No terceiro dia de Operação Nêmesis, policiais penais estão fiscalizando e fazendo revistas na Penitenciária Masculina de Regime Fechado da Gameleira 1, a “Supermáxima”, localizada em Campo Grande.
A operação acontece dias após os presos gravarem vídeos comemorando o aniversário do PCC (Primeiro Comando da Capital) no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, o Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande. Os vídeos aos quais o Jornal Midiamax teve acesso mostram os criminosos em volta de uma mesa forrada de cocaína, com fala dos criminosos agradecendo a participação de todos os envolvidos e comemorando os 33 anos do PCC, além de colocar a Máxima como a “maior sede dentro de MS”.
Após o Midiamax divulgar os vídeos da festa entre os presos, a Agepen-MS (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul) informou que fez um pente-fino no presídio e que os internos identificados serão submetidos a Padic (Procedimento Administrativo Disciplinar do Interno). Assim, iniciou-se a Operação Nêmesis na terça-feira (1º).
Na quarta (2), a operação transferiu 33 presos após a identificação dos envolvidos na comemoração de aniversário da facção. Já nesta quinta-feira (3), o pente-fino está concentrado na “Supermáxima”, unidade com detentos de alta periculosidade, incluindo aqueles que integram ou possuem ligação com a cúpula de organizações criminosas.
Operação Nêmesis
Conduzida pela Polícia Penal de Mato Grosso do Sul, com participação dos policiais penais que atuam na Gameleira 1, operacionais do Cope (Comando de Operações Penitenciárias) e Gisp (Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário), a Operação Nêmesis visa reforçar o controle dos presídios, prevenir irregularidades e impedir que o ambiente prisional seja usado para articulações relacionadas ao crime organizado.
“A Operação Nêmesis faz parte do trabalho permanente da Polícia Penal de Mato Grosso do Sul no enfrentamento ao crime organizado e no combate à entrada de ilícitos nas unidades prisionais. É uma atuação contínua e incansável para garantir a ordem, a disciplina e a segurança no sistema prisional e, consequentemente, contribuir para a segurança de toda a sociedade”, afirmou o diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini.
O nome Nêmesis faz referência à tradição grega e simboliza a resposta diante da transgressão da ordem, associada ao restabelecimento da autoridade e à aplicação das consequências previstas em lei e nos procedimentos disciplinares.
Droga no presídio
A Agepen-MS afirmou que as drogas entraram na Máxima por meio de arremessos de drones. Recentemente, a Polícia Penal e a Força Penal Nacional teriam intensificado o monitoramento, interceptando 13 tentativas de entrega por drones na unidade penal, entre os dias 25 e 29 de agosto.
No entanto, a ação não impediu a entrada do entorpecente no presídio, conforme os presos exibiram nos vídeos. Após o Midiamax divulgar a reportagem e cobrar ações, a Agepen-MS informou que realizou um pente-fino no presídio.
“Todos os internos identificados também estão sendo submetidos ao Procedimento Administrativo Disciplinar do Interno (PADIC). A manifestação coletiva de apoio ou alusão a organizações criminosas pode configurar falta disciplinar grave, conforme a Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/1984), com possíveis consequências no cumprimento da pena. Dependendo da conduta, também pode haver responsabilização criminal, nos termos do Código Penal e da Lei nº 12.850/2013 (Lei das Organizações Criminosas)”, pontua a Agepen-MS em nota.
Aniversário do PCC
O PCC ‘nasceu’ em 31 de agosto de 1993, e a comemoração dentro do presídio não é fato novo. Em 2016, o Midiamax deu a mesma notícia, quando imagens dos presos comemorando o aniversário da facção também chegaram ao jornal.
Na época, as fotos eram de Alexandrinho, o Alexandre Barreto de Castro. Ele estava preso por matar o policial militar Rony Maickon Varoni de Moura da Silva. Anos depois, já em liberdade, Alexandrinho morreu em confronto com a Polícia Militar, em 2022.
Oito detentos teriam criado a facção durante uma partida de futebol na quadra do Piranhão, conhecida por receber condenados que cometeram crimes de grande repercussão. Transferidos da capital de São Paulo para lá como castigo por mau comportamento, eles resolveram batizar o time deles de Comando da Capital.
Ainda no início da facção, o time de criminosos dizia que o PCC havia sido criado para “combater a opressão dentro do sistema prisional paulista” e “para vingar a morte dos 111 presos”, em 2 de outubro de 1992. Naquele dia, ocorreu o episódio que ficou conhecido como “massacre do Carandiru”, quando homens da PM mataram presidiários no pavilhão 9 da extinta Casa de Detenção de São Paulo.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






