O Dia de Finados é o momento em que as energias de Omolu (ou Obaluaê), um dos Orixás mais importantes e respeitados nas religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, se fazem fortemente presentes. Isso ocorre pois a crença o tem como guardião das almas, o senhor da terra, dos cemitérios e da transmutação espiritual.
Na umbanda e no candomblé, o dia 2 de novembro é dedicado a honrar a ancestralidade e a pedir proteção, saúde e a elevação dos espíritos que já partiram.
Sendo assim, nesta segunda-feira (2), o Cemitério Santo Amaro, o maior de Campo Grande, foi palco de um ritual a Omolu para amenizar o sofrimento das almas do purgatório. O rito ocorreu no cruzeiro do campo santo, ainda pela manhã, quando pipocas foram jogadas no local.

Além de servirem para fazer orações às almas que precisam e para quem está longe ou não achou o túmulo do ente querido no cemitério, os cruzeiros são usados para a realização desse ritual.
Entre os elementos necessários para o rito está a pipoca, estourada na areia fina ou no óleo, sem sal e sem tempero. Esse alimento simboliza as chagas que se transformam em flores e a evolução da alma.

A professora Márcia Regina foi a responsável por expressar essa fé no cruzeiro do Cemitério Santo Amaro neste Dia de Finados. Ela conversou com a reportagem e deu detalhes do costume.
“É um ritual para Omolu, que é o Orixá das almas benditas, das almas do purgatório… A gente costuma, na nossa religião, trazer alimento, que é a pipoca, e a água, para amenizar o sofrimento das almas benditas. Então a gente coloca isso, não deixa nenhum resíduo, as pombas vêm e comem e a gente não deixa nada para não poluir o ambiente. Essa é nossa função aqui na Terra, fazer o bem e a caridade”, explicou a educadora ao Jornal Midiamax.

O pedreiro Miro Barbosa de Souza também foi ao cruzeiro do mesmo cemitério manifestar sua devoção. Ele acendeu velas no local, uma vez que não encontrou os túmulos de seus parentes.
“Todo ano eu venho porque a gente tem saudade da família, dos entes nossos, então isso é muito importante pra gente. Porque aqui estão meus parentes, a gente não acha a cova, então viemos aqui no cruzeiro para prestar homenagem à família”, contou.

O padre João Marcos de Almeida Molina ainda destacou o sentido do cruzeiro. “É um espaço para levar a Deus um pedido de oração por todos aqueles que aqui estão, ou pelos seus entes queridos, e por isso se acende esta vela como símbolo da presença de Deus, como luz que ilumina a nossa vida. Para que cada vez mais aqueles que nos deixaram possam alcançar essa misericórdia de Deus no coração do próprio Cristo”, declarou.

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(Revisão: Nichole Munaro)









