Uma moradora da Esplanada Ferroviária, em Campo Grande, escapou por pouco de ser atingida por uma árvore durante o temporal que afetou a Capital na quinta-feira (10). Clarice Neves, que vive na região há 13 anos, estava chegando em casa quando percebeu que o pinheiro começava a tombar e precisou ficar dentro do carro até os ventos diminuírem.
O temporal foi acompanhado de ventos que ultrapassaram 85 km/h e mais de 5 mil raios, provocando quedas de energia e estragos em diferentes pontos de Campo Grande.

Na Esplanada Ferroviária, uma das regiões mais afetadas pelo temporal, a força dos ventos atingiu imóveis históricos e estruturas da região. Na Avenida Calógeras, no trecho da Esplanada, a via ficou interditada após o telhado ser arrancado e parar sobre a rua, atingindo postes de energia e parte da área do IHG-MS (Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul). O muro do instituto também foi parcialmente derrubado pelos ventos e pelos escombros.
Já na Rua Dr. Temístocles, um pinheiro de grande porte caiu sobre dois imóveis. Um deles é utilizado pelo movimento de pessoas trans e o outro pertence à RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.).
Imagens aéreas registradas após o temporal mostram a dimensão dos estragos. Parte das telhas da antiga estação foi arrancada, enquanto estruturas metálicas e tapumes de uma obra na Avenida Mato Grosso ficaram danificados. Dentro da Esplanada, vigas de madeira e outros materiais também ficaram espalhados após serem destruídos pelos ventos.
Moradora viu árvore cair

Clarice Neves estava voltando de uma consulta médica quando chegou à região e percebeu que a árvore poderia cair. Moradora da Esplanada há 13 anos, ela estava em um carro com um amigo, em frente de casa, quando percebeu que a árvore começava a tombar.
“Eu olhei para a árvore e falei para o meu amigo: eu tenho muito medo dessa árvore. Vamos chegar o carro mais para trás. Na hora que ele estava virando o carro, eu falei: ‘Essa árvore está caindo’. Ele falou: ‘Será?’. Eu falei: ‘Está, viu, essa árvore está caindo’.”
A árvore caiu para o lado contrário de onde os dois estavam. Depois, eles tentaram buscar abrigo em um posto próximo, mas desistiram diante da força dos ventos e permaneceram dentro do carro, até que a chuva e os ventos diminuíssem.
“A cobertura do posto levantava e voltava, levantava e voltava. Aí ele falou: ‘Não, no posto não podemos ficar de jeito nenhum’.”
Mais de 15 horas sem energia

Depois do temporal, Clarice voltou para casa, mas passou a noite sem energia elétrica. Na manhã desta sexta-feira (11), ela ainda aguardava o restabelecimento do serviço.
“Ficamos sem luz a noite toda e ainda estamos sem luz. Ainda não tem nem celular, nada nessas casas, [a energia] acabou por volta das 17h30 de ontem.”
Além dos danos na Esplanada, Clarice contou que a casa do filho, na região da Rua 13 de Maio, também foi atingida. Segundo ela, o imóvel foi destelhado e ficou alagado. Sem energia, o filho, a esposa e as crianças passaram a noite na casa dela.
“A casa do meu filho está toda destruída, tudo alagado. Meu filho, a esposa dele e as crianças estão todos aqui em casa.”
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








