais passam, onde tem água, onde eles deixam sinal. A gente vai olhando pegadas, trilha batida, onde o bicho circula mais, principalmente perto das aguadas. Foi assim que escolhemos os pontos para instalar as câmeras”, explica o brigadista Laercio Ramos, da Brigada Kadiwéu 3, da Aldeia Tomázia.

Anta é animal mais registrado
Entre as espécies registradas, a anta aparece como o animal mais frequente nas imagens. Segundo o coordenador do projeto, o veterinário e pesquisador Diego Viana, esse padrão chama atenção. “O número de antas registradas é maior até do que espécies mais comuns, como cotia ou lobinho. Isso é impressionante e mostra a importância do território na proteção de espécies ameaçadas”, afirma.
Além das antas, o monitoramento identificou catetos e queixadas, espécies importantes para a regeneração ambiental por atuarem na dispersão de sementes, especialmente em áreas atingidas por incêndios.





A terra indígena Kadiwéu enfrenta histórico recente de grandes queimadas. Em 2024, mais de 360 mil hectares foram devastados pelo fogo, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Nesse cenário, a presença e a movimentação da fauna são indicativos importantes de recuperação ambiental.
Para a brigadista Eneiza Rodrigues, da Aldeia Tomázia, as imagens mudaram a percepção sobre a biodiversidade local. “O que mais me surpreendeu foi ver a quantidade de animais silvestres. Eu sabia que tinha, mas não tanto assim. Saber que aqui ainda existe essa riqueza, enquanto em outros lugares eles estão quase desaparecendo, dá um sentimento de responsabilidade maior. Isso motiva a gente a proteger ainda mais a nossa terra”, relata.
Ela também comenta a frequência das antas e a ausência de um animal esperado. “Nossos anciãos falavam que tinha muito lobo-guará. Aqui na Tomázia ainda não apareceu, mas sabemos que ele existe no território.”
Os registros também despertam curiosidade entre os brigadistas. “Tenho curiosidade de saber se o tatu-canastra vive aqui. Muita gente já falou dele, mas eu nunca vi”, diz Silvio Xavier, da brigada Kadiwéu 1, na Aldeia Alves de Barros.
Educação ambiental
Os dados coletados serão organizados em uma cartilha educativa bilíngue, em português e na língua Kadiwéu, voltada para escolas das aldeias. A iniciativa busca fortalecer a cultura local e aproximar as novas gerações da biodiversidade do território.
O monitoramento segue até 2028 e deve avançar para áreas mais baixas, próximas ao Pantanal, onde há relatos da presença de onça-pintada. Até agora, as câmeras já registraram onça-parda, cervo-do-pantanal, lobo-guará, tamanduá-bandeira, jaguatirica, veado-mateiro e diversas aves.
Os dados são armazenados na plataforma global Wildlife Insights, que reúne e compartilha informações de câmeras-trap em todo o mundo. O projeto Vidas e Vozes Kadiwéu é realizado pelo Instituto Terra Brasilis, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, com foco em conservação ambiental, educação e fortalecimento das comunidades indígenas.





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(Revisão: Dáfini Lisboa)







