Com vítima em Ponta Porã, mortes por chikungunya chegam a 95% do registrado na década em MS Pular para o conteúdo
Cotidiano

Com vítima em Ponta Porã, mortes por chikungunya chegam a 95% do registrado na década em MS

O Estado acumula mais de 12 mil casos prováveis da doença em 2026 e lidera o ranking nacional de incidência
Murilo Medeiros, Lethycia Anjos -
Aedes aegypti é responsável por transmitir dengue, zika e chikungunya. (Nathalia Alcântara, Jornal Midiamax)

Um homem de 65 anos morreu após contrair chikungunya em , município localizado a 313 km de . Esta é a primeira morte registrada pela doença na cidade e a 23ª em Mato Grosso do Sul, segundo dados do Ministério da Saúde. Com o novo registro, o Estado concentra 60,5% das 38 mortes por chikungunya contabilizadas no país em 2026.

A vítima apresentou os primeiros sintomas em 21 de maio e morreu em 3 de junho. Conforme as informações do boletim epidemiológico da SES (Secretaria de Estado de Saúde), o paciente possuía comorbidades, entre elas diabetes e hipertensão arterial.

Mato Grosso do Sul segue na liderança do ranking nacional de incidência da doença. Neste ano, já foram registrados 12.869 casos prováveis e 7.897 confirmações de chikungunya no Estado. Entre os casos confirmados, 86 ocorreram em gestantes. Outras duas mortes suspeitas seguem sob investigação.

MS lidera mortes por chikungunya

Entre 2016 e 2025, Mato Grosso do Sul registrou 24 mortes e 21.282 casos prováveis de chikungunya, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Assim, o registrado em 2026 já representa 95,8% dos óbitos e 61% do total de casos da última década.

Em todo o Brasil, o Ministério da Saúde registra 51.777 casos e 38 mortes em decorrência da arbovirose. Mato Grosso do Sul representa 25% dos casos e 60,5% das mortes do país — ou seja, a cada quatro pessoas doentes com chikungunya, uma é de MS, e a cada dez mortes, seis são no Estado.

A incidência em MS é de 444 casos por 100 mil habitantes — mais de 18 vezes superior à média do Brasil, de 24,3. O Estado ainda lidera o ranking nacional de incidência, com valor 4 vezes maior que o do segundo colocado.

Apesar da morte confirmada, Ponta Porã é um dos municípios com menor incidência de chikungunya em Mato Grosso do Sul. A cidade registra 52 casos prováveis, sendo 33 confirmados e outros 19 em investigação. A incidência no município é de 52,7 casos a cada 100 mil habitantes.

Expectativa de queda

A época do ano em que os casos de arboviroses, como dengue e chikungunya, aumentam vai de janeiro a maio. Assim, a expectativa é de que o número de casos caia ao longo de junho. O período mais seco e com temperaturas mais amenas geralmente contribui para reduzir a transmissão.

Mesmo assim, infectologistas alertam que a doença causa efeitos de longo prazo e que o El Niño pode intensificar a circulação do vírus antes do fim deste ano. Ou seja, cuidados de prevenção devem seguir firmes.

“A expectativa é de desaceleração gradual do número de novos casos, mas ainda podem ocorrer transmissões residuais e surtos localizados, especialmente em áreas com alta infestação do Aedes e grande quantidade de pessoas suscetíveis”, diz a infectologista Andyane Tetila.

El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Isso muda a circulação atmosférica global e altera o padrão de chuvas e temperaturas.

Assim, o infectologista Julio Croda espera que Mato Grosso do Sul registre alto número de casos em 2027, com maior circulação do vírus a partir de dezembro deste ano. “Aumento de temperatura está associado à maior replicação do mosquito”, explica.

Chikungunya mata e causa sequelas

Bebê com chikungunya – imagem ilustrativa. (Reprodução)

A doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e causa dor incapacitante nas articulações, além de febre alta. A orientação principal é procurar um médico já no primeiro dia de sintomas, principalmente em caso de idosos e crianças.

Ao menor início de febre e dor nas articulações de forma súbita, hoje, no nosso Estado, é chikungunya até que se prove o contrário”, afirma a presidente da Sociedade Sul-Mato-Grossense de Infectologia, médica Andyane Tetila, que atua no HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados).

Geralmente, o quadro de saúde do paciente com chikungunya começa com a febre entre 38°C e 40°C e dor muito forte nas articulações — popularmente chamadas de ‘juntas’. “O início é bastante súbito, a pessoa dorme bem, mas, no meio da noite, acorda com uma dor bastante importante nas articulações”, diz a infectologista.

Segundo o Ministério da Saúde, o vírus chikungunya também pode causar doença neuroinvasiva, que é caracterizada por agravos neurológicos, tais como encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias.

Óbitos são recorrentes nos grupos de risco, compostos por pessoas em extremos de idade, como bebês e idosos. Além disso, mais de 50% das pessoas que contraem a doença seguem com os sintomas por anos.

O Jornal Midiamax solicitou que a SES (Secretaria Estadual de Saúde) enviasse mais dados sobre a morte registrada em Ponta Porã, mas a pasta informou apenas que “a atualização das informações é divulgada por meio do boletim epidemiológico”.

💬 Fale com os jornalistas do Midiamax

Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o Jornal Midiamax?

🗣️ Envie direto para nossos jornalistas pelo WhatsApp (67) 99207-4330. O sigilo está garantido na lei.

✅ Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar nas redes sociais:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.

(Revisão: Nichole Munaro)

Compartilhe

Notícias mais buscadas agora

Saiba mais
senado

Funcionários da TV e Rádio Justiça iniciam greve e paralisam transmissões

Penitenciária de Dourados vira alvo de força-tarefa contra o crime organizado

Oliver Tree: conheça o cantor que morreu em acidente de helicóptero no RJ

Onde assistir: Arábia Saudita enfrenta o bicampeão Uruguai na estreia

Notícias mais lidas agora

Ato de Gerson Claro para blindar contrato de R$ 7 milhões da Fiems vira disputa na Alems

Há 10 anos, execução de Rafaat transformou disputa territorial em guerra na fronteira de MS

Empreendimentos horizontais planejados marcam nova fase do desenvolvimento urbano residencial em Campo Grande

Com mais de 50 cirurgias realizadas, Cassems assume protagonismo e responde por até 30% das cirurgias infantis do coração em MS.

Últimas Notícias

Polícia

‘Ficou falando que ela se matou’, diz vizinho sobre réu por feminicídio de subtenente em Campo Grande

A militar foi assassinada a tiros, no dia 6 de abril, em Campo Grande; o réu é Gilberto Jarson, seu então namorado

Cotidiano

Servidores da Sesau terão programa de prevenção à obesidade

O programa "menos é mais" também terá atendimento para pessoas que sofrem de doenças crônicas não transmissíveis

Esportes

Juventude AG enfrenta América de Natal em duelo decisivo por vaga nas quartas da Copa LNF

Partida acontece nesta segunda-feira, às 20h, no Ginásio Municipal Ulysses Guimarães, em Dourados

Esportes

Com atuação heroica de Vozinha, Cabo Verde segura empate contra a Espanha

Goleiro faz oito defesas, é eleito o melhor em campo e garante o primeiro ponto da seleção africana em sua estreia em Mundiais