O Estádio Universitário Pedro Pedrossian, o Morenão, soma mais de quatro anos sem receber jogos oficiais. A última partida no estádio aconteceu em abril de 2022, entre Operário e Dourados, pelo Campeonato Sul-Mato-Grossense. Nos próximos dias, no entanto, devem ser iniciadas as obras para a readequação do principal palco do futebol de Mato Grosso do Sul.
O coordenador-geral do estádio, André Chita, explica que o gramado deve ser o primeiro a ficar pronto. “Já está sendo finalizado o gramado. Creio que em mais uns 15 a 20 dias já será iniciado o plantio. A previsão do gramado ficar pronto é em dezembro”, afirmou ao Jornal Midiamax. Essa reforma começou em julho e ocorre por meio de parceria da FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul) com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e envolve, também, os vestiários, banco de reservas e pista de atletismo.
As obras de readequação, porém, contemplam outros setores, como rampas e portões de acesso ao estádio, corrimãos e portas de segurança, arquibancadas, acessibilidade e cabine de imprensa. Ao todo, o Governo do Estado pagará R$ 17.821.250,00 à Alcance Engenharia, construtora vencedora da licitação.
“A empresa contemplada já está sendo chamada para assinar o contrato junto ao Governo do Estado; está tendo reuniões praticamente todas as sextas-feiras junto com as equipes, para que a gente possa adequar o quanto antes. Creio eu que em uns 20 dias já começam as obras daqui do estádio”, explica André Chita.
Reabertura adiada?

Após a assinatura da ordem de serviço, a empreiteira terá o prazo de 180 dias para concluir as obras. Considerando que o documento seja assinado até o próximo fim de semana, a empresa teria até meados de abril de 2027 para terminar a reforma. Inicialmente, a expectativa era de que o Morenão voltasse à ativa no início do ano, entre janeiro e fevereiro, para o Estadual de 2027. Porém, a reabertura pode acabar acontecendo um pouco depois do esperado.
“A projeção era para ser em janeiro ou fevereiro. Diante de uma situação de licitação, como se trata de dinheiro público, requer muito cuidado, transparência, e deu um pequeno ‘delay’. Então, creio eu que, no andar das obras, em março a gente possa estar com o estádio apto a receber o público”, afirma o coordenador.
Neste ano, a Série A do Campeonato Estadual começou em 18 de janeiro e terminou no dia 2 de abril. André Chita aposta também na capacidade da empresa para tentar entregar a reforma antes do prazo total.

“A situação é até seis meses. A empresa contemplada é uma empresa de grande porte; tem uma estrutura fantástica e serviços prestados em todo o Brasil. A gente está na torcida para que ela venha abreviar esse tempo e, o quanto antes, possa finalizar as adequações”, completa.
Quando for reaberto, o estádio deverá ter capacidade para cerca de 12 mil pessoas. Isso porque as reformas englobam apenas um lado do estádio, o mesmo que já estava em uso entre 2017 e 2022. Mesmo sem sua capacidade máxima, de cerca de 40 mil pessoas, a reabertura parcial do Morenão representa um aumento de 3 a 4 vezes em relação ao público máximo do Estádio Jacques da Luz, nas Moreninhas, utilizado atualmente pelos times de Campo Grande em campeonatos estaduais e nacionais.
Modernização futura

Na última segunda-feira (5), o Governo do Estado oficializou um contrato de R$ 3,8 milhões para a realização de um projeto para modernizar o Morenão. O contrato prevê também a maximização do uso do ativo e o aproveitamento de sua localização estratégica.
“A situação de arrumar e readequar o estádio nesse momento é para que a gente possa ter jogos domésticos e eventos culturais. Paralelo a isso, o Governo do Estado assinou um contrato com a empresa Alvarez Marçal, a qual está fazendo os estudos há praticamente três meses e vai apresentar o projeto”, explica André Chita.
O projeto visa reunir informações para um futuro investimento, por meio de uma PPP (parceria público-privada), para transformar o Morenão em uma arena. “Vai se mostrar o quadro em que está o estado do nosso futebol sul-mato-grossense e as nossas dependências enquanto estádios. Diante disso, através do EPE (Escritório de Parcerias Estratégicas), vamos ver as empresas que se interessam para tornar [o Morenão] uma arena, no longo prazo”, afirma o coordenador.
A PPP, no entanto, é um processo demorado. Segundo André, apenas o prazo para a submissão de propostas pode durar cerca de um ano. Por isso, uma possível modernização do estádio pode demorar entre três e cinco anos. “Não vai ser da noite para o dia, não adianta gerar expectativa de que vai ter um naming rights de 12 meses, dois anos, isso aí é impossível. Mas a projeção é que a gente possa buscar um investimento macro diante da PPP para que o Morenão seja uma arena multiúso para grandes eventos”, completa.
O que mudará com a reforma?

As obras de readequação, conforme o termo de referência da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul), estão divididas em quatro níveis: térreo e estrutura base; nível intermediário e rampas principais; circulação superior; e arquibancadas, cabines de imprensa e acessibilidade.
Na prática, cada nível conta com serviços específicos e substituições de estruturas antigas por novas. Também serão reformadas as instalações hidrossanitárias e elétricas, que, juntas, custarão cerca de R$ 6,1 milhões.
A maioria das mudanças pretende garantir a segurança do público e a readequação do estádio. Serão construídos novos corrimãos, guarda-corpos e rampas de acesso às arquibancadas, assim como portas do tipo corta-fogo e a substituição de portões. As obras também preveem medidas de segurança, como pisos antiderrapantes e sinalização nos degraus.
Em nível de acessibilidade, serão construídas plataformas de acesso para o público PcD (pessoa com deficiência). Também estão previstas reformas nas cabines e na sala de imprensa, com mudança completa no acabamento e na estrutura interna.
Confira imagens do Morenão antes da reforma:















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(Revisão: Dáfini Lisboa)








