Se antes a vida nas ruas era marcada pelo abandono, hoje a rotina do cachorro SRD (sem raça definida) Cleitinho é de cuidados, uniforme personalizado e ração premium. O animal foi adotado pelos frentistas de um posto de combustíveis na Rua Trindade, na Vila Leda, em Campo Grande.
Funcionário do posto há 12 anos, Douglas Rodrigues de Souza conta que o cão nem precisou insistir muito para conquistar a confiança da equipe, há cerca de quatro meses. O “fiapo de manga”, como são conhecidos os cachorros de pelagem arrepiada, é carinhoso e está sempre pedindo carinho.
“Nós começamos a cuidar dele. Depois, vieram clientes trazendo ração e até coleira. Tem um vizinho veterinário que também cuida dele, dando medicamentos e vacinas. Ele chegou extremamente magro e doente. Hoje, tratamos as feridas em volta do olho; quando ele chegou, estava muito pior”, pontua.

Funcionário do mês?
Douglas também relata que Cleitinho mudou a rotina de trabalho. Inclusive, virou companheiro — ou melhor, segurança — dos funcionários do turno da madrugada.
“Aqui é uma região por onde passam muitos usuários de drogas. Ele cuida dos colegas e até late quando percebe algo diferente. É uma companhia que muda a forma de trabalhar”, pontua.
Outro funcionário, que preferiu não se identificar, conta que o primeiro nome do cão era “Figueirinha”. No entanto, ele passou a atender ao chamado de Cleitinho.
“Ele fica no pátio, em frente à conveniência, pedindo carinho para os clientes. É uma figura conhecida. Tem cliente que compra ração boa para ele, até sachê de marca.”

Uniforme personalizado
Douglas relembra que, em um dia frio, a equipe decidiu vestir um uniforme velho no animal para aquecê-lo. No entanto, a gerente fez questão de tirar todas as medidas e providenciar um uniforme amarelo personalizado.
“A ideia foi da Andreia, nossa gerente. Hoje nós tiramos o uniforme para lavar, porque o Cleitinho o sujou. Em breve, ele vai ganhar até um crachá.”
“Ele ganhou um cantinho para dormir próximo à área de troca de óleo. É muito obediente e, quando o movimento de carros está intenso, mandamos que fique lá por segurança. Ele entende direitinho”, pontua Douglas.
“O Cleitinho vivia na rua, perambulando por aqui. Inclusive, já foi atropelado. Hoje, ele não sai mais do posto. Foi ele quem nos adotou”, conclui o colega.






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(Revisão: Dáfini Lisboa)





