Candidata a uma vaga de emprego desistiu do processo seletivo, em Campo Grande (MS), após uma empresa da Capital enviar um questionário com perguntas impróprias em uma das etapas de seleção para o cargo.
Indignada, ela pesquisou e descobriu que algumas das questões da lista são proibidas por leis trabalhistas e preferiu continuar desempregada a respondê-las.
Ao Jornal Midiamax, a moradora do bairro Jardim Centenário conta que encontrou a oportunidade em um anúncio divulgado pela própria empresa nas redes sociais. Na arte, o estabelecimento disponibilizava um número de WhatsApp para os interessados entrarem em contato — e foi o que ela fez.
A vaga em questão era para atendente de caixa (com experiência) e o horário do expediente seria das 6h20 às 14h50, de segunda a sábado, e das 8h às 13h, aos domingos, com salário de “aproximadamente” R$ 2.100,00, em regime CLT.
16 perguntas e algumas polêmicas
Com uma filha pequena de um ano e apenas o marido trabalhando em casa, a jovem de 19 anos decidiu tentar e enviou uma mensagem. Logo em seguida, recebeu o aviso sobre os detalhes da vaga e a lista de perguntas.
“Leia com atenção as informações. Vaga para pessoas que realmente tenham comprometimento. Enviar currículo somente se tiver interesse na vaga. Responda o questionário abaixo se realmente quer participar do teste e entrevista. Após, marcaremos uma entrevista com teste na prática”, informa a loja, localizada no Jardim Leblon.
Na sequência, a mensagem traz o questionário com 16 perguntas:
1- Você está trabalhando atualmente?
2 – Mora em que região?
3 – Tem condução própria?
4 – Tem filhos? Se sim, quantos e qual idade?
5 – Casado(a) ou solteiro(a)?
6 – Qual sua religião?
7 – Fumante?
8 – Ingere bebida alcoólica? Sem sim, Com frequência ou socialmente?
9 – Já trabalhou em equipe? Se sim, como foi a experiência?
10 – Pretende trabalhar fixo ou temporário?
11- Qual sua pretensão salarial?
12- Tem disponibilidade para fazer um teste de imediato?
13- Como ficou sabendo da vaga?
14 – Qual sua idade?
15 – Para qual vaga você quer se candidatar?!
16 – Tem algum tipo de experiência na função que tem interesse?

Ao final, o processo seletivo é enfático: “Se você não quer participar da entrevista e do teste, por favor, não responda esse questionário”.
Abismada, ela procurou se informar e descobriu que perguntas sobre vida pessoal, religião, orientação sexual ou planos familiares são ilegais e não devem ser feitas pelo recrutador.
“Eu nem respondi. É a primeira vez que vejo esse tipo de pergunta em uma vaga de emprego. Me decepcionou muito, outras vagas nunca mandaram isso”, lamentou.
Agora, a moradora do bairro Jardim Centenário segue à procura de uma oportunidade para conseguir contribuir financeiramente com as despesas familiares. “Hoje em dia tá difícil achar um serviço. Tenho uma filha de 1 ano e 6 meses e, por enquanto, só meu marido trabalha. Quero trabalhar pra ajudar ele”, finaliza.
Por que algumas perguntas do questionário são proibidas?
A legislação brasileira (como a Lei nº 9.029/1995) e a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) proíbem que recrutadores façam questionamentos de cunho pessoal, íntimo ou discriminatório que não tenham relação direta com a capacidade técnica para o exercício da função.
São proibidas algumas perguntas, como:
- Se é casado(a), se tem filhos, com quem as crianças ficariam ou se pretende engravidar.
- Qual é a crença religiosa ou o seu posicionamento político.
- Orientação sexual e identidade de gênero.
- Perguntas sobre a cor da pele, etnia ou xenofobia velada sobre o sotaque e localidade de nascimento.
- Se possui alguma doença, deficiência (fora vagas afirmativas específicas), se usa remédios controlados, se bebe ou fuma.
- Indagar a idade exata com viés de etarismo ou exigir dados sobre o estado civil.
Fale com os jornalistas do MidiaMAIS!
Tem algo legal para compartilhar com a gente? Fale direto com os jornalistas do MidiaMAIS através do WhatsApp. Mergulhe no universo do entretenimento e da cultura participando do nosso grupo no Facebook: um lugar aberto ao bate-papo, troca de informação, sugestões, enquetes e muito mais. Você também pode acompanhar nossas atualizações no Instagram e no Tiktok.
(Revisão: Dáfini Lisboa)







