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Polícia

PCC tinha 7 distribuidoras em MS com administrador irmão de chefe da organização

Movimentação financeira de uma das empresas em MS teve crescimento de R$ 3 milhões para R$ 3 bilhões
Thatiana Melo -
PCC tinha 7 distribuidoras em MS com administrador irmão de chefe da organização
Dinheiro apreendido na ação (Divulgação)

O núcleo da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) atuava com divisão específica de tarefas, mantendo separação entre a gestão operacional das usinas e a gestão financeira/patrimonial, utilizando fundos de investimento e empresas de participação para ocultar a origem e o destino dos recursos ilícitos, segundo relatório do juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva. A facção foi alvo da Operação Carbono nesta quinta-feira (28).

Conforme o relatório, o grupo tinha sete distribuidoras em , sendo que uma das empresas investigadas, a Maximus, tinha o mesmo endereço da Safra Distribuidora de Petróleo S.A na cidade. Em Iguatemi, o presidente é indicado como Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamad Hussein Mourad, conhecido como ‘Primo’, apontado como o ‘cabeça’ de todo o esquema, sendo um dos operadores ao lado de Roberto Augusto Leme da Silva, o ‘Beto Louco’.

“As principais distribuidoras que operam conectadas à RODOPETRO incluem: IMPÉRIO COMÉRCIO DE PETRÓLEO S/A. MAXIMUS DISTRIBUIDORAS DE COMBUSTÍVEIS. ESTRELA DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LIMITADA. ORIZONA COMBUSTÍVEIS S.A. START PETRÓLEO S.A. PORT BRAZIL DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA. Outras distribuidoras como ALPES, ARKA, EVEREST, VMR, PETRORIENTE, PETROWORLD também são mencionadas como atuando no mesmo ambiente ou com características semelhantes. Características Comuns e Indícios de Fraude: As distribuidoras conectadas à RODOPETRO compartilham características que indicam serem empresas de fachada (shell companies) ou utilizadas para fins ilícitos”, diz parte do documento. 

Em Iguatemi as empresas alvo da operação contra o PCC foram:

  • Duvale Distribuidora De Petróleo E Álcool Ltda
  • Safra Distribuidora De Petróleo S.A
  • Arka Distribuidora De Combustíveis Ltda
  • Imperio Comercio De Petróleo S/A.
  • Maximus Distribuidora De Combustíveis Ltda
  • Start Petróleo S/A
  • Alpes Distribuidora De Combustíveis

O documento aponta que a movimentação financeira de uma das empresas em Mato Grosso do Sul teve grande crescimento, de R$ 3 milhões para R$ 3 bilhões. O irmão de Mohamed é presidente da Safra Distribuidora de Petróleo, que tem matriz na Rodovia da Balsinha, na zona rural de Iguatemi.

Ainda segundo o despacho do juiz, todas as outras seis companhias ficam no mesmo endereço. As empresas possuem o capital social idêntico, R$ 4,5 milhões.

Fortes laços com PCC

Conforme o relatório, “há fortes laços entre o grupo de Mohamad e a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que se beneficiam do ecossistema de lavagem de capitais facilitado pela atuação nas usinas e no setor de combustíveis”. 

Mohamad Hussein Mourad é o epicentro das operações, com seus familiares e associados desempenhando papéis cruciais, conforme aponta o relatório. “Sua rede de Mohamad é extensa e inclui familiares, sócios, administradores e profissionais cooptados”, diz o documento.

O documento ainda traz a divisão de tarefas entre seus membros. Ricardo Romano é identificado como uma figura-chave em um dos grupos que compõem a organização criminosa liderada por Mohamad Hussein Mourad. Ele é explicitamente vinculado à atividade de lavagem de dinheiro e possui conexões com o Primeiro Comando da Capital.

Já Sergio Luiz Freitas da Silva é identificado por atuar de forma multifacetada como advogado, gestor e administrador de diversas empresas e fundos de investimento, desempenhando um papel relevante na blindagem patrimonial e lavagem de capitais para o grupo liderado por Mohamad Hussein Mourad.

Himad Abdallah Mourad, por sua vez, é um dos principais expoentes do grupo criminoso liderado por Mohamad Hussein Mourad, se mostrando fundamental para a blindagem patrimonial e a lavagem de capitais da organização, utilizando uma complexa rede de empresas e fundos de investimento.

Produtor campo-grandense é alvo da operação

O produtor musical, campo-grandense, Ivan Carlos Miyazato foi alvo da operação contra o esquema bilionário de lavagem de dinheiro pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), que usava postos de combustíveis.

Miyazato é conhecido no meio musical por ter trabalhado com artistas de projeção nacional como Gusttavo Lima, Luan Santana e Zé Neto e Cristiano.

Conforme as investigações, ele teria envolvimento com Jonas Silva Corrêa, o ‘Gordão’, apontado como um nome grande dentro do PCC.

Tudo consta em relatórios do MPSP que apontam o envolvimento da facção criminosa na adulteração de combustíveis, fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e manipulação de preços. O prejuízo estimado pelas autoridades que esses crimes causaram é de R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais.

As investigações mostraram que eles são sócios na empresa Miyazato Music Produções S/A e Hiperhit Produções S/A. A reportagem confirmou que Jonas aparece como diretor, enquanto Ivan consta como presidente.

Em nota oficial, Miyazato afirma que já tinha conhecimento das investigações, mas afirmou não haver provas da ligação do produtor com a facção. A defesa do produtor diz ainda que as receitas da empresa “provêm da prestação de serviços lícitos e comprovadamente realizados”.

Por fim, a nota diz que Ivan Miyazato está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos.

Operação cumpriu mandados em MS

A PF (Polícia Federal) cumpriu, na manhã desta quinta-feira (28), seis dos 14 mandados de prisão preventiva decretados em operação contra um esquema operado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital). A ação, intitulada Operação Carbono Oculto, combate um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro relacionado ao setor de combustíveis.

O Estado de Mato Grosso do Sul faz parte dos alvos da ação, com os municípios de e Iguatemi. Ao todo, são cumpridos mandados de busca e apreensão contra cerca de 350 alvos em , Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Cerca de mil postos de combustíveis vinculados ao PCC movimentaram R$ 52 bilhões entre os anos de 2020 e 2024, segundo a operação.

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(Revisão: Bianca Iglesias)

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