Mato Grosso do Sul registrou 1.042 casos prováveis de chikungunya apenas na última semana, e Dourados confirmou a sétima morte causada pelo vírus na cidade, nesta terça-feira (14). Assim, o número de óbitos no Estado sobe para 11, e o total de casos prováveis chega a 5.256, segundo dados do Ministério da Saúde.
A 11ª vítima de chikungunya neste ano em Mato Grosso do Sul foi um homem indígena de 77 anos, que teve os primeiros sintomas em 10 de fevereiro e morreu no dia 14 de março. Ele tinha diagnóstico de câncer, o que pode agravar o quadro de saúde. A confirmação da causa da morte foi divulgada apenas nesta terça-feira (14), após resultado de exames do Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública).
Entre as outras vítimas, seis são indígenas de Dourados, duas eram moradoras de Jardim, e as outras viviam em Bonito e Fátima do Sul. Outros cinco óbitos são investigados pela SES-MS (Secretaria Estadual de Saúde), incluindo três pessoas de Dourados — epicentro da epidemia.
MS concentra 61% das mortes
Mato Grosso do Sul ainda lidera todos os números relacionados à chikungunya, em comparação com os outros estados do país.
Com 179,7 casos por 100 mil habitantes, a incidência no Estado é 14 vezes maior que a média nacional, de 12,7. O Estado lidera o ranking de incidência desde o início do ano, seguido de Goiás (101,9), Rondônia (33,9), Minas Gerais (33,4), Mato Grosso (19,2), Tocantins (17,7) e Rio Grande do Norte (12,7).
Em todo o Brasil, são 18 mortes confirmadas e 11 apenas em Mato Grosso do Sul — ou seja, 61% das mortes estão concentradas no Estado.
Além disso, o Brasil tem 27.124 casos prováveis de chikungunya, sendo 5.256 delas no Estado. Assim, Mato Grosso do Sul representa 19,37% do total nacional de casos prováveis.
Outras dez mortes confirmadas
Além da morte de um homem indígena de 77 anos em Dourados, registrada nesta terça-feira (14), o Estado acumula mais dez óbitos pela doença.
No dia 4 de abril, um homem de 94 anos morreu de chikungunya em Jardim. Ele tinha comorbidades, como pressão alta, câncer e diabetes. A morte de uma mulher de 82 anos já havia sido confirmada por chikungunya no mesmo município, no dia 23 de março.
Além disso, um homem de 82 anos morreu em Fátima do Sul na última quarta-feira (8), com chikungunya, diabetes e pressão alta. Outro óbito foi registrado em Bonito: um homem de 72 anos, que morreu em 19 de março.
Em Dourados, foram seis vítimas indígenas — duas mulheres, de 69 anos (25 de fevereiro) e 60 anos (12 de março); dois homens, de 73 anos (4 de fevereiro) e 55 anos (3 de abril); e dois bebês, ambos meninos, de um mês (19 de março) e três meses (6 de março).
O principal grupo de risco para chikungunya são pessoas em extremos de idade (idosos e bebês), principalmente com comorbidades.
Cinco mortes suspeitas em MS
Além das 11 mortes confirmadas, há mais cinco mortes em investigação em Mato Grosso do Sul.
Na primeira sexta-feira de abril (3), morreu um menino indígena de 12 anos. E, na terça-feira passada (7), houve o registro da primeira suspeita de morte pela doença fora da reserva indígena — uma menina de apenas 10 anos. Já na segunda-feira (13), morreu um homem de 63 anos, com chikungunya, câncer e diabetes, também fora da área indígena, conforme a prefeitura da cidade.
A SES-MS (Secretaria Estadual de Saúde de MS) não divulgou informações sobre as outras duas mortes suspeitas. A pasta apenas disponibiliza dados como sexo da vítima, possíveis comorbidades e onde o óbito foi registrado após confirmação laboratorial.
Os exames são coletados no município de residência do paciente e enviados para análise no Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública), em Campo Grande. Não há prazo para divulgação de resultados. Conforme dados da SES-MS, 50,9% dos casos prováveis em MS ainda aguardam a conclusão laboratorial.
O idoso de 77 anos com morte confirmada nesta terça-feira não havia sido incluído na lista de óbitos suspeitos, porque a causa de morte identificada inicialmente foi câncer. Confira a nota da Prefeitura de Dourados:
“Porque ele estava em tratamento de câncer, mas foi internado com sintomas de Chikungunya. Quando morreu, registraram o óbito como CA [câncer]. Mas foi encaminhado material sorológico para o Laboratório Central, que confirmou a Chikungunya“.
O que é a chikungunya

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.
Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.
Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.
Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Como me proteger?

Confira dicas práticas de prevenção, segundo o Ministério da Saúde:
- Mantenha em dia a manutenção das piscinas;
- Estique ao máximo as lonas usadas para cobrir objetos e evitar a formação de poças d’água;
- Guarde garrafas, potes e vasos de cabeça para baixo;
- Descarte garrafas PET e outras embalagens sem uso;
- Coloque areia nos pratos de vasos de planta;
- Guarde pneus em locais cobertos ou descarte-os em borracharias;
- Amarre bem os sacos de lixo;
- Mantenha a caixa d’água, os tonéis e outros reservatórios de água limpos e bem fechados;
- Não acumule sucata e entulho;
- Limpe bem as calhas de casa e as lajes;
- Instale telas nos ralos e mantenha-os sempre limpos;
- Limpe e seque as bandejas de ar-condicionado e geladeira;
- Elimine a água acumulada nos reservatórios dos purificadores de água e das geladeiras.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






