A cantora peruana Naldy Saldaña, de 26 anos, denunciou ter sido vítima de assédio e toques de conotação sexual durante um ensaio da banda de cumbia La Bella Luz, em Lima. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o diretor musical e tecladista da agrupação, César Sánchez Chavesta, a impede de passar, tenta beijá-la e a agarra enquanto ela tenta se afastar.
Em outro vídeo, gravado minutos depois, o homem volta a segurar a cantora e a toca em diferentes partes do corpo enquanto ela tenta se desvencilhar. As imagens foram registradas em 18 de junho e divulgadas pelo programa peruano Magaly TV, provocando uma onda de indignação nas redes sociais.
Segundo Saldaña, ela registrou uma denúncia no dia seguinte ao episódio e esperava uma reação da banda. A cantora, porém, permaneceu no grupo por cerca de um mês antes de deixar a formação. Ela afirma que os episódios de assédio já aconteciam anteriormente e que evitava até mesmo ir ao banheiro para não encontrar o diretor musical.
“Não é a primeira vez. Nesse mês que passou, eu evitava ir ao banheiro. Ele sempre colocava a mão em mim toda vez que eu passava”, relatou a artista. Segundo ela, os responsáveis pela orquestra não teriam adotado medidas efetivas após o relato e apenas diziam que ela iria “superar pouco a pouco” a situação.
Saldaña iniciou a carreira ainda adolescente e chegou a integrar o grupo Corazón Serrano aos 14 anos. Posteriormente, tornou-se uma das principais vozes da La Bella Luz, agrupação fundada em 1994 em Monsefú, na região de Chiclayo, e conhecida no cenário da cumbia peruana.
A Fiscalía Especializada em Violência contra a Mulher de San Juan de Lurigancho abriu investigação preliminar contra Sánchez Chavesta por suspeita do crime de toques, atos de conotação sexual ou atos libidinosos sem consentimento. Entre as medidas estão a coleta de depoimentos e das imagens das câmeras, além de providências de proteção à denunciante. O Ministério da Mulher também informou que oferecerá assistência jurídica, psicológica e social à cantora.
Após a divulgação dos vídeos, a La Bella Luz anunciou o desligamento de Sánchez Chavesta e declarou rejeitar qualquer forma de violência ou assédio. A repercussão também levou à suspensão de uma série inspirada na história da banda e ao cancelamento temporário de um reality que buscava encontrar uma nova cantora para a agrupação.
O caso ganhou repercussão nacional no Peru depois da exposição das imagens, que registraram toda a abordagem e a resistência da cantora.
* Com informações do El País
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