O salário necessário para ter uma vida simples, mas digna, em Campo Grande (MS), está em torno de R$ 4 mil por mês, conforme levantamento realizado pelo ARI (Anker Research Institute), em parceria com o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). Tratando-se de uma família de quatro pessoas, por exemplo, o valor sobe para R$ 6.181.
O relatório divide Mato Grosso do Sul em três macrorregiões, sendo elas: MS01, que corresponde aos Pantanais de Mato Grosso do Sul; MS02, que reúne regiões centro-norte, leste e sudoeste; e MS03, que abrange apenas Campo Grande. O valor calculado para a Capital é 42,9% superior aos R$ 2.808 calculados para a região do Pantanal. No restante do Estado, que reúne as mesorregiões centro-norte, leste e sudoeste, a estimativa é de R$ 3.162.
Já nos cálculos do custo mensal para manter uma vida digna para uma família de quatro pessoas nas regiões centro-norte, leste e sudoeste, o valor é de R$ 4.937, enquanto no Pantanal o valor fica em R$ 4.435.
A maior parte da população sul-mato-grossense, 58,6%, está na macrorregião MS02, formada por centro-norte, leste e sudoeste. Campo Grande concentra 32,9% da população do Estado, enquanto a região dos Pantanais reúne 8,5%.
O salário digno é calculado a partir da renda necessária à família, do número estimado de trabalhadores em tempo integral por domicílio e dos descontos obrigatórios. O valor inclui gastos com alimentação, habitação, transporte, educação, saúde, cultura, entre outras despesas básicas, além de uma reserva de 5% para emergências.
Os valores do levantamento são referentes a junho de 2025 e foram calculados com a Metodologia Anker®, a partir de pesquisas domiciliares do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e de outras bases disponíveis no
país, além de parceria privada. O relatório considera 1,72 trabalhador em tempo integral, por família, nas regiões MS01 e MS02, e 1,75 na Capital.

O diretor da Iniciativa ARI-Cebrap, Ian Prates, explica que a diferença registrada no Estado é um importante dado para expor o motivo pelo qual apenas uma referência nacional não é o suficiente para estabelecer uma renda mínima que garanta dignidade às famílias. Para Prates, o levantamento é uma medida que pode orientar governos, empresas, sindicatos e organizações sociais em relação ao salário.
“Quando o cálculo considera o território, fica claro que o custo do básico não é igual em todas as regiões. No Mato Grosso do Sul, a distância entre Campo Grande e o Pantanal é muito significativa. O dado permite discutir remuneração com uma referência ligada às condições locais. A estimativa não substitui o salário mínimo, acordos coletivos ou políticas públicas, mas indica quanto um trabalhador precisa receber, em determinado lugar, para que sua família alcance um padrão de vida básico e decente”, explica.
O documento reúne, ainda, indicadores socioeconômicos para contextualizar as diferenças regionais. O relatório completo está disponível no site do Anker Research Institute.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








