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Sesau cria comissão para fiscalizar prontuários de pacientes em Campo Grande

Operação da Polícia Civil identificou irregularidades no descarte de prontuários em Caps de Campo Grande no ano passado
Murilo Medeiros -
Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande. (Foto: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) de criou uma comissão responsável por revisar prontuários de pacientes e identificar falhas no preenchimento dos documentos nas unidades da rede municipal. A medida foi oficializada pela Resolução n. 1.010, publicada no Diogrande desta sexta-feira (10).

A CRP (Comissão de Revisão de Prontuários) terá a responsabilidade de avaliar periodicamente os registros dos pacientes, verificar o cumprimento de exigências éticas e legais e orientar as unidades sobre a guarda e o manuseio seguro dos documentos.

Entre as atribuições da nova Comissão, está a identificação de falhas no preenchimento. Caso os problemas sejam recorrentes, o profissional responsável poderá ser convocado e deverão ser adotadas providências. A CRP também poderá programar cursos de atualização em conjunto com a Escola de Saúde Pública da Sesau.

Em 2025, o Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) identificou que prontuários extraviados do Caps (Centro de Atenção Psicossocial) Aero Rancho foram descartados em reciclagem e outros estavam em residências de funcionários, afastados depois da deflagração da Operação SOS Caixa Preta, que teve duas fases.

Informações obrigatórias

A resolução estabelece uma série de informações que deverão constar obrigatoriamente nos prontuários. Entre elas, estão a identificação completa do paciente, histórico clínico, exame físico, exames complementares e respectivos resultados, hipóteses diagnósticas, diagnóstico definitivo e tratamento realizado.

Também deverão ser registradas a evolução diária do paciente, com data e hora, além da descrição dos procedimentos realizados e da identificação dos profissionais responsáveis.

Nos prontuários de papel, a letra do profissional deverá ser legível. Também são obrigatórios a identificação, a assinatura e o número do registro no conselho profissional dos integrantes da equipe multiprofissional envolvidos no atendimento.

Já nos casos de emergência em que seja impossível colher o histórico clínico do paciente, deverá haver um relato médico completo dos procedimentos realizados que permitiram o diagnóstico ou a transferência para outra unidade.

A responsabilidade pelo preenchimento do prontuário, segundo a resolução, cabe a todos os profissionais de saúde que prestarem atendimento ao paciente.

Reuniões mensais

A comissão será formada por titulares e suplentes de diferentes setores da Sesau. Participarão representantes da assessoria executiva e das superintendências de Atenção Primária à Saúde, Gestão do Trabalho em Saúde e Atenção Especializada e Urgências à Saúde.

O grupo terá integrantes de áreas como medicina, enfermagem, atendimento multidisciplinar, saúde bucal, urgência e emergência, saúde mental, atenção especializada e segurança do paciente. As reuniões ocorrerão mensalmente, conforme um cronograma anual que ainda deverá ser publicado no Diário Oficial.

A coordenação ficará sob responsabilidade de um médico representante da Divisão de Segurança do Paciente e Revisão de Prontuário. Outros setores, órgãos e entidades também poderão participar das análises quando houver necessidade.

Operação SOS Caixa Preta

Dia da deflagração da 1ª fase da operação. (Arquivo/Nathalia Alcântara, Midiamax)

A operação SOS Caixa Preta, deflagrada em 7 de abril de 2025, descobriu irregularidades na gestão, na guarda e no descarte de prontuários médicos no Caps, vinculado à Sesau.

A investigação teve início em outubro de 2024 a partir de representação formal da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio do NAS (Núcleo de Atenção à Saúde), que relatou a destruição sistemática de prontuários físicos de pacientes em tratamento psiquiátrico, documentos que devem ser preservados por, no mínimo, 20 anos, conforme legislação federal e municipal.

Entre os crimes investigados, estavam destruição de documento público ou particular e quebra de sigilo funcional, sem prejuízo de outros ilícitos que eventualmente forem constatados durante a investigação criminal. Durante a operação policial, foram apreendidos materiais eletrônicos e documentos.

Leia a resolução:

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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