Prefeitura de Campo Grande deve pedir mais de R$ 5 milhões à Defesa Civil Nacional para recuperação da Esplanada Ferroviária, de escolas, do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) Estrela Dalva, da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Universitário e de casas atingidas pelo temporal de 10 de setembro.
“A priori, é uma liberação superior a R$ 5 milhões para atendimento nessa situação emergencial. Não quer dizer que o valor será liberado na totalidade”, explica o coordenador municipal de Defesa Civil, Enéas Netto, ao Jornal Midiamax. “Estamos fazendo levantamentos para subir os pedidos de reconhecimento de reconstrução”, completa.
Apenas a recuperação da Esplanada Ferroviária, já degradada e destelhada pelo vendaval, é orçada em mais de R$ 1,2 milhão. O pedido de recursos deve ser encaminhado à União nos próximos dias, segundo Enéas Netto. Enquanto isso, o local histórico segue interditado.
Cidades com reconhecimento federal de situação de emergência, como é o caso da Capital, podem solicitar recursos ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, por meio do S2iD (Sistema Integrado de Informações sobre Desastres). A Defesa Civil Nacional avalia metas e valores solicitados nos planos de trabalho e, se aprovar o planejamento, publica no DOU (Diário Oficial da União) o valor a ser liberado.
R$ 1,2 milhão já garantidos
Campo Grande já tem garantidos repasses de R$ 1,2 milhão da Defesa Civil nacional. A primeira parcela, de R$ 496.456,89, foi destinada à Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) para ações como limpeza e desobstrução de ruas, além de recolocação de postes de iluminação.
A segunda, de R$ 759.550,80, vai para a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) adquirir materiais para reconstrução de telhados de famílias vulneráveis. Famílias de comunidades como a Cidade dos Anjos e a Agrovila, além de moradoras da Vila Bordon, devem ser beneficiadas.
Além disso, a Prefeitura diz já ter enviado para análise da União outros pedidos, para aquisição de cestas básicas, colchões, kit de higiene pessoal, de limpeza e de dormitório.
Recuperação da Esplanada
No caso da Esplanada Ferroviária, Enéas Netto diz que os projetos de obras já foram elaborados. A Prefeitura aguarda documentos de responsabilidade técnica para completar o processo e encaminhar o pedido ao Governo Federal. “Acho que dentro dos próximos dias”, afirma o coordenador.
Antes do temporal, a reforma do espaço, tombado como patrimônio cultural e histórico, já tinha recursos em vias de liberação pelo Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano, segundo o representante da Defesa Civil. No entanto, os estragos provocados pelo vendaval aumentaram a necessidade de investimento.
“Aquele evento climático causou mais danos, ou seja, houve a evolução do cenário, caracterizando a necessidade de prover mais recursos”, diz Enéas Netto. Este trabalho é acompanhado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
Confira imagens da destruição na Esplanada:
Telhas para famílias atingidas
Após ter a situação de emergência reconhecida pela União, a Prefeitura de Campo Grande criou uma sala de crise para montar um plano de recuperação para os danos causados pelo vendaval, que teve rajadas de até 85 km/h. A estimativa é de que cerca de 200 famílias da Capital precisarão de apoio do Município.
Cerca de R$ 759 mil serão destinados à compra de telhas de fibrocimento, acompanhadas de cumeeiras e kits de fixação, segundo Enéas Netto. As famílias beneficiadas foram identificadas em levantamento da Agência Municipal de Habitação, em conjunto com a SAS.
Para efetivar a compra e distribuição dos materiais, o município precisa concluir os trâmites financeiros. Segundo o coordenador da Defesa Civil, o Banco do Brasil abrirá uma conta específica para movimentação dos recursos empenhados pelo Governo Federal.

Situação de emergência
O vendaval do dia 10 de setembro provocou mais de 450 ocorrências, entre quedas de árvores e postes, danos em imóveis e interrupções no fornecimento de energia elétrica. O Executivo decretou situação de emergência dois dias depois, e a medida segue em vigor até março de 2027.
A Prefeitura estima que os prejuízos fiquem entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões, envolvendo a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Universitário, mais de 20 escolas municipais, a Esplanada Ferroviária, a rede semafórica e a arborização. O município teria solicitado R$ 40 milhões, no total, à União.
Quase R$ 2 milhões para MS
Também em situação de emergência, Deodápolis, a 249 km de Campo Grande, deve receber R$ 741.293,46 para reparo de estragos de um temporal que atingiu a cidade em 16 de maio deste ano. O valor será utilizado para a recuperação do Hospital Municipal, que foi destelhado por vendaval.
Somadas, as duas cidades de Mato Grosso do Sul têm previsão de receber R$ 1.997.301,15 em recursos já aprovados e empenhados pela União para ações de Proteção e Defesa Civil relacionadas a temporais. Se todas as obras solicitadas por Campo Grande forem aprovadas, o valor saltará para mais de R$ 7 milhões.
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(Revisão: Nichole Munaro)



















