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Cotidiano

Dourados não tem novos casos de chikungunya nas reservas, mas chega a 111 na área urbana

Se antes os casos eram predominantes entre a população indígena, agora o cenário se inverte
Jennifer Ribeiro -
Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Em 24 horas, foram confirmados mais 111 casos de chikungunya na área urbana de Dourados, totalizando 1.858. Em contrapartida, nenhum novo caso foi registrado nas reservas indígenas do município, que já somam 1.461 confirmações desde janeiro de 2026.

Os dados reforçam o que já era observado há algumas semanas: se antes os casos eram predominantes entre a população indígena, agora o cenário se inverte, com registros ocorrendo principalmente em território urbano.

Apesar do aumento dos índices, não houve confirmação de novos óbitos pela doença, e apenas um caso segue em investigação: o de um menino indígena, de 12 anos, que faleceu em 3 de abril.

O novo informe epidemiológico, divulgado nesta sexta-feira (17), aponta que a taxa de positividade em Dourados permanece alta. Dos casos prováveis em investigação, 64,9% são confirmados.

Há ainda preocupação quanto ao número de internações de pacientes positivados, o que já começa a gerar sobrecarga na rede de Atenção Primária à Saúde em território urbano, além dos serviços de urgência e emergência e da ocupação de leitos hospitalares.

Óbitos por chikungunya

Dourados concentra mais da metade das mortes no Estado. Do total de vítimas, sete eram indígenas, sendo dois bebês (de 1 e 3 meses) e cinco adultos, a maioria idosos (69, 73, 77, 60, 55 e 63 anos).

Na quinta-feira (16), Dourados confirmou mais uma morte por chikungunya e elevou para 12 o número de óbitos em Mato Grosso do Sul. Com isso, o Estado concentra 63% das 19 mortes registradas em todo o Brasil e soma mais de 5,6 mil casos prováveis em 2026.

óbito mais recente ocorreu em 13 de abril, mas só foi confirmado nesta quinta. A vítima era um homem de 63 anos. Ele apresentou os primeiros sintomas em 7 de abril e possuía comorbidades, como câncer e diabetes. É a primeira morte registrada na zona urbana do município.

Além disso, um óbito ainda está em investigação, o de uma criança de 12 anos, que apresentou os primeiros sintomas em 28 de fevereiro. 

No boletim anterior, havia três mortes em investigação. No entanto, a Prefeitura de Dourados descartou o óbito de uma menina de 10 anos, ocorrido em 7 de abril. Conforme o documento, ainda não há informação sobre a causa da morte.

Chikungunya

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.

Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença e podem persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, essas dores podem se tornar crônicas e durar anos.

Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.

Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

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(Revisão: Nichole Munaro)

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