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Cotidiano

Prefeitura fiscaliza casas destinadas às famílias da antiga Favela do Mandela

A ação ocorre simultaneamente no José Tavares, Talismã, Oscar Salazar e Iguatemi I e II
Idaicy Solano, Karina Campos -
Residencial Iguatemi 2 está localizado no bairro Nova Lima. (Foto: Madu Livramento, Midiamax)

A Prefeitura de , por meio da Emha (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários), realiza, na tarde desta quarta-feira (8), um mutirão de fiscalização nas áreas destinadas ao reassentamento das famílias da antiga Comunidade Mandela.

A fiscalização tem o intuito de garantir que as moradias cumpram sua função social e permaneçam sob posse das famílias que necessitam de moradias populares. A ação ocorre simultaneamente no José Tavares, Talismã, Oscar Salazar e I e II.

Durante a ação, serão fiscalizados imóveis vazios, além de notificações aos mutuários inadimplentes. As equipes também realizam trabalho de orientação aos beneficiários em relação à proibição da comercialização ou de qualquer outra negociação envolvendo os imóveis cedidos pela Emha.

Famílias perderam tudo em incêndio

Considerado um dos maiores incêndios em comunidades da história de Campo Grande, o incidente aconteceu no dia 16 de novembro de 2023. Naquele fatídico dia, a intensa fumaça foi vista a distância por áreas vizinhas do bairro Izabel Garden. Várias viaturas do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e da GCM (Guarda Civil Metropolitana) cercaram o local diante do risco de propagação das chamas.

Moradores correram para salvar os poucos móveis: camas, geladeiras, botijões de gás e roupas, por exemplo, sendo deixados na calçada. Quem estava no trabalho pediu dispensa e foi para a comunidade.

O fogo teria começado no meio da comunidade e se alastrado para os barracos dos fundos. Cerca de 150 barracos foram destruídos pelo fogo, ao menos 60% da comunidade. Ao todo, a comunidade era composta por 181 famílias, cerca de 500 pessoas.

Moradores ficaram meses desabrigados

Desabrigados, os moradores chegaram a viver durante meses em tendas cedidas pelo Exército Brasileiro. Foi necessária uma onda de solidariedade, e os moradores receberam doações de entidades sociais, enquanto a concessionária Energisa disponibilizou luz, e a Prefeitura deu suprimentos.

Nesse período, na moradia improvisada, os moradores enfrentaram os extremos das condições climáticas: o calor e a chuva, a poeira e a umidade. Foram oito meses vivendo de maneira improvisada. Houve quem preferiu buscar abrigo na casa de familiares ou amigos, mas teve quem resistiu ali mesmo.

Bombeiros em meio a barracos destruídos. (Foto: Nathalia Alcântara, Jornal Midiamax)

A causa desconhecida do incêndio

O incêndio na comunidade do Mandela teve três principais suspeitas:

  • Curto-circuito foi a hipótese mais comum levantada pelo Corpo de Bombeiros e por moradores, diante dos problemas na fiação elétrica, frequentemente sobrecarregada em comunidades, além de ligações irregulares;
  • Ato intencional também foi cogitado na época, com o início das chamas causado por usuários de drogas.

O Corpo de Bombeiros utilizou mais de 40 mil litros de água no combate. O fogo se concentrou do meio para o final da comunidade. Logo, as equipes usaram a estratégia de confinar as chamas, atuando em duas frentes de combate para não deixá-las se espalharem para as outras moradias.

Moradias cedidas pela Emha

Conforme a Emha, todas as 181 famílias da antiga comunidade Mandela foram reassentadas em moradias definitivas, construídas e entregues em tempo recorde.

A construção das moradias começou em dezembro de 2023, com prioridade para as famílias atingidas pelo incêndio — e, de fato, 100 casas foram entregues. Contudo, a conclusão do processo de reassentamento aconteceu quase dois anos após a tragédia, com a entrega das últimas casas em 10 de março de 2025.

Logo, as famílias foram realocadas para moradias entregues pela Emha (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários), nos bairros Iguatemi I, Iguatemi II, José Tavares do Couto e Talismã.

Ao todo, a Prefeitura informou que teve investimento de R$ 15 milhões em recursos para construção e retirada das famílias que residiam no Mandela. Sendo assim, cada família contemplada paga 10% de um salário mínimo, que pode ser dividido em até 30 anos.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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