A exportação do agro brasileiro registrou um avanço expressivo nos primeiros cinco meses de vigência da aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que neste domingo (1°) completou 6 meses.
Segundo nota divulgada pelo Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), entre maio e setembro de 2026, as vendas para os 27 países do bloco europeu alcançaram US$ 12,21 bilhões, o que representa uma alta de 14,8% em valor frente ao mesmo período do ano passado.
Em volume, o crescimento foi de 8,1%, totalizando 17,74 milhões de toneladas despachadas, segundo o balanço oficial do ministério.
Para o titular da pasta, André de Paula, o resultado comprova a competitividade nacional e a capacidade do país em entregar volume atrelado à qualidade e segurança sanitária, superando as exigências dos mercados consumidores mais rigorosos.
Produtos em destaque na parceria
O complexo soja (grãos, farelo e óleo) manteve a liderança das remessas à Europa, movimentando US$ 4,19 bilhões — um salto de 34,2% em receita.
No entanto, o período consolidou a diversificação da pauta exportadora com crescimentos percentuais surpreendentes em outros setores:
- Abacate: Explosão de 421,2% em valor, faturando US$ 19,87 milhões;
- Mel e produtos apícolas: Alta de 367%;
- Óleo de milho bruto: Crescimento de 266,3%;
- Carnes: Aumento de 103,5% em valor financeiro, com o volume saltando de 101 mil para 272 mil toneladas;
- Café: As versões torrada (+91,6%) e solúvel (+19%) também avançaram.
Desde o dia 1º de maio, itens como o abacate e os cafés torrado e solúvel já se beneficiam de reduções tarifárias gradativas garantidas pelo acordo, com previsão de isenção total de taxas até 2030.
Apesar do Brasil também ter ampliado em 3,3% a importação de produtos europeus (somando US$ 1,67 bilhão), a balança comercial do setor permaneceu altamente vantajosa para o país. O superávit brasileiro fechou o período em US$ 10,54 bilhões, um aumento de 17%.
Para garantir a continuidade dessa expansão na exportação do agronegócio, o Mapa tem trabalhado com ferramentas de rastreabilidade, como a Plataforma Agro Brasil + Sustentável (AB+S).
O sistema emite relatórios que ajudam o produtor a atestar a regularidade ambiental da sua propriedade, uma exigência central da legislação europeia antidesmatamento (EUDR).
Panorama de Mato Grosso do Sul nas exportações
A força produtiva que impulsiona os números nacionais tem reflexo direto na economia regional.
Em Mato Grosso do Sul, o cenário de alta se repete: o estado acumulou US$ 9,21 bilhões em exportações gerais entre janeiro e setembro de 2026, marcando um crescimento de 12,53% em relação a 2025, de acordo com dados da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
A agropecuária foi o motor desse avanço, registrando um salto de 28,52% em valor comercializado. A soja foi o principal produto da pauta, respondendo por 31,08% de tudo o que foi exportado (US$ 2,86 bilhões). Na sequência, destacaram-se a celulose (26,42%) e a carne bovina (17,82%).
O saldo da balança comercial sul-mato-grossense ficou positivo em US$ 7,42 bilhões. A China se mantém como a compradora majoritária, absorvendo mais de 46% da produção do estado. Em seguida aparecem os Estados Unidos, com 6,46%, e os Países Baixos, com 4,81%.
Internamente, os municípios de Três Lagoas e Dourados lideram o ranking de vendas para o exterior, consolidando Mato Grosso do Sul como uma das grandes potências exportadoras do Brasil.







