Mística, religiosa, transgressora, visionária… esses são apenas alguns dos adjetivos utilizados para descrever Lídia Baís. Com sua arte que desafiava os padrões estéticos e sociais, a artista campo-grandense marcou a cultura da Capital e do Estado, tornando-se uma referência para vários artistas. Esse é o caso da dançarina contemporânea Ana El Daher, que compartilhou o desafio de interpretar a trajetória da pintora para a dança.
Bailarina profissional há 30 anos, a campo-grandense Ana El interpretou Lídia Baís recentemente em um espetáculo de dança apresentado na Capital. Apesar das três décadas de profissionalismo, Ana contou que representar a artista foi uma experiência desafiadora.
“Foi bem difícil para mim, para minha carreira. Porque muito se fala sobre Lídia e pouco se sabe o quão verdadeiro é tudo que a gente escuta, tudo que a gente lê, tudo que a gente fica sabendo dela”, detalhou a artista, que confessou ter mergulhado na trajetória pessoal e artística de Lídia para vivê-la no espetáculo.
“Algumas de suas pinturas tornaram-se ponto de partida para a construção da linguagem corporal. Para isso, estudei sua história, contemplei suas obras, ouvi inúmeras trilhas e, acima de tudo, aprendi a me escutar. Cada escolha coreográfica surgiu desse diálogo entre a pesquisa e aquilo que sua trajetória despertava em mim”, completou Ana.

Conhecida por seu espírito criativo e desbravador, Lídia Baís se tornou uma referência no campo artístico e social por romper muitas normas impostas às mulheres de sua época. No entanto, sua personalidade, por vezes um tanto reclusa, também deixou um passado cheio de mistérios sobre a pintora. Por isso, Ana deixou claro que encenar a artista no palco foi além de partilhar a biografia de Lídia.
“A intenção sempre foi revelar ao público o quanto sua trajetória é rica, repleta de caminhos, camadas, contrastes e perguntas que continuam ecoando no tempo. Por isso, mais do que contar uma história, busquei criar uma experiência em que cada espectador pudesse encontrar a sua própria leitura”, explicou.
A bailarina acredita que trazer à tona a história de Lídia Baís em dias atuais é uma maneira de propagar a trajetória da artista, que, apesar de ter sido pioneira em muitos aspectos, ganhou notoriedade somente após o seu falecimento.
“Ela virou referência depois de seu falecimento, mas poderia, sim, ter sido uma referência viva. Muita gente teria acesso a ela, às obras dela, à forma como ela pintava. O trabalho produzido por ela é muito importante para Campo Grande e Mato Grosso do Sul em geral”, concluiu.
O trabalho produzido por Lídia Baís pode ser encontrado no Marco (Museu de Arte Contemporânea) e no Museu Lídia Baís, ambos em Campo Grande. O espetáculo de Ana, o “L’Existence – Lídia Baís”, foi dirigido por Selma Azambuja e teve como direção artística o trabalho de Monique Paes e da própria Ana.
A apresentação estreou na terça-feira (4), no Teatro Glauce Rocha. Segundo a artista, a expectativa é de que o “L’Existence – Lídia Baís” ganhe outra sessão em setembro.

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(Revisão: Nichole Munaro)











