O Brasil enfrenta a Escócia nesta quarta-feira (24) em jogo válido pela 3ª rodada da Copa do Mundo de 2026. A Seleção Brasileira entra em campo como líder do Grupo C e busca garantir a classificação para a próxima fase.
Apesar dos países estarem a uma distância de cerca de 9 mil quilômetros e terem poucas semelhanças entre si, os escoceses tiveram papel fundamental na história brasileira e do futebol. Nascidos na Escócia, Thomas Cochrane e John Miller foram personagens cruciais para a independência do Brasil e para a popularização do esporte bretão.
Além disso, as seleções possuem um histórico de confrontos favorável ao Brasil, tendo se enfrentado quatro vezes em Copas do Mundo, com três vitórias brasileiras e um empate. O Jornal Midiamax conta um pouco mais sobre a relação dos países dentro e fora do futebol.
Guerreiro controverso

O almirante escocês Thomas Cochrane foi um dos comandantes estrangeiros de maior destaque na Independência Brasileira, em 1822. Ele foi contratado por Dom Pedro I para comandar a Marinha Imperial brasileira e expulsar os portugueses no Nordeste e Norte do país.
Apelidado de ‘lobo do mar’ por Napoleão Bonaparte, Cochrane é um dos personagens mais controversos do passado brasileiro, definido como herói, por alguns, e como vilão, por outros. Segundo o artigo do ex-reitor da UFMA (Universidade Federal do Maranhão), Natalino Salgado Filho, há resenhistas que consideram o escocês como o herói da emancipação política do Brasil e merecedor de elogios por causa do feito.
Porém, Cochrane também é considerado por importantes figuras históricas como golpista, falso libertador, pirata ou corsário, como definiu o ex-presidente José Sarney. “Para os ingleses, um homem extraordinário, militar excepcional e herói nacional”, conforme Natalino Filho, que escreveu um livro sobre a história do escocês.
Independentemente da opinião sobre o Almirante, fato é que ele foi fundamental no período de independência do Brasil, após o famoso Grito do Ipiranga’.
Avô do futebol?

Outro escocês com papel fundamental no Brasil foi John Miller. Na realidade, o personagem principal dessa história é Charles Miller, filho dele, nascido em São Paulo em 1874. John veio ao Brasil para trabalhar na São Paulo Railway, primeira ferrovia do estado paulistano.
Seu filho Charles nasceu e foi criado no Brasil até aos nove anos de idade, então foi estudar na Inglaterra. Em terras britânicas, Charles Miller conheceu o futebol, foi jogador, árbitro e dirigente e, quando voltou ao Brasil, trouxe consigo um par de chuteiras, duas bolas de futebol e um livro de regras.
O filho do escocês é um dos principais responsáveis pela propagação do esporte no Brasil, considerado “o pai do futebol brasileiro”. Apesar de nascido no Brasil, ele manteve ligações com a cultura escocesa. No dia 14 de abril de 1895, Charles Miller atuou naquele que é considerado o primeiro jogo da história do futebol brasileiro, entre funcionários da São Paulo Railway e trabalhadores da Companhia de Gás.
Charles conquistou o tricampeonato do Paulista, entre 1902 e 1904, pelo São Paulo Athletic Club, sendo artilheiro do primeiro e do terceiro título. Décadas depois, o esporte cresceu no país, tornou-se profissional e o mais popular entre os brasileiros. Assim, se Charles Miller é o pai do futebol brasileiro, o escocês John pode ser considerado o avô do esporte no Brasil.
Histórico das seleções
O histórico de Brasil e Escócia dentro de campo é muito favorável à Seleção Brasileira. Ao todo, foram dez confrontos, com oito vitórias brasileiras e dois empates.
Além disso, as equipes já se enfrentaram quatro vezes em Copas do Mundo. Em 1974, empatou sem gols; em 1982, goleada por 4 a 1 pelo Brasil; em 1990, nova vitória, dessa vez por 1 a 0; e em 1998, triunfo da Seleção por 2 a 1, na partida de abertura do Mundial.
O último jogo entre as seleções ocorreu em 2011, com vitória do Brasil por 2 a 0, com dois gols de Neymar. O camisa 10 da Seleção, inclusive, deve ser relacionado para a partida, após ser desfalque nas duas primeiras rodadas da Copa de 2026. A partida contra a Escócia ocorre às 18h (horário de MS), em Miami, nos Estados Unidos.
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