O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro divulgou nas redes sociais um vídeo, gravado em inglês, no qual pede “pressão internacional” para anular a eleição que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e derrotou seu irmão Flávio Bolsonaro (PL).
No material, publicado no X (antigo Twitter), ele afirma que a eleição “foi claramente fraudulenta” e pede pressão internacional para anular a vitória de Lula.
Eduardo mora nos Estados Unidos desde 2025 e tem mandado de prisão em aberto no Brasil. Em 8 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o início do cumprimento da pena de 4 anos e 2 meses em regime semiaberto, por coação no curso do processo da trama golpista.
O ministro também mandou cancelar os passaportes brasileiros do ex-deputado.
Segundo o TSE, Lula teve 51,79% dos votos válidos (64.255.541 votos), e Flávio, 48,21% (59.825.679), com 99,99% das seções totalizadas.
‘Estranho’ e ‘impossível por estatística’
No vídeo, Eduardo compara o cenário ao da Colômbia e diz ser “estranho” que, pela primeira vez desde a redemocratização, em 1985, o candidato mais votado no primeiro turno não tenha vencido o segundo no Brasil. Flávio terminou o primeiro turno com 47% dos votos, e Lula, com 45%.
O ex-deputado somou os votos dos candidatos que ficaram da terceira à sexta posição no primeiro turno, “um pouco mais de 9 milhões”, e argumentou que nenhum deles é de esquerda.
Disse que dois apoiaram Flávio abertamente, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, e que Augusto Cury não encorajaria eleitores a votar em Lula.
Para Eduardo, Lula “recebeu todos esses votos e ainda mais outros quase 2 milhões”, o que seria “simplesmente inacreditável”.
Ele exibiu um mapa com cidades em que Lula e Flávio teriam aumentado votos e afirmou: “Por estatística, isso é impossível de acontecer”.
“Além disso, cerca de 11 milhões de votos a mais do que Lula obteve, aumentando em quase 20% do primeiro para o segundo turno os votos de Lula. Isso é simplesmente inaceitável”, disse o irmão do candidato do PL.
Críticas a Zanin
Assim como Flávio, Eduardo atacou a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin, que prorrogou a votação por duas horas.
Disse que, depois das 17h, o ministro “decidiu por conta própria” adiar o encerramento, que isso “nunca aconteceu antes na história do Brasil” e que Zanin “não tem legitimidade para fazer isso”, por não integrar a Justiça Eleitoral.
Também afirmou que Zanin foi advogado de Lula e foi nomeado por ele ao Supremo.
Eduardo afirmou que é preciso cancelar esta eleição. “Precisamos de pressão internacional. Precisamos que vocês compartilhem este vídeo”, apelou.
“Ainda mais outros fatos estão surgindo agora”, disse Eduardo, sem detalhá-los. Ao fim, ressaltou o peso do Brasil: “Nós somos metade da América do Sul em termos de território, PIB e população”.
O que dizem as autoridades
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que “não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial” e que há “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”.
Segundo ele, a missão da OEA apontou ausência de interferência externa no pleito.
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, reconheceram a vitória de Lula. Alcolumbre declarou “reconhecimento incondicional à vontade soberana do povo brasileiro nas urnas”.
Flávio Bolsonaro disse que vai pedir a anulação da eleição ao Judiciário.
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(Revisão: Nichole Munaro)






