⁠ Pular para o conteúdo
Cotidiano

Salários atrasados de médicos somam dívida de R$ 32 milhões para Santa Casa, diz sindicato

Por mês, folha de pagamento de médicos soma mais de R$ 8 milhões
Claudemir Candido -
Crise na Santa Casa de Campo Grande paralisa 50% do efetivo por atraso de salários 
Greve na Santa Casa. (Foto: Léo de França, Jornal Midiamax)

R$ 32 milhões! Um prêmio de loteria ou uma herança milionária? Bem que poderia ser uma dessas opções, mas esse é o valor que a ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de ) deve aos médicos de contrato PJ (Pessoa Jurídica), que estão com salários atrasados desde maio deste ano. O valor surge durante discussões sobre paralisação de profissionais e negociações com a nova diretoria do hospital, que recentemente foi palco de um escândalo de desvios de recursos milionários.

Por mês, segundo o Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de MS), a folha de pagamento desses profissionais, aproximadamente 300 médicos, é fechada entre R$ 8 milhões e R$ 8,5 milhões, valor que também se acumula à dívida do maior hospital de Mato Grosso do Sul a cada novo mês que os médicos ficam sem salário.

Mas qual a saída para a Santa Casa encerrar essa situação e “limpar o nome na praça” com os funcionários? Conforme o presidente do Sinmed, Marcelo Santana Silveira, parte desses profissionais, que são especialistas em anestesiologia, deve entrar em negociação com a nova diretoria do hospital na esperança de receber a fortuna de salário que a instituição deve a eles.

Segundo Marcelo, chegou a existir entre os médicos o pensamento de paralisação e até mesmo demissões pelos atrasos, que perduram por quase cinco meses, mas nenhuma decisão foi tomada devido a essa nova “conversa” entre a Santa Casa e os médicos. “Como houve uma mudança da diretoria, parece estar ocorrendo uma renegociação lá dentro. A princípio, eles se demitiriam; eles sairiam do serviço, o serviço de anestesiologia, mais de 100 profissionais e pessoas jurídicas. Mas parece que voltaram à renegociação com essa nova diretoria que assumiu à frente da Santa Casa”, diz o presidente.

Marcelo explica que, caso não haja negociação favorável aos médicos em questão, a dívida da Santa Casa com a classe deve crescer mais neste mês, chegando a mais de R$ 40 milhões. Além da dívida com os médicos, o hospital ainda enfrenta outras dívidas e problemas relacionados a fornecedores, insumos e lotação.

Recentemente, outro problema, também por atraso em pagamentos, gerou o fechamento da ala cardíaca cirúrgica pediátrica do hospital, referência no procedimento em todo Mato Grosso do Sul, após a demissão de médicos especialistas. As demissões foram informadas pelo Sinmed-MS e confirmadas pela própria Santa Casa.

Conforme apurado pela reportagem do Midiamax, antes dos desligamentos, houve uma conversa de tentativa de acordo com os profissionais das modalidades PJ e CLT, a fim de chegar a uma resolução. Foi informado que apenas os médicos com contrato CLT optaram por continuar com os atendimentos no hospital, enquanto a outra parte dos profissionais seguiu com a demissão.

A doutora Izabela Falcão, diretora clínica da Santa Casa de Campo Grande, disse que a saída desses profissionais já havia sido sinalizada devido ao atraso no pagamento de salários e que os desligamentos causariam um grande impacto, deixando a população de Campo Grande e de todo o Estado desassistida.

“A Santa Casa é referência nessa especialidade na cirurgia cardíaca pediátrica e, com a saída dessa equipe, haverá o descredenciamento dessa especialidade na instituição. Então, os órgãos competentes serão avisados, como o Ministério da Saúde e os gestores públicos também, tanto municipais quanto estaduais, e o Ministério Público”, disse a diretora, em nota.

Crise na Santa Casa

Há meses, a Santa Casa de Campo Grande vem noticiando uma crise relacionada a contratos de repasse de recursos que estariam defasados, destacados em diversos eventos e documentos pela antiga diretoria da instituição. Essa crise se arrasta há mais de 20 anos e culminou na intervenção realizada entre 2005 e 2013, a qual não resolveu o problema crônico das dívidas do hospital, que voltaram a crescer nesses 13 anos.

Em julho deste ano, a então presidente Alir Terra, hoje presa, destinou a culpa da crise enfrentada pelo hospital à falta de reajuste na Tabela SUS, nos contratos com o Poder Público: “A dívida total da Santa Casa é em torno de 600 milhões”. Na data, em 27 de julho, Alir informou à imprensa que o hospital apostava no recebimento de valores, que chegaram a R$ 757,2 milhões em ações judiciais que alega ter vencido, para superar a crise financeira que se arrasta há anos.

“Então, se as coisas viessem andando desde o início, os contratos tivessem sido reajustados — e a Santa Casa, já de longuíssima data, vem recebendo o reajuste muito aquém do necessário para o seu funcionamento —, não teria como se endividar tanto. Se a Santa Casa recebesse tudo, o hospital estaria revitalizado, atendendo a todos os pacientes da melhor maneira possível e com repasses em dia a todos os funcionários e fornecedores”, alegou à época.

Desvios de recursos

A nova gestão assume o hospital após a Operação Antidotum, deflagrada em 11 de setembro pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

A ação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO). Entre os presos, estavam a então presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, além de integrantes e ex-integrantes da direção do hospital e um empresário.

Segundo as investigações, o grupo teria atuado em um esquema envolvendo um contrato para digitalização de prontuários. O acordo previa R$ 1,8 milhão por ano, durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Conforme o MPMS, somente no primeiro ano, o desvio teria chegado a R$ 1,4 milhão.

As investigações também apontaram irregularidades em contratos da Santa Casa Saúde com empresas ligadas ao mesmo grupo. Segundo o MPMS, somente em 2025, os pagamentos chegaram a R$ 9,6 milhões, com prejuízo estimado em pelo menos R$ 3,5 milhões. O total do eventual prejuízo à Santa Casa ainda é investigado.

💬 Fale com os jornalistas do Midiamax

Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o Jornal Midiamax?

🗣️ Envie direto para nossos jornalistas pelo WhatsApp (67) 99207-4330. O sigilo está garantido na lei.

✅ Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar nas redes sociais:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.

(Revisão: Nichole Munaro)

Compartilhe

Notícias mais buscadas agora

Saiba mais
Suspeita de compra de votos termina com mulher na delegacia e R$ 1,7 mil apreendidos em MS

Suspeita de compra de votos termina com mulher na delegacia e R$ 1,7 mil apreendidos em MS

‘Não existe pedido de investigação’: Moraes questiona julgamento sobre vínculo com Vorcaro

Moraes multa em R$ 5 mil advogado que tentou burlar sistema do STF

Cobertura para feira municipal de Ribas do Rio Pardo vai custar R$ 1,6 milhão

Cobertura para feira municipal de Ribas do Rio Pardo vai custar R$ 1,6 milhão

jacare emite som

Jacaré emite som ameaçador ao sentir biólogo se aproximar no Pantanal de MS

Notícias mais lidas agora

PT reage à hostilidade contra deputada na Fiems e vereador promete repúdio público na Câmara

TJMS nega liminar em tentativa da Fiems de censurar notícias sobre convênio de R$ 7 milhões

Vendeu, e agora? Prefeitura esclarece se empresa de Goiás já assume os ônibus de Campo Grande

Novo grupo alega ‘capacidade financeira’ para renovar ônibus em Campo Grande

‘Vou ser enterrada com ele’, diz mãe de adolescente morto em acidente de moto com ônibus

‘Vou ser enterrada com ele’, diz mãe de adolescente morto em acidente de moto com ônibus

Necessidade aumentou, mas doações de sangue caíram 8% em 4 anos em Mato Grosso do Sul

‘Em memória de quem partiu’: campanha incentiva doação de sangue em Campo Grande

Últimas Notícias

Famosos

‘Nunca passou’: Leonardo passa perrengue ao tentar pagar conta em restaurante

Leonardo precisou da ajuda da esposa ao tentar passar o cartão de crédito

Polícia

Empresa lamenta morte de funcionário em acidente com caminhonete na BR-163

Colega de trabalho da vítima morreu ainda no local do acidente

Cotidiano

Patinetes elétricos completam três meses em Campo Grande com mais de 170 mil viagens

60 mil usuários cadastrados e mais de 360 mil quilômetros percorridos

Brasil

Dino declara perda de objeto em pedido de Tabet sobre Nossa Senhora

TSE resolveu questão em julgamento no plenário na quarta-feira