O mês de outubro não perdoa em Campo Grande. O sol castiga e a resposta do campo-grandense é quase instintiva: encher a cuia, colocar gelo na térmica e chamar os amigos para a roda de tereré. Considerado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, o hábito é mais do que uma bebida: é a essência do convívio sul-mato-grossense.
Mas, em 2026, quanto custa esse ritual? Fizemos um “raio-X” dos principais itens que compõem a roda de conversa na Capital para descobrir se a inflação tem estragado o sabor da tradição.
O preço do ‘ouro verde’
O primeiro passo para um tereré de respeito é a escolha da erva. Nas prateleiras dos grandes atacarejos e mercados de bairro da cidade (como mostram as imagens do nosso levantamento), a variedade é imensa. Vemos desde os pacotes tradicionais até as embalagens de opções “mentadas” e “limão”.





No entanto, a variação de preço é o que chama atenção.
Enquanto as marcas tradicionais de moagem média e forte nos supermercados oscilam entre R$ 10,00 e R$ 20,00 o quilo (dependendo da promoção), a busca por sabores diferenciados (como as misturas com hortelã ou limão) pode elevar o custo para até R$ 25,99 o pacote de 500 g, dependendo da marca.
Para quem busca a experiência raiz, o Mercadão Municipal continua sendo a referência.
- No Mercadão: a erva tradicional média forte ou crioula, que é a base do tereré, pode ser encontrada a partir de R$ 14/kg. Já as opções mais elaboradas, como a defumada ou a Irochim gaúcha, custam em média R$ 22/kg.
- Nos mercados: a praticidade dos pacotes fechados (500 g) faz o consumidor pagar um pouco mais por embalagem, mas garante a familiaridade da marca já conhecida.
Tereré pra todo gosto
Além do preço, os estabelecimentos também divergem no perfil do público consumidor. No Mercadão Municipal, a clientela é tradicional e frequente ao longo de todo o ano.
“Mesmo com a mudança do tempo, chuva, calor, sempre sai bastante erva, ainda mais as tradicionais, pura folha”, conta Gustavo Borges, gerente de uma banca de tereré no Mercadão Municipal.
Como a procura é estável ao longo de todo o ano, o preço não costuma variar.
“Se subir, é coisa de R$ 1, no máximo. E aí é por conta da safra, a demanda não interfere”, explica o gerente.
Já as lojas especializadas abraçam um perfil mais eclético e sazonal.
“Como a erva-mate traz refrescância, a procura aumenta uns 50% nos meses mais quentes, de outubro a março”, afirma Antônio Branco, proprietário de uma loja especializada em tereré em Campo Grande.
Essa sazonalidade da procura é refletida no preço, que pode chegar a aumentar em até R$ 10, dependendo da erva.
Ainda, conforme Antônio, muitos clientes que chegam à sua loja buscam novidades.
“Que sabor novo você tem?”, chegam perguntando.
O aliado do calor
Não há tereré sem gelo. Com as temperaturas acima dos 30°C, o gelo torna-se um item de luxo no orçamento.
No levantamento, o pacote de gelo em cubos de 5 kg sai de R$ 10,49 a R$ 18,98. Para quem consome o dia todo, o custo diário do gelo pode competir com o da própria erva.
O custo do equipamento
Se a erva é o combustível, a garrafa térmica é o motor. As térmicas de inox e as bombas de alumínio (ou madeira) sofreram reajustes significativos nos últimos anos.
Uma boa garrafa térmica para manter o gelo intacto por 12 horas pode chegar a custar até R$ 200.

Já as bombas, o item mais “esquecido” na hora de lavar, vão de R$ 10 (simples) e podem ultrapassar os R$ 100 (modelos com filtro de pressão).

Dicas para economizar
- Compre a granel no Mercadão: se você consome muito tereré, comprar 1 kg ou 2 kg a granel, no Mercadão Municipal, garante um preço mais baixo por quilo do que os pacotes pequenos do supermercado.
- Invista na térmica certa: uma térmica de qualidade (como as de inox com tecnologia de vácuo) mantém o gelo por mais tempo, reduzindo a necessidade de comprar gelo todos os dias.
- Aproveite as promoções de “sabor”: as ervas saborizadas são mais caras, então, aproveite preços promocionais. Além disso, comprar a erva tradicional e adicionar folhas frescas de hortelã ou rodelas de limão em casa é uma alternativa mais barata e mais saborosa.
- Gelo caseiro: se o freezer permitir, faça gelo em casa ou compre em grandes quantidades nos atacarejos, onde o preço do pacote de 5 kg costuma ser mais competitivo.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








