O audiovisual de Mato Grosso do Sul chega ao Dia do Cinema Brasileiro, celebrado nesta quinta-feira (19), em um momento de crescimento. Nos últimos anos, o setor ampliou a produção local, ganhou novas fontes de financiamento e passou a ocupar mais espaço em festivais e mostras dentro e fora do Estado.
Somente por meio da Lei Paulo Gustavo, Mato Grosso do Sul recebeu mais de R$ 20 milhões para projetos audiovisuais. Os investimentos se somam aos recursos do Fundo de Investimentos Culturais (FIC) e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que passou a garantir financiamento contínuo para a cultura.
Neste ano, a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul lançou três editais voltados ao audiovisual, totalizando R$ 1 milhão. As chamadas contemplam o licenciamento de obras já finalizadas, a produção de curtas-metragens de animação e o apoio à participação de produções sul-mato-grossenses em festivais nacionais e internacionais.
Para o cineasta Roberto Leite, o momento atual está entre os mais importantes da história do audiovisual sul-mato-grossense. Segundo ele, os recursos federais fortaleceram a produção local e permitiram que produtores, diretores, roteiristas, técnicos e artistas desenvolvessem projetos com mais qualidade e alcançassem novos espaços de exibição.
Leite ressalta, porém, que esse crescimento não começou agora. De acordo com ele, profissionais do Estado já vinham construindo o setor por meio de editais estaduais e iniciativas da iniciativa privada, criando as bases para o cenário atual. O cineasta também alerta para a necessidade de garantir a continuidade dos investimentos e a execução dos recursos dentro dos prazos previstos.
O avanço da produção pode ser observado nos festivais locais. Conforme o produtor cultural Dannon Lacerda, a última edição do Festival Curta Campo Grande recebeu 32 inscrições de curtas-metragens produzidos em 2024 e 2025, número bem superior ao registrado antes da pandemia, quando as produções locais raramente ultrapassavam cinco por ano.
Para Lacerda, o desafio agora é transformar o crescimento quantitativo em desenvolvimento sustentável, com investimentos permanentes na formação de profissionais. Ele destaca que o audiovisual movimenta diferentes setores da economia, como turismo, comércio, tecnologia e serviços.
Outra iniciativa vista como estratégica para os próximos anos é a Film Commission de Mato Grosso do Sul. Roberto Leite avalia que a ferramenta poderá aumentar a visibilidade do Estado, atrair produções externas e criar novas oportunidades para profissionais locais.
A formação profissional também tem contribuído para o amadurecimento do setor. A criação do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) ampliou o acesso à qualificação técnica e ajudou a formar uma nova geração de realizadores.
O cineasta Thiago Rotta afirma que o audiovisual já ultrapassou o campo exclusivamente cultural e deve ser encarado como um setor estratégico para o desenvolvimento do Estado. Segundo ele, a atividade fortalece cadeias produtivas, valoriza a identidade dos territórios e conecta Mato Grosso do Sul a novos mercados e públicos.
Já a gestora cultural Andréa Freire, coordenadora do Bonito CineSur, observa que as produções locais estão mais diversificadas, com novas linguagens, realizadores e temas. Ela avalia, porém, que ainda é necessário ampliar os mecanismos de distribuição para garantir que os filmes cheguem ao público.
Entre os principais desafios apontados pelos profissionais do setor estão a manutenção de políticas permanentes de incentivo, o fortalecimento da Film Commission, a ampliação da circulação das obras e a continuidade dos editais públicos.
O cenário atual é resultado de décadas de trabalho de realizadores, produtores e instituições culturais e, na avaliação dos profissionais, abre caminho para que o audiovisual sul-mato-grossense amplie sua presença dentro e fora do país nos próximos anos.
* Com informações da FCMS.
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