Já estamos em abril, mas o prazo até novembro, mês em que ocorre o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), é uma oportunidade de preparação, já que a prova exige antecipação e foco. Entre os maiores desafios, está a produção da redação, um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas que precisa ter tese clara, argumentos consistentes e proposta de intervenção detalhada.
Nos últimos anos, o exame abordou temas pertinentes à sociedade brasileira. O padrão se repete: a prova demanda capacidade de análise de problemas estruturais do país e apresentação de soluções viáveis, respeitando os direitos humanos.
Para auxiliar estudantes nessa jornada, educadores da International Schools Partnership elaboraram orientações práticas para estruturar esse preparo ao longo do ano.
Para o coordenador pedagógico Henrique Barreto Andrade Dias, conhecer profundamente as competências avaliadas pelo Enem é uma vantagem estratégica. Além disso, analisar redações nota mil, para identificar padrões de organização textual, uso de conectivos e detalhamento da intervenção, é uma ótima tática.
“A prova não avalia apenas criatividade. Ela mensura domínio da norma padrão, compreensão do tema, capacidade argumentativa, coesão e elaboração de proposta de intervenção detalhada. Estudar a matriz de correção evita perda de pontos por descuidos técnicos”, afirma Dias.
Já o professor Francisco Meneses, que leciona Redação do Ensino Médio, reforça que a qualidade da redação está diretamente ligada ao repertório sociocultural do estudante.
Segundo ele, ter um banco pessoal de assuntos organizados por eixos temáticos, como direitos humanos, meio ambiente, tecnologia ou desigualdade social, facilita a adaptação a diferentes propostas.
“O Enem valoriza a contextualização e a estrutura. O aluno precisa relacionar o tema a dados históricos, conceitos filosóficos, obras literárias ou acontecimentos atuais. Por isso, acompanhar o noticiário, ler artigos de opinião e consumir conteúdos analíticos é parte da preparação. O candidato deve aliar esse conteúdo à estrutura da redação Enem, que também é fundamental para boas notas”, explica Francisco.
As últimas propostas de redação do Enem foram:
2025 – Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira;
2024 – Desafios para a valorização da herança africana no Brasil;
2023 – Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil;
2022 – Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil;
2021 – Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil;
2020 – O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira;
2019 – Democratização do acesso ao cinema no Brasil;
2018 – Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet;
2017 – Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil;
2016 – Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil.
Como treinar
Para o também coordenador pedagógico Peter Rifaat, a redação deve fazer parte do cronograma fixo de estudos. “Assim como nas demais áreas do Enem, a constância é determinante e ajuda o aluno a transformar a escrita em hábito e a evoluir progressivamente”, afirma.
Assim, ele recomenda dividir o treino em três etapas: estudo da estrutura do texto dissertativo-argumentativo; produção cronometrada; e correção criteriosa, com foco nas cinco competências avaliadas pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
Para o coordenador, além dessas estratégias, também vale solicitar que outra pessoa ou seu professor leia a redação de treino e aponte erros para que o desempenho do candidato melhore sempre.
Desta forma, será possível identificar onde estão as falhas, seja na coesão, na argumentação ou na proposta de intervenção.
Outra dica é desenvolver um planejamento pessoal que se encaixe no seu perfil. Conhecer as estratégias que melhor funcionam para si ajudam muito no autodesenvolvimento.
São medidas como rascunhar palavras-chave antes de escrever, estruturar previamente os parágrafos ou revisar primeiro a coesão e depois a gramática. “Quando o estudante domina suas próprias estratégias, otimiza o tempo e potencializa seus resultados”, afirma o coordenador pedagógico Paulo Rogerio Rodrigues.
Sugestão de cronograma
A preparação para a redação deve seguir um planejamento escalonado ao longo do ano, com metas claras para cada etapa:
Abril a junho: fundamentação e repertório
– Estudo aprofundado da estrutura do texto dissertativo-argumentativo;
– Compreensão detalhada das cinco competências avaliadas pelo Inep;
– Construção de repertório sociocultural (dados, autores, conceitos, atualidades);
– Produção de uma redação por semana, com foco na clareza da tese e na organização dos parágrafos.
Julho a setembro: intensificação e aprimoramento técnico
– Produção de duas redações por semana, ao menos uma delas cronometrada;
– Ênfase na consistência argumentativa e no aprofundamento dos exemplos;
– Aperfeiçoamento da proposta de intervenção (agente, ação, meio, finalidade e detalhamento);
– Revisão sistemática dos erros recorrentes apontados nas correções.
Outubro: revisão estratégica e simulação de prova
– Releitura e reescrita de textos anteriores para corrigir fragilidades;
– Treino com propostas inéditas, em tempo real de prova;
– Realização de simulados completos, incluindo redação, para testar resistência e gestão do tempo;
– Ajustes finais de coesão, conectivos e precisão vocabular.
Por fim, confira 20 temas sociais contemporâneos para o treino da redação, indicados pelos docentes. São assuntos que desafiam a capacidade de análise crítica e argumentação, requerem repertório sociocultural relevante, além de apresentarem interdisciplinaridade.
- Desafios para o combate à desinformação na era da inteligência artificial
- Caminhos para reduzir a evasão escolar no ensino médio brasileiro
- Impactos das mudanças climáticas na vida urbana
- A cultura do cancelamento e seus efeitos no debate público
- Inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho
- O papel da mídia na formação da opinião pública
- Desafios para a promoção da saúde mental entre jovens
- O envelhecimento da população brasileira e seus impactos sociais
- Violência nas escolas: causas e estratégias de prevenção
- A importância da educação midiática no combate às fake news
- Mobilidade urbana e direito à cidade
- Desigualdade digital e acesso à tecnologia no Brasil
- Segurança alimentar e combate à fome
- Racismo estrutural e seus reflexos na sociedade brasileira
- A valorização da ciência no enfrentamento de crises sanitárias
- Trabalho informal e precarização das relações trabalhistas
- Preservação ambiental e desenvolvimento econômico
- O impacto das redes sociais na construção da identidade juvenil
- A participação política dos jovens na democracia brasileira
- Desafios para a garantia dos direitos das populações tradicionais
💬 Fale com os jornalistas do Midiamax
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o Jornal Midiamax?
🗣️ Envie direto para nossos jornalistas pelo WhatsApp (67) 99207-4330. O sigilo está garantido na lei.
✅ Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar nas redes sociais:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.
(Revisão: Dáfini Lisboa)







