Paternidade socioafetiva: mutirão oficializa vínculo de pai e filha construído ao longo de 11 anos Pular para o conteúdo
Cotidiano

Paternidade socioafetiva: mutirão oficializa vínculo de pai e filha construído ao longo de 11 anos

Em MS, mais de 3 mil crianças foram registradas somente com o nome da mãe nos últimos 12 meses
Lethycia Anjos, Keyla Santos -
Mutirão Meu pai tem nome
Edmilson e Gabriela, pai e filha. (Mateus Andrade, Midiamax)

O mutirão de reconhecimento de paternidade realizado pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul proporcionou a Gabriela Amadlin Valentim, de 28 anos, e a Edmilson Robertado, de 54, a oportunidade de oficializar um vínculo construído ao longo de mais de uma década. Neste sábado (1º), eles formalizaram o reconhecimento da paternidade socioafetiva e passaram a ser, também no papel, pai e filha.

A iniciativa integra o mutirão “Meu Pai Tem Nome”, promovido simultaneamente em Campo Grande e em outras cidades do Estado. A ação busca garantir o reconhecimento de paternidade, maternidade e vínculos socioafetivos, além de oferecer orientação jurídica gratuita à população.

Em Mato Grosso do Sul, mais de 3 mil crianças foram registradas somente com o nome da mãe nos últimos 12 meses, valor que corresponde a 18% do total de registros de nascimentos.

‘Oficializar um vínculo que sempre existiu’

Segundo Gabriela, a oficialização era um desejo que amadureceu naturalmente com o passar dos anos.

“Eu sempre brincava com ele, perguntando: ‘Você não vai me registrar nunca? Você é meu pai’. Era uma brincadeira, mas, com o tempo, nós conversamos e percebemos que realmente fazia sentido oficializar.”

Mutirão Meu pai tem nome
Mutirão ‘Meu Pai Tem Nome’. (Mateus Andrade, Midiamax)

Ela destaca que a relação entre os dois sempre existiu, independentemente da documentação. “Mais do que um registro, nós já temos uma convivência de pai e filha. O papel é importante, mas o principal é o amor e a relação que construímos ao longo desses anos.”

Casado há 11 anos com a mãe de Gabriela, Edmilson conta que a decisão foi construída em família e que aproveitou o mutirão para incluir seu nome na certidão de nascimento da enteada, que não possui o registro do pai biológico.

“Tenho um relacionamento com a mãe dela e somos casados há 11 anos. Ao longo desse tempo, construímos uma relação de pai e filha. Antes de tomar essa decisão, conversei com a mãe dela e, durante cerca de cinco anos, fomos amadurecendo essa ideia até entendermos que era o momento certo.”

Assim como Gabriela, ele afirma que o registro apenas formaliza um vínculo que já existia.

“O registro traz segurança e é uma documentação importante, mas não é o mais importante. O mais valioso é todo o relacionamento que construímos durante esse tempo. Essa foi uma decisão tomada por nós dois, e hoje estamos concretizando esse reconhecimento.”

A paternidade socioafetiva é o reconhecimento legal de um vínculo entre pai e filho baseado no amor, no cuidado e na convivência diária, ou seja, sem a necessidade de ligação de sangue. Ela garante os mesmos direitos e deveres de uma relação de pai e filho comum, como herança e pensão alimentícia.

Ação amplia acesso ao reconhecimento da filiação

Mutirão Meu pai tem nome
Marcelo Marinho, coordenador do mutirão. (Mateus Andrade, Midiamax)

Coordenador da iniciativa em Mato Grosso do Sul, Marcelo Marinho explica que o mutirão “Meu Pai Tem Nome” é uma mobilização nacional da Defensoria Pública voltada à garantia do direito à filiação, seja ela biológica ou socioafetiva.

“O principal objetivo é reduzir o grande número de crianças registradas sem o nome do pai. Esse movimento busca alertar a população sobre esse índice e também chamar a atenção de mães, pais e dos próprios filhos que desejam o reconhecimento da paternidade ou da maternidade.”

Além do reconhecimento de filiação, o mutirão oferece diversos atendimentos relacionados ao Direito de Família.

“Também prestamos todos os serviços relacionados às ações de família e à paternidade responsável. Fazemos investigação de paternidade, pedidos de alimentos, pensão alimentícia, guarda e regulamentação do direito de convivência. É direito e dever dos pais conviver com os filhos e participar da educação e da criação deles.”

Segundo Marinho, a procura pelos serviços foi intensa desde o início dos atendimentos. “Além do atendimento presencial, oferecemos atendimento virtual para todo o Estado. A previsão é concluir a ação até o meio-dia, mas, se ainda houver pessoas aguardando atendimento, principalmente no formato virtual, vamos continuar até finalizar toda a demanda.”

Onde ser atendido?

Em Campo Grande, os atendimentos são realizados na Unidade Belmar, localizada na Rua Arthur Jorge, 779, no Centro. A ação também ocorre presencialmente nas unidades da Defensoria Pública em Dourados e Três Lagoas. Nos demais municípios do interior, os atendimentos são realizados de forma remota.

Os serviços são destinados às pessoas que realizaram inscrição prévia, conforme as orientações da Defensoria Pública.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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