Quando ouvimos falar em pica-pau, logo pensamos nos pássaros que ostentam um topete vermelho, e isso, claro, tem influência direta do desenho animado que leva o nome da ave e segue no imaginário de muita gente. No entanto, em Mato Grosso do Sul, outra espécie sobrevoa as áreas verdes do Estado e surpreende os avistadores mais atentos: o pica-pau-de-cabeça-amarela.
A espécie mede entre 27 e 30 centímetros e pesa entre 110 e 165 gramas. Sua cabeça e pescoço são amarelos, mas as penas do corpo são pretas, com pequenos detalhes brancos. Enquanto a fêmea tem bochechas amarelas, os machos têm uma mancha vermelha abaixo do olho, o que facilita diferenciá-los.
E, embora muitas espécies de pica-pau estejam em alerta para extinção, os de cabeça amarela são comuns e podem ser encontrados em diferentes regiões do Brasil. No entanto, há uma ‘preferência’ da espécie no bioma de Mata Atlântica, o que torna seu avistamento aqui no Estado muito mais comum, principalmente na região sul, onde há predominância desse ecossistema.

Espécie divide as tarefas ‘domésticas’
Diferentemente de outras espécies da fauna, que concentram todas as funções dos filhotes e do ninho às fêmeas, o casal de pica-pau-de-cabeça-amarela divide todas as tarefas. Assim, macho e fêmea preparam juntos o ninho — que pode ser cupinzeiro, buracos e troncos ocos —, fazem as incubações dos ovos por meio de revezamento e participam ativamente da busca por alimento e dos cuidados com o filhote após o nascimento.
Além disso, a espécie é considerada uma ‘engenheira florestal’, pois os buracos que escava para criar ninho ou garantir alimento acabam servindo como abrigo para outras inúmeras espécies de aves e animais.
Espécie pode ser polinizadora
Outra curiosidade muito interessante sobre a espécie é que ela pode, indiretamente, ser polinizadora. E esse fato está totalmente ligado à dieta variada do pica-pau-de-cabeça-amarela, que inclui insetos, larvas, formigas, cupins, frutas e até flores.
E é nesta última que pode ocorrer a polinização. Segundo o professor e biólogo José Milton Longo, embora raro, quando o pica-pau se alimenta do néctar das flores, acaba tocando as anteras e os estigmas com a cabeça e o pescoço. Então, o pólen gruda em suas penas. Ao visitar outra flor, o pó, que contém as células reprodutivas, cai e pode polinizar a planta.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









