Você sabia que uma base de mesa tornou-se um dos monumentos mais charmosos da Capital? E uma das calçadas mais movimentadas da cidade, localizada em frente a um bar na Barão do Rio Branco, também é um monumento? No local, um ativista ateou fogo no próprio corpo em protesto contra crimes ambientais. Em comemoração aos 127 anos de Campo Grande, relembre essas e outras histórias sobre CG escondidas nos monumentos da Cidade Morena.
Durante essa “caminhada” pelos monumentos de Campo Grande, não iremos passar pelo famigerado Obelisco, pelo símbolo da UFMS ou pela família de José Antônio Pereira. Nossa primeira parada será nos jardins da Morada dos Baís.
O museu, conhecido por expor pinturas e a história da artista Lídia Baís, também tem como destaque uma escultura — a “Los Amantes”, produzida pelas mãos de José Carlos da Silva, um abraço imortalizado em pedra há mais de 30 anos que se tornou um dos monumentos mais charmosos da Capital.
Uma das curiosidades do trabalho é que a peça foi concebida para um fim utilitário. Acredite ou não, a escultura foi produzida para ser uma base de apoio para a sustentação de um tampo de mesa.

Além disso, seria a ‘Los Amantes campo-grandense’, de 1989, inspirada no famoso quadro “Os Amantes”, de 1928, do bélgico René Magritte?
João Paulo II em CG
Por falar em arte, um polaco dramaturgo e aspirante a poeta também marcou a história de Campo Grande. Em sua mocidade, Karol Józef foi um artista, escritor e ator, apaixonadíssimo por arte, mesmo com a vida conduzindo-o para caminhos bem diferentes. Em 16 de outubro de 1978, foi eleito papa, convertendo-se em Papa João Paulo II.
João Paulo II ficou mundialmente conhecido como o “Papa Peregrino”, em razão de seu costume de percorrer o mundo em visitas apostólicas oficiais. Por quatro vezes veio ao Brasil: a primeira visita ocorreu em 1980 e a segunda em 1991, ocasião em que esteve em Campo Grande.
Durante sua passagem pela Capital, em 1991, o sacerdote reuniu um público estimado em 100 mil pessoas no local, denominado, atualmente, Praça do Papa, onde se encontra o monumento em sua homenagem.

Protesto na Barão do Rio Branco
Além dele, outra personalidade registrou seu nome em uma das ruas centrais da Capital. Na Rua Barão do Rio Branco, entre as ruas 13 de Maio e 14 de Julho, desde 2006, encontra-se em um adesivo de vidro o “Memorial Francisco Anselmo de Barros”. O ambientalista morreu em 12 de novembro de 2005, aos 65 anos, após incendiar o próprio corpo.
A ação foi em protesto contra ações do Governo de Mato Grosso do Sul, que discutia a implantação de usinas de álcool e açúcar na Bacia do Alto Paraguai. A permissão de tais atividades provocaria desmatamento, poluição e o desequilíbrio dos ecossistemas.
Na ocasião, Francisco estendeu dois colchonetes em forma de cruz na calçada, ensopou-os com dois galões de gasolina e ateou fogo no próprio corpo. O ativista morreu dois dias depois na Santa Casa de Campo Grande, com graves queimaduras.

Apesar do protesto do ativista, o projeto de lei só foi desaprovado por pressões impostas pela opinião pública aos deputados estaduais. No ano seguinte, foi inaugurado o Memorial em homenagem a 5 de junho de 2006, Dia do Meio Ambiente, no exato lugar onde Francisco teria se sacrificado pela causa.
Passados mais de 17 anos da morte de Francisco, o governo brasileiro permite não apenas que a cadeia da cana-de-açúcar se instale no Pantanal, mas também na Amazônia.
Além dos bustos e do pé roubado, os monumentos de Campo Grande revelam essas e outras histórias sobre a Capital e podem ser encontrados na revista “Marcos e Monumentos Históricos de Campo Grande”, 3ª edição. O compilado foi utilizado como referência bibliográfica para esta publicação.
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(Revisão: Nichole Munaro)


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