A Prefeitura de Campo Grande adiou a decisão sobre a intervenção ou não no contrato do Consórcio Guaicurus, que estava prevista para ser anunciada nesta sexta-feira (12). A prefeita Adriane Lopes (PP) havia informado, após recomendação de intervenção pela comissão liderada pela PGM (Procuradoria-Geral do Município), que anunciaria a decisão sobre o assunto nesta sexta-feira.
Contudo, o Executivo decidiu focar na paralisação dos professores da Reme (Rede Municipal de Ensino) de Campo Grande devido ao reajuste salarial. Não foi informada uma nova data para o anúncio da decisão sobre o contrato do transporte coletivo.
Os profissionais da educação cruzaram os braços e as escolas municipais amanheceram sem aulas. Em meio à pressão dos professores da rede municipal por um reajuste salarial de 5,4% e ao alerta da ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública) sobre a possibilidade de greve, a Prefeitura de Campo Grande recebeu uma comissão da categoria nesta sexta-feira.
“Hoje a gente está discutindo só o piso salarial e só o reajuste de 5,4% […] Hoje só o salário dos servidores, da educação dos professores”, informou o secretário de Governo, Ulisses Rocha, ao ser questionado sobre a intervenção.
Durante evento na quarta-feira (10), a chefe do Executivo municipal rejeitou a proposta do Consórcio Guaicurus de dar mais dinheiro público para a manutenção do serviço de transporte coletivo sem antes haver melhorias por parte da concessionária.
Consórcio Guaicurus disse que ‘solução’ seria mais dinheiro público

✅ Clique aqui para seguir o Jornal Midiamax no Instagram
Após a comissão especial da Prefeitura decidir pela intervenção e ‘fechar o cerco’ ao contrato de concessão do transporte coletivo de Campo Grande, o Consórcio Guaicurus reconheceu as falhas apontadas na auditoria e insistiu na tese de que a solução seria mais dinheiro público.
Em nota oficial disparada após o relatório final da intervenção, o grupo que detém contrato bilionário volta a defender a tarifa técnica de R$ 7,79 — que é alvo de disputa na Justiça. “O transporte público de Campo Grande sofre com um descompasso estrutural crônico entre a tarifa técnica (o custo real do serviço) e a tarifa pública paga na catraca, agravado pela ausência de subsídios integrais para o custeio de gratuidades garantidas por lei”, diz, em trecho da nota.
Vale ressaltar que a concessionária pode receber cerca de R$ 70 milhões da Prefeitura de Campo Grande somente neste ano.
Dois pontos apontados como críticos no relatório que pediu pela intervenção do Consórcio Guaicurus destacaram as mais de 15 mil ocorrências de atrasos nas linhas e o alto índice de reprovação nas inspeções de segurança veicular, que passaram de 5,4% em 2020 para 18,6% em 2025.
Inclusive, o Jornal Midiamax revelou que, em todo o ano passado, foram 81 ônibus interditados pelo município por irregularidades.
Intervenção no Consórcio Guaicurus:
- Comissão decide pela intervenção e ‘fecha o cerco’ ao contrato do Consórcio Guaicurus
- Adriane deve decidir até sexta-feira por intervenção no Consórcio Guaicurus
- Vereadores apoiam intervenção e querem fim do contrato com Consórcio Guaicurus
- Entenda: intervenção pode resultar no fim da ‘era do Consórcio Guaicurus’ em Campo Grande
- Com dados de CPI e passageiros, Adriane Lopes recebe relatório sobre intervenção do Consórcio
- Com repasses de R$ 70 milhões, Consórcio Guaicurus estaria à beira da falência
- Relatório abre caminho para intervenção e quer revelar ‘caixa-preta’ do Consórcio Guaicurus
- Após CPI, Promotoria investiga falta de transparência do Consórcio Guaicurus
- ‘Visita de amigo’: dias após deixar Consórcio Guaicurus, ex-diretor se encontra a portas fechadas com Papy
🔵 Receba notícias de Política no seu WhatsApp
Participe do grupo de Política do Jornal Midiamax no WhatsApp e receba informações diárias de tudo o que acontece na política de Mato Grosso do Sul.
✅ Clique aqui para participar
(Revisão: Nichole Munaro)









