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Cotidiano

Com vacinação em 73%, Campo Grande mantém alerta para retorno do sarampo

Estado descartou 14 casos suspeitos em 2026, mas circulação do vírus no país mantém risco de reintrodução
Murilo Medeiros -
Com casos de sarampo em SP, Secretaria de Saúde reforça atualização da vacinação em MS
Vacinação contra sarampo em MS. (Leo de França, Jornal Midiamax)

não registra casos de sarampo desde 2020, mas a baixa cobertura vacinal e a circulação do vírus em outros estados mantêm o risco de retorno da doença à Capital. Dados parciais mostram que 73% do público-alvo está protegido, enquanto a meta considerada ideal pelo Ministério da Saúde é de 95%.

Neste ano, Mato Grosso do Sul registrou 14 casos suspeitos de sarampo, mas todos foram descartados, conforme a SES-MS (Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul).

No Brasil, 24 casos foram confirmados em 2026, sendo 23 em e um no . A circulação de pessoas entre os estados e a fronteira de Mato Grosso do Sul aumenta a possibilidade de que uma pessoa infectada introduza o vírus em locais com baixa vacinação.

‘Acende um alerta’

Segundo o infectologista Alexandre Bertucci, do Humap-UFMS (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de MS), o surgimento de casos no país não é motivo para pânico, mas representa um alerta para que a população confira a caderneta de vacinação.

“Por isso que o surgimento dos casos em qualquer região do país acende um alerta para a gente conferir a situação vacinal das pessoas, aumentar a nossa vigilância com o objetivo de identificar rapidamente os casos que sejam suspeitos para evitar a disseminação da doença”, afirma.

As últimas confirmações em Campo Grande ocorreram em 2020, quando dez pessoas foram diagnosticadas. Apesar dos seis anos sem registros, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) mantém ações de vigilância e prevenção para reduzir o risco de reintrodução da doença.

Cobertura abaixo da meta

(Fonte: Ministério da Saúde)

Em Mato Grosso do Sul, a cobertura da primeira dose da vacina tríplice viral chegou a 91,63%, abaixo da meta de 95%. Até 17 de agosto, foram aplicadas 115.905 doses do imunizante no Estado.

A tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.

Pessoas de 5 a 29 anos que não completaram o esquema precisam receber duas doses. Para quem tem entre 30 e 59 anos e não foi vacinado anteriormente, a recomendação é de pelo menos uma dose.

A vacina é contraindicada em algumas situações, como durante a gestação e em casos específicos de imunossupressão. Entre os exemplos, estão pacientes transplantados de órgãos durante períodos de imunidade muito baixa e pessoas que passaram recentemente por transplante de medula óssea.

Uma pessoa pode infectar outras 18

O sarampo é uma doença viral altamente transmissível. O contágio ocorre pelo ar quando a pessoa infectada tosse, espirra, fala ou até mesmo respira. Segundo o Ministério da Saúde, cada paciente pode transmitir o vírus para até 18 pessoas não vacinadas.

“A vacina, além de ser uma medida de proteção individual, também tem um papel muito importante como medida de prevenção coletiva”, destaca o infectologista Alexandre Bertucci.

Os sintomas costumam aparecer entre sete e 21 dias após o contato com o vírus. Os primeiros sinais incluem febre alta, mal-estar, tosse seca, coriza e conjuntivite. Depois, podem surgir manchas avermelhadas, que geralmente começam na cabeça e no rosto e se espalham pelo restante do corpo.

Também podem aparecer pequenas manchas brancas dentro da boca, chamadas manchas de Koplik, consideradas uma manifestação típica da doença.

Ao apresentar sintomas suspeitos, o paciente deve procurar atendimento e informar quando começaram a febre e as manchas, além de relatar viagens recentes ou contato com pessoas de locais onde há circulação do vírus.

“Sempre que isso acontecer, numa suspeita da doença, é importante avisar previamente no serviço de saúde sobre a suspeita para que a equipe se organize para o atendimento, para diminuir a exposição a outras pessoas”, orienta o infectologista.

Doença pode levar à morte

O sarampo pode provocar desde quadros leves até complicações graves. Entre elas, estão pneumonia, otite, diarreia com desidratação e encefalite, que compromete o sistema nervoso e pode levar à internação e à morte.

Crianças pequenas, gestantes, pessoas desnutridas e pacientes com a imunidade comprometida apresentam maior risco de agravamento. Nas gestantes, a infecção também pode causar complicações para o bebê.

A SES-MS orienta que pais, responsáveis e adultos que não saibam se receberam a vacina procurem uma unidade de saúde para verificar a situação vacinal e atualizar as doses necessárias.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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