A queda recorde de desmatamento no Cerrado de Mato Grosso do Sul também beneficia o Pantanal, segundo especialistas. A perda de água da maior planície alagada do mundo está diretamente ligada à degradação do Cerrado, onde nascem os rios que enchem o Pantanal.
Dados divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostram que o desmatamento no Cerrado de Mato Grosso do Sul caiu 23,3% em 2026, chegando à menor taxa da série histórica, iniciada em 2001. A queda foi de 272,53 km² degradados em 2025 para 208,90 km² neste ano.
As áreas alagadas no Pantanal diminuíram 84% nos últimos 40 anos — território equivalente ao tamanho da Suíça. A diminuição do desmatamento no Cerrado pode diminuir o processo de seca da planície pantaneira.
“A redução da deflorestação reduz ou desacelera os danos para o bioma [Pantanal]”, explica o ambientalista Alcides Faria, diretor da ONG (organização não governamental) Ecoa.
No entanto, ele destaca que a queda de desmatamento não é suficiente para a recuperação da área alagada no bioma. “Precisamos de recuperação de áreas nativas e das microbacias hidrográficas para garantir um futuro para o Pantanal”, completa Alcides Faria. Ou seja, além de reduzir perdas de vegetação, é necessário recuperar áreas degradadas.
Menor desmatamento da história
Entre 2025 e 2026, Mato Grosso do Sul corresponde a 3,8% de toda a área desmatada no Cerrado brasileiro. O bioma no Estado registra diminuição desta taxa desde 2022, após altas de 16,7% em 2020, 9,5% em 2022 e 14% em 2023.
Os maiores índices de desmatamento no bioma em Mato Grosso do Sul foram registrados entre 2001 e 2006, com variação da área desmatada de 2.713,79 km² até 1.509,81 km².
Também houve recorde de queda de desmatamento em âmbito nacional. Na Amazônia, o desmatamento foi de 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, redução de 41,8% em relação ao período anterior, quando foram registrados 5.731 km². Esta também é a menor taxa da série histórica, iniciada em 1988, segundo o Inpe.
Já no Cerrado nacional, o desmatamento foi de 5.516,69 km², redução de 23,8% em relação aos 7.235,27 km² do período anterior. Também é o menor valor da série histórica do bioma, iniciada em 2001.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






