O projeto Periferia Viva, desenvolvido no bairro Novo Samambaia, em Campo Grande, pretende promover uma transformação que vai além das obras de infraestrutura previstas para a região. A iniciativa reúne a Agehab (Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul) e a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) em ações voltadas à melhoria da qualidade de vida, inclusão social, qualificação profissional e fortalecimento da participação dos moradores.
Atualmente, 463 famílias estão cadastradas como público diretamente contemplado pelo Projeto de Trabalho Social. A meta é cumprir 100% da programação prevista, buscando a participação de aproximadamente 80% das famílias beneficiárias nas atividades ao longo dos dois anos de execução.
Enquanto a Agehab atua como agente executor estadual do Periferia Viva, responsável pelas ações relacionadas à habitação e pelo trabalho social, a UEMS participa como agente executor indireto, colocando equipes técnicas, docentes e acadêmicos no território.
A universidade ficará responsável por desenvolver ações de escuta e acompanhamento da comunidade. Entre as primeiras iniciativas, está a realização de um cadastro socioeconômico porta a porta, com levantamento de informações sobre renda, saúde, escolaridade e condições das moradias.
Segundo a UEMS, o objetivo é conhecer de perto a realidade das famílias antes de definir as ações a serem desenvolvidas.
“O trabalho começa pela escuta e pelo conhecimento da realidade local”, destaca a representante da universidade, Tatiana.
A proposta também inclui oficinas de capacitação profissional, ações de educação ambiental, saúde, cidadania, geração de oportunidades e desenvolvimento socioeconômico. A universidade pretende, ainda, ampliar a atuação do programa UEMS na Comunidade, com atividades permanentes no bairro.
Para a instituição, a presença dos acadêmicos no território também tem papel importante na formação profissional e cidadã dos estudantes, que passam a utilizar o conhecimento produzido na universidade diretamente para compreender e ajudar a enfrentar problemas da comunidade.
Infraestrutura aliada ao trabalho social
As ações sociais serão realizadas paralelamente às intervenções de infraestrutura previstas para o Novo Samambaia, incluindo drenagem e pavimentação asfáltica, além da previsão de implantação de uma praça na comunidade.
A proposta é evitar que as obras representem apenas uma transformação física no bairro. Conforme a UEMS, o trabalho social busca fazer com que os moradores participem do processo e se reconheçam como parte das mudanças realizadas no território.
Entre os objetivos, está também evitar um processo de gentrificação, fortalecendo o sentimento de pertencimento e mostrando aos moradores que as melhorias devem resultar em benefícios para a própria comunidade.
A expectativa das instituições é que a parceria aproxime as políticas públicas da população, amplie o acesso a serviços e oportunidades e fortaleça a organização comunitária.
Comunidade como protagonista
Além das visitas às famílias, os bolsistas e demais integrantes da equipe devem atuar na mobilização dos moradores para reuniões e atividades coletivas. A ideia é incentivar a criação de comissões de moradores e ampliar a participação da população nas decisões relacionadas ao território.
A UEMS avalia que essa atuação pode deixar um legado que ultrapasse o período de execução do projeto.
“Queremos contribuir para uma comunidade mais informada, participativa, organizada e fortalecida”, afirma Tatiana.
No médio e longo prazo, a expectativa é ampliar o acesso dos moradores à qualificação profissional, serviços, informações e oportunidades de inserção ou reinserção no mercado de trabalho. Também está entre os objetivos estimular o protagonismo dos moradores e a corresponsabilidade pela preservação e pelo desenvolvimento do bairro.
Novo Samambaia pode virar observatório social da UEMS
Uma das propostas apresentadas pela universidade é transformar o Novo Samambaia no primeiro observatório social da UEMS em Campo Grande.
A ideia é utilizar a presença permanente da universidade no território para aproximar o conhecimento científico das demandas da população, produzindo diagnósticos, acompanhando políticas públicas e contribuindo para a construção de soluções.
Diferentemente dos observatórios civis tradicionais, geralmente voltados à fiscalização de gastos públicos, a proposta da UEMS é integrar ensino, pesquisa e extensão, mantendo o acompanhamento das necessidades da comunidade.
A universidade pretende integrar essa atuação ao programa UEMS na Comunidade, fazendo com que a presença institucional no bairro continue mesmo após o encerramento das bolsas.
Com isso, o Periferia Viva busca deixar como resultado não apenas ruas pavimentadas, melhorias na drenagem e novos espaços públicos, mas também uma comunidade mais organizada, participativa e com maior acesso a direitos, serviços e oportunidades.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






