Da lenda do “Rondante Sem Rosto” à misteriosa “Noiva Morta do Cera”, Aquidauana virou cenário de histórias dignas de um filme de terror nas redes sociais. O responsável por resgatar esses relatos é o criador de conteúdo Guilherme Henrique Ortega Gonçalves, conhecido como Calley Justin, que transformou a curiosidade pelas histórias populares na série “Aquidauana Horror Story”.
O projeto nasceu depois que o influenciador percebeu a escassez de registros sobre as lendas da cidade, apesar de ouvi-las desde que se mudou para Aquidauana. Além disso, ele se mudou há pouco mais de um ano, quando moradores e amigos começaram a contar lendas urbanas que atravessam gerações.
“Sempre ouvi falar das lendas urbanas daqui, como o ‘Buraco da Ester’, túnel embaixo da Igreja Matriz, entre outras. Sempre tive interesse nesses assuntos. Quando ia pesquisar, encontrava bem pouco ou quase nada sobre as lendas. Então, decidi contar a primeira. Depois, choveram de lendas no meu direct do Instagram e TikTok”, conta.
Logo depois da primeira lenda publicada, os moradores passaram a comentar sobre outras dezenas que cercam a cidade. O fato de Aquidauana ser uma das mais antigas de Mato Grosso do Sul colaborou para a riqueza de lendas.
Viralizou
Embora hoje seja conhecido pelas histórias sobrenaturais, Calley conta que sua motivação sempre foi se comunicar com as pessoas. Com o tempo, ele percebeu que os vídeos poderiam cumprir um papel maior no quesito de preservar a memória popular de uma cidade considerada porta de entrada do Pantanal.
“Quando eu vi a necessidade de alguém contar a história de uma cidade que é portal para o Pantanal, me vi nessa missão e, hoje, conto com muita felicidade. Vejo os pais e até avós assistindo e me relatando acontecimentos sobrenaturais que aconteceram com eles.”
“As pessoas me contam com um brilho no olhar, e eu simplesmente tento repassar com a mesma expressão com que me contaram. Muita gente não quer se identificar, então eu conto como se tivesse acontecido comigo. Eu vivo a história do outro.”
Lendas espalhadas em MS
O sucesso da série fez com que moradores de outras cidades também passassem a enviar relatos. Agora, Calley pretende ampliar o projeto para além de Aquidauana.
“Eu pretendo contar mais sobre o meu Mato Grosso do Sul. Já vieram relatos de Miranda e Bonito. Até fui convidado a ir para Porto Murtinho por uma seguidora.”
“Os relatos e as histórias da população ajudam a preservar e reviver essas memórias. Por isso, quis contar para deixar registrado o que é dito popular. Hoje, se uma criança que não sabe a história de Aquidauana vê meus conteúdos, fica perplexa. A cidade, até há pouco tempo, não tinha relatos do tipo. Fico feliz em saber que muitas crianças e adultos compraram a ideia e afirmam nos comentários que é verídico.”
Arrepio durante as gravações
Além de narrar as histórias, Calley visita os cenários onde elas supostamente aconteceram. Um dos episódios mais marcantes foi o da lenda do túnel da Igreja Matriz. O influenciador relembra que sentiu na pele a sensação de cenário misterioso e ficou arrepiado durante toda a gravação.
Outro vídeo revive a lenda da “Noiva Morta do Cera”, inspirada na história de uma jovem assassinada em uma estrada próxima ao Morro do Paxixi. Segundo a tradição popular, ela morreu antes de descobrir a verdade sobre o crime e nunca encontrou descanso. Até hoje, moradores, motoristas e grupos de ciclistas afirmam ter visto uma mulher vestida de noiva caminhando pela estrada durante a madrugada.
“Nas primeiras lendas, eu gravava sozinho, com a ajuda de um tripé, apertava o ‘REC’ e ia para frente do celular. Daí, na lenda da Rua Sete de Setembro, o microfone simplesmente captou sons que eu não ouvia e só percebi na edição essa interferência”, pontua.
‘Oi, Bilri’
A série acabou popularizando uma expressão que hoje já virou marca registrada de Calley: o cumprimento “Oi, Bilri”.
Segundo ele, tudo começou em uma conversa com uma amiga. Basicamente, a palavra é uma regionalização da palavra em inglês “beautiful”, que significa “bonito” ou “bonita”.
“A gente falava e soava muito difícil. Daí veio a ideia de ‘Bilri’, um jeitinho mais carinhoso de falar. Eu não tinha intenção nenhuma de usá-lo nas lendas, porém, no primeiro vídeo, eu simplesmente falei: ‘Oi, Bilri, tudo bem com vocês?’. Pegou de um jeito que hoje, quando todos me veem na rua, já falam”, conclui.
Confira:
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(Revisão: Nichole Munaro)








