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Bill Gates depõe ao Congresso dos EUA em investigação sobre Jeffrey Epstein

O cofundador da Microsoft foi ouvido a portas fechadas pelo Comitê de Supervisão da Câmara
Agência Estado -
Bill Gates. (Foto: Reprodução)

O bilionário Bill Gates compareceu nesta quarta-feira (10), ao Congresso dos Estados Unidos para prestar depoimento a uma comissão da Câmara dos Representantes que apura possíveis conexões de figuras públicas com o financista Jeffrey Epstein, acusado de comandar uma rede de exploração sexual de menores.

Cofundador da Microsoft e presidente da Fundação Gates, ele foi ouvido a portas fechadas pelo Comitê de Supervisão da Câmara. Ao chegar ao Capitólio, afirmou que participava da audiência de forma voluntária e disse esperar que seu depoimento contribua para o trabalho dos parlamentares. “Espero que meu testemunho seja útil para o importante trabalho do comitê na busca por justiça para as vítimas”, declarou a jornalistas.

A convocação ocorreu após a divulgação de documentos pelo Departamento de Justiça americano no âmbito das investigações sobre Epstein. Os arquivos reúnem registros de encontros, trocas de mensagens e fotografias envolvendo empresários, políticos e outras personalidades que mantiveram contato com o financista ao longo dos anos.

No caso de Gates, os documentos incluem registros de reuniões com Epstein, correspondências eletrônicas relacionadas a projetos filantrópicos e imagens dos dois em eventos públicos. Segundo os arquivos, a relação entre eles começou em 2011 e se estendeu ao menos até 2014 – período posterior ao acordo judicial firmado por Epstein em 2008, quando ele se declarou culpado em um caso envolvendo prostituição de uma menor de idade na Flórida.

Apesar da exposição nos documentos, Gates não é acusado de participação nos crimes atribuídos a Epstein. Em diversas ocasiões, o empresário afirmou que os encontros tiveram como foco iniciativas filantrópicas e negou ter conhecimento dos abusos cometidos pelo financista. Um porta-voz do bilionário reiterou que ele jamais testemunhou ou participou de qualquer atividade ilegal relacionada a Epstein.

Os arquivos divulgados pelas autoridades também incluem um rascunho de e-mail atribuído a Epstein, datado de 2013, no qual o financista faz referência à vida pessoal de Gates. A mensagem, que aparentemente nunca foi enviada, menciona supostos relacionamentos extraconjugais do empresário.

Em fevereiro, durante reunião com integrantes da Fundação Gates, o bilionário classificou sua associação com Epstein como “um grande erro”, reconheceu ter mantido relacionamentos fora do casamento, mas negou qualquer envolvimento com vítimas do financista.

A própria Fundação Gates reconheceu neste ano que um pequeno grupo de funcionários chegou a se reunir com Epstein após ele alegar que poderia mobilizar recursos para projetos globais de saúde. Segundo a instituição, porém, nenhuma parceria foi firmada e nenhum recurso foi repassado ao financista. Em março, a fundação anunciou uma revisão externa para avaliar o histórico de contatos mantidos com ele.

A comissão do Congresso já ouviu outras figuras de destaque mencionadas nos documentos da investigação. Entre elas estão o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e o secretário de Comércio, Howard Lutnick.

Parlamentares democratas também defendem que o presidente Donald Trump seja ouvido, citando sua antiga relação com Epstein. Republicanos, por sua vez, afirmam não ter encontrado evidências de irregularidades envolvendo o atual presidente.

Epstein foi indiciado pelo governo federal americano em 2019 por acusações de tráfico sexual de menores e conspiração para exploração sexual. Os promotores afirmaram que ele manteve, entre 2002 e 2005, uma rede de adolescentes, algumas com apenas 14 anos, para fins de abuso sexual. O financista morreu na prisão em Nova York enquanto aguardava julgamento.

*Com informações das agências internacionais.

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