A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal chegou ao sétimo dia nesta quarta-feira (16) e ganhou um novo ato de mobilização em Campo Grande. Dezenas de trabalhadores participaram de um protesto em frente a uma agência, usando camisetas pretas, cartazes e até fantasias de palhaço para chamar a atenção para as reivindicações da categoria.
Em Mato Grosso do Sul, ao menos 40 agências da Caixa seguem fechadas por tempo indeterminado. Segundo o SEEBCG-MS (Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região), a paralisação ocorre em todo o país e tem registrado forte adesão entre os empregados do banco.
Funcionário da Caixa há 18 anos, um dos manifestantes, que preferiu não se identificar, afirma que a mobilização atual se destaca pela adesão dos trabalhadores. Segundo ele, já houve greves mais longas na história da categoria, inclusive na década de 1990, mas a participação dos empregados nesta paralisação chama a atenção.
“Essa adesão dos empregados é a maior que a gente já presenciou”, afirmou.
Plano de saúde é a principal reivindicação
Entre as principais reivindicações da categoria, está a manutenção das regras do Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários. Segundo os trabalhadores, a proposta apresentada pela instituição prevê mudanças que podem elevar os custos para os empregados, especialmente com a adoção de critérios relacionados à faixa etária.
Presidente do SEEBCG-MS, Neide Maria Rodrigues explica que a categoria entregou a minuta de reivindicações à Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) em junho e participou de rodadas de negociação durante julho e agosto, período que antecede a data-base dos bancários.
Além das questões relacionadas ao plano de saúde, os bancários pediam reposição da inflação e ganho real de 5%. Segundo o sindicato, a proposta apresentada pela Caixa previa ganho real de 0,6%.
Neide afirma que os trabalhadores da rede privada e do Banco do Brasil aprovaram os acordos negociados, mas os empregados da Caixa rejeitaram a proposta e decidiram pela paralisação.
“A assembleia aprovou a da rede privada e aprovou a do Banco do Brasil. Caixa Econômica não aprovou. Com isso, tivemos uma greve no Brasil inteiro, uma das mais fortes que já aconteceram, pela insatisfação com a direção e pela forma truculenta com que a direção da Caixa tem tratado os empregados”, afirmou.
A bancária Fabiana Menezes, que ingressou na Caixa no último concurso destinado exclusivamente a pessoas com deficiência, participou pela primeira vez de uma manifestação. Para ela, a manutenção do plano de saúde é uma das principais preocupações dos funcionários mais novos.
“Quando eu entrei, já perdemos um monte de direitos. Quem é novo, a Caixa já não quer que a gente tenha o plano de saúde quando a gente se aposentar”, relatou.
Os trabalhadores também reivindicam uma redução no percentual de contribuição descontado dos salários e defendem que a Caixa aumente sua participação no custeio do plano.
Uma das críticas da categoria é a possibilidade do Saúde Caixa estar incluso no acordo coletivo dos empregados. O sindicato defende que a negociação do plano não ocorra separadamente, como acontece com o plano de saúde dos funcionários do Banco do Brasil e da rede privada.
Metas, falta de funcionários e PLR

Além do plano de saúde, os trabalhadores reclamam da pressão por metas e da falta de funcionários nas agências. Segundo Fabiana, a redução no quadro de pessoal tem aumentado a carga de trabalho e contribuído para o adoecimento dos empregados.
“Abre uma agência singular, vem um monte de funcionários e a gente ficou lá no varejo com poucos funcionários. Isso também acaba deixando a gente mais cansado, com mais atestados de saúde, porque a gente não aguenta trabalhar”, afirmou.
A categoria também questiona mudanças relacionadas ao pagamento por vendas de produtos e à PLR (Participação nos Lucros e Resultados). Os trabalhadores afirmam que algumas atividades passaram a ser cobradas sem remuneração, mas as metas permaneceram altas.
“Tem a questão também do time de vendas, que não está mais pagando as vendas para a gente. Tiraram de uma noite para o dia e simplesmente falaram que não vão pagar mais. E as nossas metas não reduziram”, disse Fabiana.
Ela também afirma que a PLR, bônus financeiro pago aos empregados da Caixa Econômica Federal com base no lucro e no desempenho do banco, não reflete adequadamente o trabalho desempenhado.
Negociação será retomada nesta quarta-feira
Sem uma nova proposta, os trabalhadores aguardam uma mesa de negociação prevista para esta quarta-feira (16), às 14h, no horário de Brasília, em São Paulo.
Após a rejeição da última proposta, a Caixa informou que pretendia levar a negociação à Justiça por meio de dissídio coletivo. No entanto, no domingo (13), a Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT) solicitou a retomada das negociações e a suspensão de uma ameaça relacionada à manutenção dos direitos previstos no acordo coletivo.
Segundo o sindicato, a Caixa suspendeu a medida e convocou uma nova reunião com a comissão de empregados. “Essa é a grande expectativa dos trabalhadores, porque depois desse dia todo, de mostrarmos força, de mostrarmos que, realmente, as pessoas estão insatisfeitas, o banco deve apresentar hoje uma proposta”, afirmou Neide.
Após a reunião, a eventual proposta deverá ser analisada pelo comando nacional dos bancários e, posteriormente, submetida à categoria. A continuidade ou o encerramento da greve dependerá da decisão dos trabalhadores sobre o que for apresentado pela Caixa.
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