O influenciador Eduardo da Silva Rezende Razuk, preso em uma operação da Polícia Civil, ganhou liberdade nesta terça-feira (1º). Ele é um dos oito indiciados pela polícia por realizar mais de 100 sorteios por meio de rifas ilegais de carros de luxo e Pix.
Conforme a defesa, “Em nosso pedido, além de comprovarmos a legalidade dos sorteios divulgados por Eduardo, defendemos que as cautelares que já foram cumpridas (tais como a busca, o sequestro de bens e valores e a suspensão das redes sociais) seriam suficientes para assegurar a investigação e tornariam a prisão desnecessária. A magistrada, de forma prudente e acertada, revogou a prisão preventiva”, disse Tiago Bunning.
A magistrada de 1ª instância acolheu o pedido da defesa e revogou a prisão de Eduardo e Rafael, segundo Bunning. A investigação apontou que a rede movimentou cerca de R$ 100 milhões em seis meses. Razuk teve as redes sociais bloqueadas pela Justiça.
Grupo tentou blindar o sistema
Apesar de as investigações terem começado em 2019, foi em 2025 que esse tipo de esquema ganhou repercussão nacional com operações policiais. Então, o grupo alterou o modus operandi para tentar ‘esquentar’ os sorteios ilegais.
O Jornal Midiamax já havia revelado que Razuk se utilizava da empresa FM Agenciamento Publicitário & Intermediação de Negócios Ltda. (CNPJ 30.999.856/0001-83), da Paraíba, que detinha uma autorização estadual, da Lotep, para promover sorteios no Estado da Paraíba.
Assim, Razuk colocou essa empresa como a organizadora das rifas — ou seja, era ela quem recebia o valor dos bilhetes pagos pelos compradores.
No entanto, a Polícia Civil concluiu que a estrutura não passava de uma engrenagem para maquiar as irregularidades. A empresa paraibana atuava como empresa de fachada, emprestando uma “roupagem de licitude” para que influenciadores de diversos estados continuassem promovendo rifas ilegais.
Isso porque, na prática, era o próprio influenciador quem organizava os sorteios e era o beneficiário dos valores arrecadados. Logo, o inquérito concluiu que o esquema com a empresa da Paraíba tinha como objetivo burlar a legislação para lavar dinheiro ilegal vindo das rifas, despistar investigações policiais e enganar os seguidores com a promessa de que as rifas eram ‘legalizadas’.
A engrenagem do esquema era intermediada por um empresário do Rio de Janeiro, cuja empresa vendia publicamente “soluções para sorteios”. Em seu próprio site, a empresa exibia como clientes-alvo de recentes operações da Polícia Federal investigados por lavar dinheiro do tráfico de drogas e de facções criminosas por meio de rifas na internet.
Documentação levantada pela investigação junto à Lotep obteve documentos que mostravam adulteração dos sorteios.
Carros de luxo e R$ 500 milhões bloqueados
A Operação Rodas da Sorte resultou no cumprimento de mandados de prisão e busca em Campo Grande, Rio de Janeiro e João Pessoa, além da apreensão de 22 veículos de luxo avaliados em R$ 20 milhões. Também houve a indisponibilidade de 5 imóveis e de aproximadamente R$ 500 milhões em contas bancárias dos investigados.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias. Eduardo foi preso junto do irmão, Rafael Razuk.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)





