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Transparência

Patrola venceu licitação de R$ 7,9 milhões com atestado suspeito de ‘obra fantasma’, diz MP

Manifestação do MP aponta falta de comprovação de que empreiteira tenha executado obra informada em atestado técnico
Gabriel Maymone -
Patrola faz acordo de meio milhão com fundação de maçons e adia despejo de empreiteira para janeiro
Empreiteira de Patrola. (Montagem: ALS e Patrola, Jornal Midiamax)

O Ministério Público aponta que a comissão de licitação da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) aprovou documentos de capacidade técnica com fortes indícios de irregularidades para declarar a empresa A. L. dos Santos & Cia Ltda, do empreiteiro André Luiz dos Santos, o Patrola, vencedora de uma obra de R$ 7,9 milhões para cascalhamento da rodovia MS-228, no Pantanal.

Segundo a manifestação assinada pelo promotor de Justiça Jorge Ferreira Neto Júnior, a comissão do governo “carimbou” e aceitou os papéis apresentados pela construtora sem fazer nenhuma checagem sobre a veracidade das informações.

Em trecho da manifestação, o representante do MP diz: “Conforme apurado pela CGU, a empresa A. L. dos Santos sagrou-se vencedora do certamente, mesmo diante de várias inconsistências, ex vi, a apresentação de atestados sem registro no CREA e a ausência de ART para determinados documentos, além da ausência de confirmação da execução de obra indicada em um dos atestados, sem qualquer diligência realizada pela comissão de licitação para verificar a autenticidade das informações”.

Constam como réus no processo dois ex-servidores e um funcionário concursado da Agesul.

Patrola ganhou licitação para cascalhar a rodovia MS-228, em Corumbá. (Chico Ribeiro, Subcom, Arquivo)

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Atestados sem registro e obra ‘fantasma’

Para conseguir participar e vencer a licitação (Concorrência nº 039/2017) para obras na rodovia MS-228, em , a empresa precisava provar que já tinha experiência e capacidade técnica para o serviço.

No entanto, uma auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União) e do MP revelou graves problemas nos papéis apresentados, como a falta de registro oficial das obras no Crea-MS (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul) e a falta de comprovação de que o serviço foi realmente executado.

Mesmo diante de falhas tão graves, a comissão de licitação deu o aval para a construtora sem realizar qualquer diligência para checar se os serviços tinham sido prestados de fato.

“Repetir o erro não o faz virar certo”

Em sua defesa no processo, uma das ex-servidoras tentou argumentar que as regras da licitação e a forma de análise eram apenas o “modelo padrão” usado em outros contratos da Agesul.

O promotor rebateu a tentativa de justificativa com uma mensagem direta: se o modelo já estava errado, usá-lo várias vezes não torna a situação legal. Para o MP, a repetição apenas mostra que a irregularidade vinha sendo praticada de forma contínua no órgão público.

Então, o Ministério Público pede que os ex-integrantes da comissão de licitação sejam condenados pela Justiça. Entre as punições previstas estão a perda dos direitos políticos, o pagamento de multas e a proibição de fechar novos contratos com o poder público.

Réus negam direcionamento

Por meio de petições apresentadas no processo, as defesas dos ex-servidores pedem a rejeição total das acusações e alegam que não houve qualquer intenção de fraudar o certame. Eles sustentaram que os integrantes da comissão de licitação não tinham competência legal para elaborar regras ou emitir pareceres técnicos e jurídicos, cabendo a eles apenas seguir os critérios objetivos estabelecidos pela área responsável do governo.

Os advogados afirmam ainda que nenhum dos investigados obteve vantagem financeira, agiu de má-fé ou causou prejuízo aos cofres públicos, ressaltando que o serviço contratado foi efetivamente prestado pela empresa vencedora.

A reportagem acionou a Agesul para se manifestar sobre o documento do MP, mas não houve retorno. O espaço segue aberto e o texto será atualizado assim que houver posicionamento.

Denunciado por corrupção

Agentes cumpriram mandados de busca na sede da Engenex, no início de agosto (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

Em 2023, Patrola e outros empreiteiros foram denunciados pelo MPMS por desvios em contratos de cascalhamento e locação de máquinas que ultrapassam R$ 300 milhões, segundo investigações.

Já em agosto de 2026, nova operação contra desvios em contratos de obras mirou novamente o empreiteiro, inclusive com buscas na mansão de Patrola, no Residencial Damha. Também houve buscas nas sedes da Engenex Construções e Serviços Ltda. (CNPJ 14.157.791/0001-72) e da MS Brasil Comércio e Serviços Eireli (CNPJ 14.335.163/0001-30), apontadas pelas investigações do Ministério Público como ‘laranjas’ de Patrola.

O Ministério Público afirmou que as fraudes em contratos de locação de máquinas e cascalhamento na Prefeitura de Três Lagoas ultrapassam a cifra de R$ 100 milhões.

A defesa de Patrola foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou sobre as acusações.

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