Tradição adormecida em Campo Grande revive para a Copa e ruas voltam a ganhar cores da Seleção Pular para o conteúdo
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Tradição adormecida em Campo Grande revive para a Copa e ruas voltam a ganhar cores da Seleção

Do Centro aos bairros mais distantes, moradores resgatam costume que une gerações e transforma ruas em pontos de encontro
Karina Campos -

Uma tradição que parecia adormecida em voltou a despertar às vésperas da Copa do Mundo. Do Centro aos bairros mais distantes, ruas ganham tons de verde e amarelo, resgatando um costume que marcou gerações, e os vizinhos se reúnem em prol da torcida.

Após anos sem grandes mobilizações, campo-grandenses voltam a se reunir para decorar as vias, pintar o asfalto e espalhar bandeiras, revivendo um hábito que, durante décadas, fez parte da identidade dos bairros ao longo dos mundiais.

No Centro, uma das iniciativas está na Rua 7 de Setembro, esquina com a Rua Bahia. A empresária Isabela Blanco conta que a ideia surgiu após uma conversa com uma funcionária do bar, que lembrava a tradição em sua cidade natal.

“Ela contou que em BH tinha pintura desde sempre. Eu falei: ‘Vamos fazer também’. Depois começou a pipocar em Campo Grande. Voltou algo que parecia cultura.”

Cartoon na rua

A partir daí, Isabela buscou autorização junto à Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) e contratou um artista para executar a pintura. “A única coisa que ele [Leon] falou era que queria manter o estilo dele. Eu também queria que tivesse algumas palavras, como Brasil.”

Responsável pela arte, o grafiteiro Matheus Leon explica que o trabalho mistura a expectativa pelo tão sonhado hexacampeonato com uma homenagem ao jogador Bruno Guimarães. Pintando desde os 15 anos, ele apostou em características marcantes do seu estilo.

“Ontem começamos; choveu um pouco à noite, e isso atrapalha. Agora, entre 2 e 3 dias, estará finalizado. Sobre meu estilo, gosto de trabalhar com o cartoon. Devido à Copa do Mundo, o pessoal busca trazer trabalhos diferentes, e eu gosto também.”

Tradição mantida há 12 anos

Enquanto o Centro redescobre o costume, no Conjunto Habitacional Bonança a tradição nunca deixou de existir. Na Rua Portinho, vizinhos se juntam há mais de uma década para decorar a via durante os anos de Copa do Mundo e nas festas juninas.

Entre tintas, bandeiras e bandeirolas, a preparação também se tornou um importante momento de convivência para a comunidade, formada majoritariamente por idosos.

Uma das pioneiras da iniciativa, a aposentada Virginia Ajala Peres, de 71 anos, viu a pintura na rua nascer. São quase 50 anos morando na mesma via.

“Quando me mudei para cá, era rua de chão. Essa tradição tem de 10 a 12 anos. A festa junina também. É importante porque é uma união, é uma convivência para nós, que já somos idosas. Para nós, é um apoio. Somos unidos.”

Hellen Lais Martins, pedagoga de 39 anos, e os vizinhos passaram horas costurando as bandeirolas verdes e amarelas. Além disso, todos eles decoraram as fachadas das casas.

“A maioria dos moradores é idosa, e a alegria deles é a Copa, é a festa junina. Nós juntamos os dois neste ano. Meus filhos começaram [a participar] pequenos, desde a primeira Copa [deles]. Hoje meu filho tem 13 anos e ajuda a pintar também.”

“Todo mundo ajudou, colaborou, dentro das suas possibilidades. Uns com a mão na massa, outros fazendo uma pipoca, com a companhia, com apoio moral, mas todo mundo ajuda de alguma forma.”

Hellen, Virginia e Edevanilce. (Mateus Andrade, Jornal Midiamax)

Festa junina e Copa

Para a aposentada e professora Edevanilce Martins, de 57 anos, a decoração é apenas um dos motivos para reunir os vizinhos.

“É um momento de puxar todo mundo para vir para a rua, se divertir, conversar, festejar. Até bingo fazemos”, diz.

“Teve ano em que todo mundo se reunia em uma casa e assistíamos todos juntos. Na festa junina, nós colocamos uma mesa grande e cada um traz um prato típico”, pontua.

Ruas pintadas

Outras ruas de Campo Grande já entraram no clima da Copa. Confira a lista das vias que colocaram a arte no asfalto:

  • Rua Armando Holanda, no Conjunto José Abrão
  • Rua Socó, no bairro Recanto dos Pássaros
  • Rua Horácio Lemos, no bairro Taquaral Bosque
  • Rua Francisco Morato, no bairro Varanda do Campo
  • Rua Juazeiro do Norte, no bairro Rita Vieira
  • Rua Oscár Ferreira Bugre, na Vila Nasser

Pode pintar a rua?

Em muitas cidades brasileiras, prefeituras abrem exceções e permitem a pintura de ruas para a Copa do Mundo. No entanto, isso exige autorização prévia do município. Em Campo Grande, essa autorização é emitida pela Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito).

O que pode:

  • A primeira coisa a ser feita pelo morador é solicitar um documento da Prefeitura para autorizar a pintura;
  • É permitido pintar somente vias locais, sem semáforos, com pouco fluxo de veículos;
  • A tinta deve ser lavável, de fácil remoção.

O que não pode:

  • Pintar sem autorização, pois pode gerar autuações;
  • Esconder sinalização de trânsito, principalmente faixas de pedestres;
  • Pintar vias de grande fluxo, como avenidas ou anéis viários.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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