O endividamento atingiu 75,5% das famílias campo-grandenses em outubro de 2026. O índice representa um crescimento de 10,1% nos últimos 12 meses, em comparação com o mesmo período em 2025, quando 65,4% das famílias declaravam possuir algum tipo de dívida.
Já a inadimplência apresentou redução na comparação anual. O índice de famílias com contas em atraso caiu de 29,4% para 27,2%, enquanto a parcela que afirma não ter condições de quitar suas dívidas recuou de 13,6% para 8,0%.
Os dados são da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), realizada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e divulgada pela Fecomércio-MS.
Ainda conforme o levantamento, 71,8% das famílias estão endividadas devido ao cartão de crédito. Na sequência, aparecem os carnês (14,8%), crédito pessoal (13,7%), financiamento de veículos (11,9%) e financiamento de imóveis (10,9%). Entre os entrevistados, 43,1% afirmaram estar comprometidos com dívidas no longo prazo, enquanto o comprometimento médio da renda com dívidas atingiu 29,7%.
Outro dado em destaque é que 27,2% das famílias possuem contas em atraso, mas apenas 8,0% do total dos entrevistados declararam não ter condições de regularizar esses débitos. O resultado mostra que a maior parcela dos endividados está conseguindo se organizar financeiramente.

Na avaliação do presidente da Fecomércio-MS, Juliano Wertheimer, os dados mostram que o consumidor campo-grandense tem conseguido manter um controle financeiro maior, apesar do aumento das dívidas.
“Os números mostram que o consumidor de Campo Grande está mais cauteloso do que a média do país na inadimplência, o que é um sinal positivo para o comércio. Por outro lado, o crescimento contínuo do endividamento ao
longo do ano pede atenção. O crédito, quando bem utilizado, movimenta a economia e as vendas, mas o orçamento familiar precisa de equilíbrio”, comenta o presidente.
A economista do IPF-MS (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento) da Fecomércio MS, Regiane Dedé, destaca que o dado que mais chama atenção é a velocidade com que o endividamento cresceu em Campo Grande. Enquanto o Brasil se mantém em um patamar alto e estável, perto de 82%, Campo Grande avançou 10,1% em 12 meses.
No entanto, a inadimplência recuou, o que, na avaliação da economista, indica que as famílias estão se endividando, mas conseguindo administrar os compromissos, porém com forte uso do cartão de crédito, que concentra mais de 70% das dívidas. “O desafio agora é evitar que o endividamento de longo prazo, que já atinge 43,1% das famílias, se converta em inadimplência.”
A Peic é uma pesquisa realizada nas capitais brasileiras e reúne informações sobre endividamento, inadimplência e condições de pagamento das famílias. Por meio dos dados, é possível acompanhar como as dívidas e a capacidade de pagamento das famílias influenciam o consumo e o comércio local.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








