“É real? Tão perfeito que parece IA [inteligência artificial].” Esse foi um dos comentários feitos na publicação do Icas (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) – Programa de Conservação do Tamanduá-Bandeira, após o compartilhamento de imagens de pegadas registradas na área rural de Campo Grande.
Na semana anterior, a equipe de campo do Icas esteve na APA (Área de Proteção Ambiental) Guariroba, áreas dos Mananciais do Córrego Guariroba da Capital, acompanhando de perto os 24 tamanduás-bandeira monitorados da região.
As marcas delicadas chamaram atenção dos internautas, que chegaram a questionar se o registro havia sido criado por inteligência artificial. Mas as patinhas são reais e pertencem a um animal silvestre que vive no Estado.
Estes pezinhos são da Boo, uma tamanduá-bandeira fêmea de dois anos e que é monitorada no projeto de conservação da fauna. No último fim de semana, o animal recebeu um novo colar de GPS e passou por coleta de amostras que vão ajudar a acompanhar seu estado de saúde.
Conservação ambiental
Boo começou a ser monitorada há cerca de um ano, quando pesava 12 quilos e tinha aproximadamente um ano de idade. Atualmente, com 21 quilos e cerca de dois anos, ela está entrando em uma fase importante do ciclo de vida. As fêmeas costumam permanecer com a mãe até aproximadamente os seis meses de idade e, quando jovens, deixam a área onde nasceram para estabelecer um novo território, onde futuramente poderão se reproduzir.
Segundo os pesquisadores, acompanhar esse momento é uma oportunidade rara para entender melhor o processo de dispersão das fêmeas jovens, informação essencial para ampliar o conhecimento sobre a ecologia e a conservação da espécie. Boo recebeu esse nome do Brevard Zoo, da Flórida (Estados Unidos), instituição parceira que financia seu monitoramento.

Características marcantes
O tamanduá-bandeira é facilmente reconhecido pela longa cauda coberta por pelos, que lembra uma grande bandeira e deu origem ao nome da espécie. Mas, além dessa característica marcante, outro detalhe costuma despertar a curiosidade de quem o conhece de perto: suas patas.
Enquanto as dianteiras impressionam pelas enormes garras utilizadas para abrir cupinzeiros e formigueiros, as traseiras chamam atenção por lembrarem, de forma surpreendente, a pegada de um pé humano, especialmente o de uma criança.
Atualmente, o Icas acompanha 28 tamanduás-bandeira na APA do Guariroba. Cada indivíduo monitorado contribui para compreender aspectos como deslocamento, uso do habitat, saúde e comportamento da espécie, gerando informações que orientam ações de conservação e ajudam a garantir um futuro mais seguro para um dos mamíferos mais emblemáticos da fauna brasileira.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









