Uma aluna de medicina da Universidade Anhanguera-Uniderp, em Campo Grande, relata ter sido alvo de ofensas por colegas apoiadores do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). O caso ocorreu após o segundo turno das eleições, que definiu a reeleição de Lula (PT), em um grupo de WhatsApp da turma.
Conforme informado ao Jornal Midiamax, o canal de mensagens reúne cerca de 140 estudantes e, durante a apuração dos votos, passou a concentrar manifestações políticas contrárias ao atual presidente. A situação se agravou quando a vítima se manifestou e teria passado a ser constrangia por outros acadêmicos.
Com a mobilização dos colegas, a acadêmica destaca que deixou de ir à aula nesta quarta-feira (28) por segurança. “Deixei de ir à faculdade por medo do que poderiam falar ou fazer comigo após os acontecimentos. Estou no curso de Medicina e não considero aceitável sentir receio de frequentar as aulas por ter expressado minha opinião política”, ressalta.
Na conversa, é possível observar a movimentação de parte dos alunos para a criação de uma ‘lista para remoção’ do grupo. Enquanto uma pessoas cobrou uma manifestação dos ‘orgulhosos’, outra comentou que seriam ‘povo covarde que não assume’.
Ao longo das mensagens, surgem outras mensagens contra a presença de alunos que teriam votado no Lula: ‘Petista não passa aqui’. Na sequência, outra aluna ressalta que o grupo é privado e, por não ter vínculo com a universidade, não seria um canal oficial. ‘Quem quiser ir de printzinho fique a vontade. Quem fala o q quer, tem q ouvir o q não quer‘.
Campanha política na universidade
A vítima afirma ainda que as ocorrências envolvendo apoio aos candidatos à presidência tiveram início antes das eleições. Segundo relato, professores do curso de medicina faziam campanhas para o Flávio Bolsonaro dentro da própria instituição.
“Isso levanta questionamentos importantes sobre a postura de docentes dentro do ambiente universitário e sobre os limites entre suas opiniões pessoais e o eventual uso da autoridade acadêmica para manifestações político-partidárias”, comenta.
Perante às situações, a acadêmica registrou denúncia junto ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e à ouvidoria da faculdade.
O que diz a Anhanguera-Uniderp?
O Jornal Midiamax buscou a Universidade Anhanguera-Uniderp e solicitou um posicionamento sobre a situação. Não houve retorno até o momento da publicação, contudo, o espaço permanece aberto para manifestações futuras.
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