Nos últimos dias, quem passou por alguns pontos de Campo Grande pode ter se deparado com uma cena que chama atenção: várias araras-canindés reunidas no chão. Os registros viralizaram nas redes sociais e, de longe, até parecem mostrar uma verdadeira “reunião de araras”.
Mas o encontro tem uma explicação bem mais simples. É época de cumbaru. O fruto do barueiro (Dipteryx alata), também conhecido como baru, faz parte da alimentação das araras e, nesta época do ano, pode ser encontrado seco no chão. É justamente nesse momento que as aves descem das árvores para procurar o alimento.
Segundo a bióloga e pesquisadora do Instituto Arara Azul, Larissa Tinoco, que atua principalmente no Projeto Aves Urbanas – Araras na Cidade, esse comportamento é normal e está diretamente relacionado à forma como o fruto fica disponível para as aves.
“O cumbaru é um fruto que, quando está na árvore, ainda, as araras não conseguem abrir para acessar a semente, que é o que elas consomem. Então, há um período em que essas árvores estão carregadas. Depois, eles caem no chão, vêm as formigas e consomem a parte externa, expondo a parte mais rígida desse fruto, onde vai estar a semente protegida”, explica.
Castanha para elas
O processo continua com a ação do clima. “Aí vem chuva, vem seca, seca essa parte, facilitando a abertura. Então, é comum a gente ver as araras no chão procurando esses frutos secos que são fáceis de abrir para consumir a semente.” Por isso, setembro e outubro acabam sendo meses em que a presença das araras no chão fica mais evidente.
O cumbaru é produzido pelo barueiro, árvore nativa do Cerrado que também ocorre em Mato Grosso do Sul. O fruto guarda em seu interior uma amêndoa comestível, protegida por uma estrutura bastante resistente. Para as araras-canindés, encontrar o fruto já seco significa ter acesso mais fácil justamente à parte que interessa.
“Essa época de setembro, outubro, é uma época que tem esses frutos secos. Por isso, a gente visualiza bastante elas no chão, comendo. É o único fruto que elas forrageiam no chão; o restante é diretamente nas árvores”, detalha Larissa.
Alerta nas ruas
Apesar de o comportamento ser natural, a presença mais frequente das araras no chão também exige atenção de quem circula pela cidade. Recentemente, o motorista de aplicativo e influenciador digital Willian Lima compartilhou nas redes sociais o registro de uma arara ferida, aparentemente atropelada. Não é possível afirmar que o caso esteja relacionado ao aumento da presença das aves no chão, mas a situação reforça a necessidade de cuidado de motoristas.
Ao avistar animais silvestres próximos ou atravessando a via, a orientação é reduzir a velocidade, manter distância e evitar qualquer tentativa de aproximação. Além de proteger as aves, o cuidado também diminui o risco de acidentes.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)










