Mato Grosso do Sul enfrentou um cenário de chuvas irregulares durante o mês de julho de 2026. O sul do Estado concentrou os maiores acumulados, enquanto o norte, o oeste e o Pantanal enfrentaram um mês mais seco, com chuvas abaixo do esperado para o período. Esse cenário de irregularidade, inclusive, deve persistir durante os próximos meses, e a previsão indica El Niño forte para o 2º semestre de 2026.
A distribuição de chuva ocorreu de forma bastante desigual, conforme mostram as tabelas divulgadas nesta quarta-feira (5) pelo Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima). No extremo sul, foram registrados acumulados entre 90 e 120 mm, enquanto nas regiões leste e sudeste, os acumulados variaram entre 40 e 90 mm.
Já as regiões que enfrentaram maior estiagem foram o norte, o noroeste, o oeste e boa parte do Pantanal, onde foram registrados volumes entre 0 e 20 mm e, de forma pontual, de até 40 mm. Os dados também chamam a atenção para um ponto isolado na região central, que ficou entre os maiores acumulados, com registros entre 100 e 120 mm.
Campo Grande liderou os municípios com os maiores acumulados de chuva no mês (+282%), seguido por Nhumirim/Nhecolândia (+245%), Mundo Novo (+123%) e Itaquiraí (+107%). Em contrapartida, os municípios localizados nas regiões norte, nordeste e Pantanal registraram volumes muito abaixo da média histórica.
Em um panorama geral, a chuva acumulada em julho ficou 17% acima da precipitação média histórica, calculada com base nos dados climatológicos da estação meteorológica do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) localizada em Campo Grande.
Julho foi marcado por registros climáticos extremos
Embora o Estado tenha registrado chuvas intensas em algumas localidades, ocorreram episódios pontuais de calor intenso e baixa umidade. O mês foi marcado por registros climáticos extremos, conforme os dados obtidos a partir das estações meteorológicas automáticas do Inmet e da rede estadual da Semadesc-MS (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
Durante o período, o Estado apresentou elevada variabilidade térmica, com registros extremos variando entre 0,4°C e 38,3°C, sendo que o município de Corumbá, localizado na região do Pantanal, liderou o ranking das cidades mais quentes do mês (38,3°C), enquanto Iguatemi, localizado no extremo sul, registrou a temperatura mais fria (0,4°C).
Já a Capital registrou temperatura mínima 2,6ºC acima da média histórica e temperatura máxima 1,5ºC acima da média.
Extremos registrados:
- Maior temperatura: 38,3°C (Corumbá);
- Menor temperatura: 0,4°C (Iguatemi);
- Umidade relativa mínima: 12% (Amambai);
- Rajada máxima de vento: 88,2 km/h (Caracol – Fazenda Ouro e Prata).
Previsões para o próximo trimestre
Mato Grosso do Sul deve registrar chuvas ligeiramente acima da média histórica durante o próximo trimestre (agosto a outubro). No entanto, a previsão indica que a distribuição deve seguir de forma irregular.
A precipitação varia entre 200 e 300 mm na maior parte do Estado, enquanto o extremo sul deve registrar valores entre 300 e 400 mm. Em contrapartida, nas regiões nordeste, extremo norte e noroeste, as chuvas variam entre 150 e 200 mm.
Em relação às temperaturas, predomina a tendência de calor acima da média, conforme as estimativas:
- Região extremo sul: entre 18ºC e 20°C;
- Regiões noroeste e nordeste: entre 24ºC e 26°C;
- Restante do Estado: entre 20ºC e 24°C.
Previsão do El Niño para o segundo semestre de 2026
Entre agosto e outubro, há cerca de 90% de chance de o El Niño permanecer forte ou muito forte, sendo aproximadamente 42% de probabilidade de intensidade forte e 48% de muito forte;
Entre setembro e dezembro, a previsão indica que o fenômeno continuará forte a muito forte, com a categoria muito forte podendo atingir até 81% de probabilidade.
Essas condições tendem a causar temperaturas acima da média, ondas de calor mais frequentes e efeitos mais intensos durante a primavera e o início do verão.
O Cemtec ressalta que a intensificação e os impactos do El Niño para Mato Grosso do Sul dependem de uma série de fatores climatológicos. Dessa forma, ressalta-se a necessidade de acompanhar as previsões diárias.
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(Revisão: Nichole Munaro)







